quinta-feira, 1 de março de 2012

FALECE DO RIO DE JANEIRO AMILCAR PEREIRA

                  
      Por Nilson Montoril


Em primeiro plano visualisamos o Governador Amilcar Pereira e o Padre Vitório Galliani. Em 2º plano vemos o Deputado Coaracy Gentil Monteiro Nunes(à direita do Dr. Amilcar) e o Padre Antônio Cocco( à esquerda do Padre Vitório). O Sr. PauxyGentil Nunes, que então exercia o cargo de Secretário Geral, está perto do irmão Coaracy usando camisa branca. O policial que faz continência é o Maestro Miguel Silva, regente da Banda de Música da Guarda Territorial.

               Faleceu ontem, dia 28 de fevereiro de 2012, às 11h50min, na cidade do Rio de Janeiro, o médico Amílcar da Silva Pereira, o quarto governador do Território Federal do Amapá. Era natural de Bragança, a Pérola do Caeté, no Estado do Pará, onde nasceu no dia 16 de fevereiro de 1919. Seus pais, Antônio Manuel Pereira e Argentina Pinheiro da Silva, deram-lhe todo o apoio necessário para que conseguisse concretizar o sonho de ser médico. Cursou o primário e o ginasial em sua cidade natal, ingressando na Escola de Medicina e Cirurgia do Pará em 1939. Concluiu o curso de medicina em 1945. Para reforçar os recursos financeiros recebidos dos pais, lecionou Ciências Físicas e Naturais no Colégio Progresso Paraense, em Belém até o término do ano letivo de 1945.  Ainda no inicio do ano de 1946, embarcou para Macapá em 15 de fevereiro, ingressando no quadro de funcionários do recém criado Território do Amapá. Ainda era solteiro e aceitou passivamente sua nomeação para o cargo de Diretor do Posto Médico de Oiapoque. Na cidade fronteiriça iniciou suas atividades profissionais e soube enfrentar com muita resignação os problemas naturais de um lugar tão isolado. Em Oiapoque, conheceu a Professora Normalista Oneide Cruz e Silva, com a qual contraiu matrimônio no final do ano de 1947, tendo os filhos Paulo Sérgio e Telma, ambos nascidos no Amapá. Enquanto residiu na cidade do Oiapoque, o Dr. Amílcar Pereira desenvolveu outras atividades para suprir lacunas na administração do município, até mesmo na condição de prefeito em substituição ao Dr. Sérgio Olindense Ferreira.

Solenidade festiva de aniversário do Rotary Clube de Macapá de julho de 1956, dirigida por Jacy Barata Jucá, presidente da instituição. Fazem parte da mesa: Professora Oneide Cruz Pereira, o Governador Amilcar da Silva Pereira e o Secretário Geral do Território,Pauxy Gentil Nunes. Detalhe para o bolo confeitado e para a garrafa do Flip Guaraná, esta à frente do Dr. Amilcar.(Arquivo Nilson Montoril)

             Ao ser transferido para Macapá, passou a exercer a medicina na então Divisão de Saúde, começando como Chefe do Serviço de Pediatria do Hospital Geral de Macapá que havia sido inaugurada há pouco tempo. Era médico pediatra e teve decisiva participação nas atividades da Legião Brasileira de Assistência, destacando-se como Diretor do Posto de Puericultura Iracema Carvão Nunes, então localizado ao lado da residência governamental, na Avenida Cândido Mendes de Almeida. Foi um dos fundadores do Centro de Estudos Dr. Lélio Gonçalves da Silva, que funcionou no próprio Hospital Geral de Macapá e compreendia uma Sociedade Médica do Território do Amapá. Ele, na condição de presidente, o Dr. Mário de Medeiros Barbosa e o Dr.Carlos Asclepíades de Lima constituíram a Comissão Cientifica da entidade Voltou a atuar no magistério lecionando Ciências Físicas e Naturais no Ginásio Amapaense. Também ocupou o cargo de diretor do citado educandário, hoje registrado como Colégio Amapaense. A 16 de maio de 1954, em caráter interino, o Governador Janary Gentil Nunes o guindou à condição de Secretário Geral, substituindo o Dr. Hildemar Pimentel Maia, à época suplente do deputado Coaracy Nunes, mas servidor efetivo do Ministério da Justiça e Negócios Interiores na condição de Promotor Público.

Em solenidade realizada em 1956, o Promotor Público e Suplente de Deputado Federal, Hildemar PImentel Maia faz uso da palavra. Sentado à esquerda do orador, vemos o Governador Amilcar da Silva Pereira. Atrás dele, encostado na janela, vislumbramos a figura do técnico de som da Rádio Difusora de Macapá, Carlos Lins Cortes, popularmente conhecido por Baião Caçula. ( Foto escaneada do livro "Histório do Amapá, da Autonomia Territorial ao Fim do Janarismo-1943-1970"-página 97)

                A Secretaria Geral do Território equivalia a um órgão com ações próprias de vice-governadoria. Sua efetividade ocorreu no dia 1º de julho do mesmo ano. A 2 de fevereiro de 1956, em decorrência da nomeação do Coronel Janary Nunes para o cargo de Presidente da Petrobrás, o Dr. Amílcar da Silva Pereira passou à condição de governador, nomeado pelo Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira. No decorrer de seu governo tivemos a implantação da Companhia de Eletricidade do Amapá (3/9/1956) e a instalação do Município de Calçoene (25/1/1957), ambos os projetos de autoria deputado Coaracy Nunes. No dia 5 de janeiro de 1957, ocorreu a inauguração do Porto de Santana, estando presente em Macapá o Presidente do Brasil, Dr. Juscelino Kubitschek.Dia 11 de janeiro, Amílcar Pereira testemunhou o primeiro embarque de manganês para o exterior Como um acidente aéreo ocorrido a 21/1/1958, no campo de aviação do povoado Nossa Senhora do Carmo, no Rio Macacoary, ceifou a vida do deputado federal Coaracy Nunes e de seu suplente Hildemar Maia, o Amapá ficou sem representatividade na Câmara Federal. Houve a necessidade de ser feita uma eleição extemporânea a 18 de maio de 1958, para eleger novos parlamentares. O Dr. Amílcar Pereira foi escolhido pela legenda do PSD, tendo o Promotor Público Aurélio Távora Duarte como suplente. Para poder concretizar sua candidatura deixou o cargo de governador.
 O religioso à esquerda é o Bispo Prelado de Macapá, Dom Aristides Piróvano.Ao centro, de camisa branca e falando ao povo vemos o Governador Raul Montero Valdez. O Dr. Amilcar Pereira, de camisa escura exercia o cargo eletivo de Deputado Federal. O menino da foto é Paulo Sérgio, filho do Dr. Amilcar.(Arquivo Nilson Montoril)


               Foi substituído por Pauxy Gentil Nunes, que tomou posse dia 14/2/1958. Os demais partidos não concorreram. À época, o Território Federal do Amapá tinha apenas 3.664 eleitores. Sob forte comoção 3.191 eleitores elegeram a única chapa registrada. Sua posse na Câmara Federal se deu no dia 7/7/1958. O Amapá ficou sem representatividade no Congresso Nacional por quase cinco meses. O Dr. Amílcar Pereira ainda cumpria o restante do mandato de Coaracy Nunes quando participou de nova eleição, levada a efeito no dia 3/10/1958. Desta feita, a chapa do Partido Social Democrático, composta por Amílcar Pereira e Aurélio Buarque teve a concorrência dos candidatos Dalton Cordeiro de Lima e Amaury Guimarães Farias, ambos filiados ao Partido Trabalhista Brasileiro. No decorrer da apuração, os opositores mantiveram a dianteira, mas foram suplantados após a contagem dos votos sufragados nos Municípios de Amapá, Calçoene e Oiapoque. Enquanto Amílcar Pereira desempenhava suas atividades em Brasília, o governador O flagrante é de 1962, feito na cidade de Mazagão.Pauxy Nunes e seus correligionários desencadearam incisiva perseguição aos funcionários partidários do PTB, descontentando o deputado que mantinha relações cordiais com os filiados da aludida agremiação política. Foi por indicação de Amílcar Pereira que a 8 de setembro de 1961, Mário de Medeiros Barbosa e Francisco Torquato de Araújo foram nomeados interinamente para os cargos de Governador e Secretário Geral respectivamente, em substituição a Joaquim Francisco de Moura Cavalcante, que estava do cargo desde o dia 17 de março de 1961. Os dois categorizados servidores permaneceram nos cargos até 21 de outubro, ocasião em que, por intercessão do Dr. Amílcar, saiu a nomeação do Dr. Raul Montero Valdez.  Em outubro de 1962, o coronel Janary Nunes, que já havia deixada a Presidência da Petrobrás e a Embaixada do Brasil na Turquia, decidiu candidatar-se ao cargo de deputado federal pelo Amapá. O carisma do 1º governador do Território fez a diferença e ele superou o Dr. Amílcar Pereira nas urnas, obtendo 6.559 votos contra 4.018 votos do oponente.  Ao encerrar seu mandato, Amílcar Pereira sentiu que era chegado o momento de deixar o Amapá para não sofrer retaliações, haja vista que havia rompido com os Nunes.



O Presidente Juscelino Kubitscheck, usando terno escuro, caminha pela pista que liga o escritório da ICOMI ao porto de embarque de manganês que iria ser inaugurado na manhâ do dia 5/1/1957, em Santana. À sua direita, seguia o Dr. Augusto Antunes e à esquerda o Coronel Janary Gentil Nunes, Presidente da Petrobrás. Um pouca mais á frente vemos o Deputado Federal Coaracy Nunes e o Governador Amilcar da Silva Pereira.(Foto Revista ICOMI Noticias)
              Requereu transferência para o quadro de servidores do Ministério da Saúde e fixou residência no Rio de Janeiro. Durante o governo do Dr. Nova da Costa houve uma tentativa de prover uma visita do Dr. Amílcar Pereira ao Amapá, mas ele não aquiesceu o pedido. Seu filho Paulo César, servidor da Caixa Econômica Federal, esteve em Macapá algumas vezes e narrou a seu pai as modificações que a cidade sofreu. O Dr. Amílcar da Silva Pereira também foi membro do Aéro-Clube de Macapá e do Rotary Clube. Apreciava e estimulava os esportes, principalmente o pedestrianismo e o futebol, modalidades que ele praticou. Era um cidadão livre de vaidades, não promoveu perseguições a funcionários oposicionistas e nem as referendava. Foi  amigo fiel dos que lhe dedicavam amizade sincera.Morreu 12 dias após completar 93 anos de idade. O Amapá lhe deve um tributo.

O Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira recebe do Presidente da Indústria e Comércio de Minérios S.A-ICOMI, Dr. Augusto Trajano Antunes, uma medalha comemrativa da inauguração do Porto de Santana a 5/1/1957. O Dr. Amilcar da Silva Pereira, Governador do Território Federal do Amapá, ao fundo, testemunha a homenagem prestada ao Chefe da Nação Brasileira.(Foto Nilson Montoril)




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

PRIMEIRA SELEÇÃO AMAPAENSE DE BASQUETEBOL

Na pista do velho aeroporto da Panair do Brasil, em Macapá, a delegação amapaense de Basquete Juvenil com tripulantes do avião Douglas DC 3, do Correio Aérea Nacional/FAB. Em pé, da esquerda para a direita: Ary Coutinho, Paulo Farias,Uriel Araújo,José Aymoré,Marivaldo Monteiro,Edilson Borges de Oliveira, o comandante e o co-piloto da aeronave, José Maria Souza,José Tavares de Almeida, Antônio Tavernard e o sargento Irineu da Gama Paes.Agachados: Eládio Braga,Leandro Costa, Clóvis Mascarenhas, Antenor Epifânio Martins, Dr. Corinto Silva e Victor Santos(que jogava basquete mais tinha idade acima do permitido).


        Participaram do VII Campeonato Brasileiro de Basquete Juvenil, realizado na quadra da Fênix Caixeiral Cearense, em Fortaleza, em julho de 1954, as equipes representativas de São Paulo, Ceará, Amapá, Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Norte. A delegação do Território Federal do Amapá seguiu para Fortaleza na manhã do dia 11 de julho de 1954, a bordo de um avião DC 3, do Correio Aéreo Nacional, gentilmente cedido pelo Comando da Aeronáutica sediado em Belém, com escalas para reabastecimento em São Luiz e Terezina. Comandava a delegação o macapaense Edílson Borges de Oliveira, Oficial de Gabinete do Governo Territorial, que também jogava futebol pelo Esporte Clube Macapá. Os demais componentes eram: Sargento Irineu da Gama Paes (técnico), Antenor Epifânio Martins (assistente técnico), Corinto Silva (médico), Prof. Gabriel de Almeida Café (representante da imprensa) e os seguintes atletas - Eládio Braga (Amapá), Uriel Araújo (Macapá), José Aymoré (Amapá), Leandro Matos Costa (Amapá), Ary Coutinho (Amapá), José Tavares de Almeida (América), Marivaldo Monteiro (Macapá), Clóvis Mascarenhas (Macapá), Antônio Tavernard (Macapá), Paulo Vinicius Farias (Amapá), José Maria Souza (Macapá). O atleta Lindoval Peres foi convocado e chegou a concentrar na Escola Industrial de Macapá, mas sua genitora não permitiu que ele viajasse devido ao fato do mesmo ser menor de idade. Para poder participar do certame nacional, a recém criada Federação Amapaense de Basquete, cujo presidente era o tenente Glicério de Souza Marques, organizou um torneio relâmpago com a participação do Amapá Clube, Esporte Clube Macapá, América Futebol Clube e Atlético Latitude Zero. O Atlético Latitude Zero sagrou-se campeão e recebeu o troféu denominado “Dr. Hildemar Pimentel Maia”.  Dentre os atletas convocados, que então integravam outras equipes, encontravam-se Paulo Farias e Uriel Araújo que defenderam as briosas cores do Atlético Latitude Zero no torneio. Na capital alencarina a delegação do Amapá ficou hospedada na Escola Industrial do Ceará, realizando seus treinamentos nas quadras do Náutico Atlético Cearense,campeão de 1952, e do Maguary Clube.O Náutico era a base do escrete alencarino.
Primeiro prédio da Fênix Caixeiral Cearense onde foi desdobrada a programação do VII Campeonato Brasileiro de Basquete Juvenil. Na década de 1950, o imóvel foi demolido, surgindo uma edificação mais ampla e elevada que atualmente abriga o Instituto Nacional de Previdência Social/SUS.( www.ceara.pro.br/fortaleza/Predios/dsc-fenix11.htm)

Paulo Farias, hoje residindo em Belém, não lembra com precisão quando o campeonato teve inicio, acreditando que tenha sido no dia 18 de julho, um domingo e concluído dia 23. Os jogos entre as seleções aconteceram no período noturno e o certame de lance livre pela manhã, ambos na quadra do Fênix Caixeiral. No dia 22 de julho de 1954, uma quinta feira, foi realizado o Campeonato Brasileiro Juvenil de Lance Livre e cada delegação inscreveu cinco atletas. A seleção Amapaense foi representada por Paulo Vinicius Farias, Clóvis Mascarenhas, José Maria Souza, Uriel Sales de Araújo e José Tavares de Almeida. Cada atleta teve direito de fazer 20 arremessos. No geral, cada seleção poderia computar 100 pontos. A classificação final foi a seguinte:
Os dois primeiros senhores de terno branco eram desportistas cearenses.Depois deles vemos: Ary Coutinho(ao fundo),Marivaldo Monteiro,José Aymoré,ao fundo o Uriel Araújo, Dr. Corinto Silva, Edilson Borges, representante do governo do Ceará, José Maria Souza,ao fundo desportistas cearense, Leando Matos Costa, Paulo Vinicius Farias Eládio Braga
 1º Lugar - Federação Paulista             2º Lugar – Federação Cearense                                     
    José Carlos Meblinj       19 pontos       Djacir Lima             15  pontos                   
    Waldemar Blaujkauskas 17 pontos       Newton Farias         14  pontos                              
    Pindaro Zebinatti            16 pontos       Nelber Castro         14  pontos                            
    Adalberto Gonçalves      13 pontos       Fernando Pinto        13  pontos
    Luiz Braga                      12 pontos      Antônio Freitas Filho12  pontos
                              Total     77 pontos                         Total     68 pontos                                  

  3º Lugar – Federação Pernambucana  4º Lugar – Federação Metropolitana
  Adalberto Medeiros Júnior 17 pontos      Luiz Liberato Cabral        16 ponto                    
  Zeudo Silva                       16 pontos      Guilherme Severino Júnior 13 pontos
  Giovani Silva                      13 pontos     Almir Barcelar                   13 pontos
  Ruy Oliveira                       11 pontos      José Silva e Silva              12 pontos
  Isac Schcolmik                   10 pontos      Edson Elias dos Santos     10 pontos
                                  Tota   67 pontos                                 Total     64 pontos

 5º Lugar – Federação Mineira               6º Lugar – Federação Amapaense
     Moisés Blás                    14 pontos       Paulo Farias                       18 pontos
     Leonardo Ribeiro            13 pontos      Clóvis Mascarenhas           11 pontos
     Gastão Câmara               13 pontos       José Maria Souza              10 pontos
     Abílio Veiga                    12 pontos       Uriel Araújo                        8 pontos
     Rômulo Costa                 10 pontos       José Tavares de Almeida     6 pontos
                            Total         62 pontos                                Total         53 pontos

          7º- Lugar - Federação do Rio Grande do Norte                                                               
                Roberto Siqueira          13 pontos              
                Jessênio Lima               10 pontos                   
                Moisés M. Filho             8 pontos        
                Edson Carvalho              7 pontos
                José Oliveira                   6 pontos
                                   Total          47 pontos

                                                               Colocação Individual     
                                           
           Campeão – José Carlos Mebling (São Paulo)                                        
           19 pontos- Medalha de Vermiel e Diploma de Honra ao Mérito
                                         
           Vice Campeão - Paulo Vinicius Farias (Amapá)                                                                        
           18 pontos - Medalha de Prata)

           3º Lugar - Adalberto Medeiros (Pernambuco)                                              
           17 pontos ( medalha de bronze)     

                                                 Classificação por Federação
   Federação Mineira de Basquetebol - Medalha Vermeil e Diploma de Honra ao Mérito
   Federação Paulista de Basquete      - Medalha de Prata
   Técnico da Federação Mineira        - Medalha de Vermeil e Diploma de Honra ao Mérito



Em pé: Eládio Braga, Uriel Sales de Aáujo,José Aymoré, Leandro Matos Costa,Ary Coutinho,José Tavares de Almeidae o técnico Irineu da Gama Paz.Agachados: Marivaldo Monteiro,Clóvis Mascarenhas,Antônio Tavernard, Paulo Vinicius Farias e José Maria Souza, o Zezinho.
                O primeiro edificio da Fênix Caixeiral Cearense demorava no Centro Histórico de Fortaleza, à Rua 24 de Maio, na esquina dessa via pública com a Praça José de Alencar. O imóvel foi vendido em 1979, e a instituição mudou-se para a Avenida Imperador, 336, entre as ruas Liberato Barroso e Pedro Pereira, agora identificada como Colégio Fênix Caixeiral. Já não é mais a famosa sociedade beneficente e cultural de outras épocas quando congregava contadores,despachantes da alfandega,corretores,leiroeiros,empregados de bancos e outras classes trabalhadores.Em 1952, o governador do Estado do Ceará era Raul Barbosa. Ele apoiou incondicionalmente a realização do certame que foi organizado pela Confederação Brasileira de Desportos.A Confederação Brasileira de Volei foi fundada a 16 de agosto de 1954.O ex-jogador Denis Rupet Hathaway ocupou a presidência entre 15/3/1955 a 15/2/1957.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

ALICE GORDA, RAINHA MOMA DO AMAPÁ.

                      

        Por Nilson Montoril

Sempre alegre e sorridente, a Rainha Moma do Amapá irradiava simpatia. Sua atuação no carnaval amapaense foi fundamental para a formação de uma geração bastante criativa. Para ela, a maior virtude que uma ser humano pode ter é a amizade cincera e desinteressada. Alice foi fiel a seus amigos,mas a maioria deles lhe virou as costas em momentos criticos.


               No Setentrião do Brasil viveu uma rainha: a maravilhosa Alice Guedes de Azevedo. Seu reino era o império da alegria, da pândega e da roseta. O tributo devido por seus súditos correspondia a um simples sorriso. Sem ter apego a bens materiais, a rainha Alice não tinha fortuna, nem cetro de brilhantes ou coroa de ouro. Em reconhecimento ao amor que ela nutria pelo carnaval, a soberana vontade do povo lhe deu um trono e o direito de ofuscar, por um breve período de tempo, o brilho dos poderosos. Se o seu reino tivesse um primeiro ministro, ele seria o FALCONIERE, o “Cavaleiro do Samba” que assegurou sua sagração como Rainha Moma. Seu fiel escudeiro, O Rei Momo SACACA, preferia chamá-la de Madrinha e jamais pretendeu ser mais importante que ela. Nem o passista campeador “SUCURIJU” se encheu de vaidades ao substituir o Rei Sacaca quando este foi guindado à esfera celeste para alegrar a corte dos Querubins. O quarteto aqui mencionado despontou para a folia carnavalesca no bairro moreno da cidade, onde surgiu triunfante a “Ordem dos Foliões da Orgia e do Samba”, eternizada entre nos como Boêmios do Laguinho. Foi neste reduto onde impera a cor do ébano que a Alice Gorda começou sua jornada carnavalesca na Província dos Tucujú. Cativante e conciliadora, a Rainha Alice Gorda estendeu sua simpatia pelos Cantões Maracatu, Piratão, Piratinha, Cegonhas, Embaixada, Felicidade, Solidariedade, Unidos do Buritizal, Império do Povo, Quilombo dos Palmares, Unidos do Amapá e pelos Condados Reunidos da Liba, da Abloca e da Banda.

Esta fotografia mostra a Alice sem a robustez ecessiva que progressivamente foi limitando sua mobilidade. Porém, mesmo quando enfrentou dificuldades para sair de casa e honrar seus compromissos contou com a colaboração de vários amigos. Como ela não admitia que lideres da Banda barganhassem vantagens para si e familiares foi tida como chata e inoportuna. Por esta razão, acabou ficando à margem da condução do grande arastão do povo.

              Antes de vestir os trajes reais, Alice tinha predileção pela fantasia de ARLEQUIM, evidenciando o vermelho e o branco. Por gostar do branco e do vermelho apaixonou-se pela Escola Acadêmicos do Salgueiro, do Rio de Janeiro. Foi por influência desta entidade carnavalesca carioca que a Escola de Samba Boêmios do Laguinho também se vestiu de alvi-rubro. Com este traje secular brincou descontraidamente enquanto o excesso de peso ainda não havia prejudicado sua mobilidade. Sempre foi apaixonado pelas festas populares que fazem a riqueza folclórica do nosso país. Entretanto, o carnaval, foi o maior encantamento de sua vida. Se não dava para caminhar, a Alice se conformava em ficar sobre o capô do motor de um caminhão ou na carroçaria de uma camionete. Nem tudo foram flores na caminhada de Alice Gorda. Por ter aceitado uma homenagem de Piratas da Batucada, que contou e cantou sua vida na Avenida FAB, ela foi acusada de ter cometido o crime de lesa pátria e traído Boêmios do Laguinho. Triste e decepcionada com a atitude de pessoas que apenas apareciam na associação no período do carnaval, ela bateu em retirada. Em 1967, consciente de que poderia ter dissabores, Alice aceitou ser “testa de ferro” de um bloco de sujos que congregava integrantes do Bloco do Amapá Clube e carnavalescos partidários políticos do Coronel Janary Gentil Nunes, eleito deputado federal em 1966. Se o Amujacy Alencar, o Savino Souza, o Jarbas Gato ou qualquer outro cidadão que participou da campanha do ex-governador tivesse despontado como coordenador do bloco, certamente a Prefeitura Municipal de Macapá não teria aceitado a inscrição requerida para participar da programação oficial. Naquele ano, uma “orquestra” foi colocada na carroçaria de um caminhão para animar os brincantes.



Sentada sobre o capu do motor de um caminhão Ford e reclinada no pára brisa do veículo, a Rainha Moma, com sua fantasia de Arlequim, marcou presença no carnaval de 1977. Contou com a permanente vigilância do Job Nogueira, um dos seus bons amigos. Na carroçaria do caminhão, atrás da Alice, vemos o radialista Arnaldo Araújo, o locutor que a Banda contratou para orientar os brincantes e animá-los.Observem os altofalantes e as caixas de som que então eram usados. Os três personagens deste flagrante já partiram para a eternidade.
              O veiculo fez o mesmo percurso ainda cumprido pela Banda e só começou a tocar a marcha “A Banda”, composta pelo Chico Buarque, com maior ímpeto quando atingiu a Avenida FAB. Imediatamente, os coordenadores do carnaval mandaram os soldados da Guarda Territorial montar uma barreira no esquina da Avenida FAB com a Rua Eliezer Levi para impedir que o bloco passasse em frente ao palanque oficial. Quem usou o termo “Banda” foram as autoridades e não os brincantes ou a imprensa. Alice foi acusada de ter sido conivente com os “bagunceiros e desrespeitadores da ordem”. Jornais de Macapá e de Belém não a pouparam. Braba como ela só, Alice subiu nas tamancas e enfrentou o imbróglio com muita altivez. A maioria dos que a meteu no “foguete sem rabo” se acovardou e sumiu do mapa. No decorrer dos 45 anos em que viveu em Macapá, Alice Gorda promoveu e ajudou a promover as pândegas e as pantomimas carnavalescas. Como o firmamento precisava de uma estrela de primeira grandeza, Alice mudou de endereço, deixando seus súditos conscientes de que apenas a fraternidade é capaz de fazer o carnaval existir. Assim, neste carnaval de 2012, no momento em que as entidades carnavalescas desfilarem no Sambódromo, a atenções de seus integrantes deve estar voltadas para o céu, onde Alice a tudo observa, com um largo sorriso estampado no rosto.Que rufem os tambores! O maravilhoso Reino da Alegria de Alice Gorda está em festa para perpetuar a sua memória.
                                                         
No carnaval de 1998, a Rainha Moma, Alice Gorda, participou do desfile da Banda na carroçaria de uma camionete. Fazia-lhe companhia o Prof. Antônio Munhoz, fantasiado de palhaço e revestido da função de Juiz de Paz. Naquele ano, na esquina da Avenida Feliciano Coelho de Carvalho com a Rua Jovino Albuquerque Dinoá foi realizado o "casamento" da Boneca Chicona com o galante Anhanguera. Alice ainda não apresentava os sintomas da doença que ceifou sua vida .

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM FANTÁSTICO GIRO PELO NORDESTE

Por Nilson Montoril

Ribamar Pessoa e Nilson Montoril na Praia do Jacaré, em João Pessoa. Neste logradouro, todos os dias, ao por do sol, um saxofonista toca o Bolero de Ravel a bordo de uma pequena canoa, no Rio Paraiba. A foto foi tirada no domingo, dia 16/1/2011.

        No período de 15 a 21 de janeiro de 2011, estive em João Pessoa, a aprazível capital do Estado da Paraíba. Estava acompanhado de minha esposa Rosa, minha filha Débora, meu genro Ewerton e dos netos Rodrigo e Júlio César. Curtíamos férias, iniciadas em Fortaleza, no dia 6 de janeiro. Às 07h30min horas da manhã do dia 12 tomamos o rumo do sul do Estado de Ceará com destino a Exu, simpática cidade do sertão pernambucano, terra de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Utilizamos um Pick-up Mitsubishi, cabine dupla e, a despeito de duas paradas de média duração, chegamos a Exu às 16h30min. No decorrer da viagem fui relembrando os meus tempos de estudante, apreciando detalhes do relevo nordestinos citados por meus professores de geografia do Colégio Amapaense. Conhecemos o açude Castanhão, uma obra maravilhosa que represa cerca de sete bilhões de metros cúbicos de água e integra o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. À proporção que nos aproximávamos de Assaré, Crato e do Juazeiro do Norte, meu estado emocional aumentava. Afinal de contas, eu estava prestes a conhecer lugares onde viveram meus antepassados antes de migrarem para a Amazônia a partir de 1898.

Nilson Montoril na entrada do Mausoléu de Luiz Gonzaga.
Na rota para Exu não entramos no Crato, mas passamos pelo trecho da estada que para lá converge. Alguns quilômetros depois dessa entrada vislumbramos a bela Chapada do Araripe. Depois de alcançá-la, iniciamos a subida e trafegamos 26 km por uma estrada pavimentada até o ponto de descida em demanda de Exu. Ficamos hospedados na casa onde reside o casal Edílson Ferreira e Carlena Alencar. Ele oficial reformado do Corpo de Bombeiros do Estado do Amapá. Ela, natural daquela região e integrante da família que tem em Bárbara de Alencar a sua maior referência.

A meu lado, Raimundo Praxedes, vaqueiro do Gonzagão.
Tivemos a feliz oportunidade de visitar o “Parque Asa Branca” que compreende a antiga propriedade de Luiz Gonzaga. Também conhecemos Crato e Juazeiro do Norte, cidades onde ainda moram muitos dos meus parentes, membros das famílias Alencar, Queiroz, Maia, Montoril,Araújo. Em Juazeiro, estivemos no local onde viveu o Padre Cícero Romão Batista e todos os lugares que se referem à fé do povo nordestino por ele. No sábado, por volta da 7h35min tomamos o rumo de João Pessoa. Iríamos percorrer mais de 700 km e tudo transcorreu sem atropelos.

Débora em frente a réplica de uma  "Casa de Reboco"
Chegamos a João Pessoa às 17h40min e nos deparamos com um sério problema: o hotel onde tínhamos feito reservas não honrou com sua palavra. Ainda chegamos a manter contatos com outros estabelecimentos hoteleiros, mas não havia vagas. Chegamos a pensar em emendar caminho para Natal, desistindo de fazê-lo depois que recorremos aos préstimos do casal Ribamar Pessoa e Carmem Nery Pessoa. Pleiteamos apenas um pernoite, mas eles fizeram questão que aceitássemos a hospitalidade pelo tempo que quiséssemos ficar em João Pessoa. Nesta ocasião lembrei de dois velhos ditos populares: “Quem tem padrinho não morre pagão” e “Não fica desamparado quem tem amigo na praça”.
Nilson e Ribamar, este acessando o computador em seu apto.

Domingo, dia 16 de janeiro de 2011, Ribamar, Carmem, eu e Rosa fomos visitar o centro histórico de João Pessoa, a Paia do Jacaré, a Ponta Seixa e outros lugares pitorescos da bela e acolhedora capital paraibana. Fiquei maravilhado com a riqueza arquitetônica da Igreja de São Francisco e do Convento de Santo Antônio, que formam um belo complexo. Em João Pessoa encontramo-nos com o Nilson Montoril Júnior, Anelisa e Lucas. Ainda tivemos tempo para ir a Jacumã, onde revemos Tia Francisca Juracy Montoril Cabral, que até pouco tempo residiu em Itabaiana.

Rosa, Nilson Jr.,Tia Juracy, Nilson,Débora,Rodrigo,Lucas,J.César
Na manhã do dia 18/1/2011, esticamos a viagem a Recife, Porto de Galinhas e Jaboatão do Guararapes, onde pernoitamos.No dia seguinte, 19 de janeiro, às 14 horas, sob pesado temporal deixamos Recife com destino a Natal, no Rio Grande do Norte. À noite, encontramos tempo e disposição para rever alguns pontos marcantes de Natal e jantarmos no restaurante Mangaio. Dia 20, após o café da manhã, tomamos a estrada em direção de Fortaleza, almoçando em Mossoró e parando em Canoa Quebrada para conhecê-la. Em Fortaleza permanecemos até 26 de janeiro de 2011.
Lucas,Riquele,Fernando,Anelisa,Débora,Tia Juracy,NM,Ewerton,Juju.
  Débora, Ewerton, Rodrigo e Júlio César tinham deixado a capital alencarina, por via terrestre, no amanhecer do dia 25 de janeiro, pernoitando em Teresina e chegando a Belém ao anoitecer do dia 26. Eu e Rosa fizemos o trecho Belém/Fortaleza/Belém por via aérea. No final deste ano de 2012, pretendemos seguir outra rota, planejando melhor a questão de hospedagem para não sermos surpreendidos pelo mau caráter de alguns gerentes de hotel. Tia Francisca Juracy Montoril Cabral reside atualmente em João Pessoa e possui um apartamento em Jacumã, cuja praia é bastante procurada pelos turistas.

Carmem Pessoa e Rosa Araújo na Igreja de São Francisco
Ao final deste relato não posso deixar de agradecer o importantíssimo apoio que minha família recebeu dos amigos Ribamar Pessoa e Carmem Nery Pessoa, ilustres proprietários de um belo apartamento no 17º andar de um prédio edificado no bairro Manaíra, em João Pessoa, de cuja sacada vê-se parte do litoral e o Oceano Atlântico, tão grande como os corações que eles carregam em seus peitos. Também merece destaque o acolhimento que recebemos do casal Edilson e Carlena, em Exu, cidade que os abriga há 10 anos e de onde não pretendem sair. Em João Pessoa  contamos com a parceria do botafoguense


Edilson, Carlena e Rosa no entorno da imagem do Pe. Cicero
  Inaldo, paraibano que mora em Macapá e que lá se encontrava em gozo de férias. Não faz muito tempo que Exu viveu momentos de muita discórdia entre as famílias Alencar e Sampaio. Com a intercessão de Luiz Gonzaga e intervenção do Exército a paz foi estabelecida. Tive a oportunidade de passar alguns momentos de descontração numa fazendola de membros da família Alencar e ali encontrar alguns Sampaios que conversavam animadamente. A Serra ou Chapada do Araripe corresponde a um Parque Nacional com variado eco-sistema. A cidade, cujo nome não tem nada a ver com divindade do Candomblé e sim designa a colméia de abelhas,atualmente é abastecida por água transposta do Rio São Francisco. É cortada por uma rodovia que se estende até Petrolina/PE e possui tráfego considerável.


Impressionante imagem de cera que personifica o Padre Cicero Romão Batista repousando em uma rede.A imagem fica isolada em uma sala do Memorial do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Tirei a fotografia através da vidraça.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A ELEVAÇÃO DE MACAPÁ À CATEGORIA DE VILA

  Por Nilson Montoril
                 

Foto de 1960, ocasião em que Macapá tinha 202 anos de existência na condição de vila. Para termos uma idéia da área onde foi implantado o povoado, basta imaginar a área sem a Fortaleza de São José. O entorno do platô era exatamente igual em 1751 e 1960, excluindo naturalmente quaisquer outras edificações

                     Na viagem que empreendeu à Capitania de São José do Rio Negro, onde discutiu com os espanhóis sobre as questões de fronteiras entre as possessões de Portugal e da Espanha na América do Sul, o Capitão-General Mendonça Furtado, Governador do Estado do Grão Pará, tomou uma série de medidas administrativas necessárias à formação de vilas e lugares. Antes de aportar em Macapá, Mendonça Furtado parou na aldeia dos índios Urucará, onde o Padre Antônio Vieira havia introduzido índios nhengaibas, perseguidos por escravagistas. No dia 24 de janeiro de 1758, a aldeia Urucará foi elevada à categoria de vila e testemunhou a instalação do Senado da Câmara. A denominação mudou para Portel. A comitiva do governador chegou a Macapá dia 1º de fevereiro e as delineações do espaço que iria abrigar a vila ocorreram imediatamente. Este espaço corresponde as Praças Veiga Cabral (Largo de São Sebastião) e Barão do Rio Branco ( Largo de São José/São João).As denominações dadas aos dois largos traduzem bem a intenção de Mendonça Furtado em homenagear não apenas os santos, mas também seu irmão Sebastião José de Carvalho e Melo e o Rei D. José I. é claro que o delineamento em questão não passou de um simples escolha, sem compreender a limpeza total da área, que por ser de cerrado facilitou a empreitada. No dia dois de fevereiro, a cerimônia de posse dos membros do Senado da Câmara certamente aconteceu no núcleo pioneiro de Macapá. Nela havia instalações diversas e a população ali residia. Devido ao porte que Mendonça Furtado quis dar a Macapá, o Senado da Câmara foi formado por quatro membros: Francisco Espíndola Bittencourt, que exerceria a presidência e seria o Juiz Ordinário; Carlos de Melo, acumulando as funções de Procurador do Executivo e Tesoureiro; Thomé Francisco Vieira e Manoel José Paes como
vogais.
Mulher da Ilha São Jorge, uma das nove ilhas que formam o Arquipélago dos Açores. Da Ilha  São Jorge também vieram pessoas que contribuiram para o povoamento de diversas regiões do Brasil, inclusive Macapá.

                 Todos eram açorianos, brancos e letrados. Finda a cerimônia de posse, a comitiva do governador, acrescida por militares do reduto fortificado e por populares deu vivas ao Rei de Portugal e desejou-lhe longa vida. A ligação entre o platô da fortificação e a área do atual centro histórico era feita através de uma ponte de madeira construída sobre o igarapé do Igapó e por uma estrada aterrada. A abertura de vias públicas data de 1761, correspondendo a nove ruas, nove travessas e passagens, dois largos maiores e um largo menor.

Imagem de Macapá, mostrando em primeiro plano a Igreja de São José, o Senado da Câmara(à esquerda) e a casa Paroquial. Por volta de 1761, o quadro era praticamente este que vemos na fotografia.

                  No dia 4 de fevereiro houve missa campal celebrada pelo bispo Miguel de Bulhões e concelebrada pelo Padre Miguel Ângelo de Morais. Encerrado o ato litúrgico o bispo do Grão-Pará assentou a pedra fundamental da Igreja de São José. A seguir, o Governador Mendonça Furtado convidou o Ouvidor Geral Pascoal Abranches Madeira Fernandes a conduzir o cerimonial que redundaria na declaração de elevação do povoado à categoria de vila, que o fez de maneira formal e marcante, a começar pela ereção do pelourinho, símbolo das franquias municipais. Em Portugal “o pelourinho era um pilar de pedra, de estilo burlesco, mas às vezes formoso. Servia de poste para o condenado receber açoites, como lugar de execução, do qual penduravam o criminoso, ou contra o qual se estrangulava e decapitava.” Na Amazônia bastava um grosseiro tronco de madeira com duas travas cruzadas no topo ou argolas. Aos romanos o denominavam pilori e o tinham como símbolo da autoridade e da justiça. O termo pilori evoluiu para pelouro, que era cada um dos ramos da administração de uma vila ou de uma cidade afeta aos vereadores da Câmara Municipal, onde se reuniam os vogais representantes do povo e entre eles o Juiz Ordinário e o Procurador. A franquia de que desfrutavam as vilas consistia na liberdade e direito de cobras impostos e ministrar a justiça em primeira instância. O vogal era o representante paritário da classe popular e tinha direito a voto. A direção da segunda vila a ser instalada por Mendonça Furtado foi exercida pelo Senado da Câmara, cujo prédio foi construído ao lado direito da Igreja, no espaço que hoje abriga a Biblioteca Estadual Elcy Rodrigues Lacerda.
Vista atual da Fortaleza de São José e do Parque do Forte. O visual mudou profundamente quanto a urbanização da área.

                  Pouco a pouco, a contar de 1761, as casas destinadas aos moradores da vila e os prédios públicos foram sendo construído em taipa-de-mão. A área inicialmente habitada era delimitada pelas ruas Formosa (Cândido Mendes) e da Campina (Tiradentes) e pelas Travessas do Lago (General Gurjão) e da Estrela (Presidente Vargas). Por trás da Igreja de São José, que sempre ficou de frente para a rua São José, passava a rua dos Inocentes, interligando  as travessas do Lago e da Estrela. O largo que demorava após a igreja também ficou rotulado pelo povo como Largo dos Inocentes. Com o passar do tempo, o quadrado compreendido entre a Rua São José, a rua da Campina e as Travessas do Lago e da Estrela tornou-se o ponto mais habitado de Macapá. O povo dizia que ali tinha tanta gente que mais parecia um formigueiro. A expansão no sentido do rio Amazonas ocorreu muito tempo depois. Neste dia 4 de fevereiro de 2012, comemoramos os 254 anos da elevação do povoado de Macapá à categoria de vila. Contando o tempo de povoado,  equivalente a 6 anos, 3 meses e 15 dias aproximadamente, Macapá alcança mais de 260 anos de existência.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

TROPAS DO PARÁ OCUPAM A GUIANA FRANCESA


      Nilson Montoril

Pintura em tela que retrata o desembarque corpo de fuzileiros-marinheiros, embrião dos fuzileiros navais do Brasil, em Caiena. Ao fundo, a fragata "Confianse" bombardeia posições francesas. No dia 14 de janeiro de 1809, ocorreu o batismo de fogo dos fuzileiros navais. A 31/7/1809, o 32º Grupo de Artilharia e Cajmpanha do Exército se transformu no Corpo de Artilharia da Corte. Os fuzileiros navais possuem atualmente o Grupamento Caiena em homenagem a campanha de 1809.

                        No dia 14 de janeiro de 1809, tropas brasileiras que haviam saído de Belém no dia 27 de outubro de 1808, composta por 751 homens, ocupavam a cidade de Caiena aprisionando as principais autoridades francesas, inclusive o governador Victor Hugues. Este feito é considerado o batismo de fogo do Corpo de Fuzileiros Navais, criado em Lisboa a 28 de agosto de 1787, e que chegou ao Brasil a 7 de março de 1808, seguindo a Família Real lusitana que fugira das tropas de Napoleão Bonaparte. A ordem para desencadear a operação bélica partiu do Príncipe Regente D. João, que então geria os negócios da Coroa, devido à demência de sua mãe, a rainha Maria I. A declaração de guerra à França ocorreu no dia 1º de maio de 1808, como represália portuguesa a atitude de Napoleão que mandou tropas francesas invadir Portugal. O contingente luso-brasileiro estava sob o comando do tenente-coronel Manoel Marques e foi organizado em Belém pelo tenente-general José Narciso de Magalhães e Menezes que, em 1808, era o governador do Pará. Na época a província estava com reduzida capacidade financeira, fato que levou o capitão-general a assinar uma subscrição que ele próprio iniciou doando seis contos de réis. O restante dos recursos destinados ao pagamento de uma tropa de voluntários foi obtido junto às pessoas de bons recursos que residiam na capital paraense. Não há registro quanto à importância arrecadada, mas ela foi bem expressiva. Além da constituição de uma força terrestre, os lideres da expedição mobilizaram uma frota naval integrada pela escuna “General Magalhães” com 12 peças de artilharia de pequeno calibre; pelos dos brigues “Leão”, “Vingança” “Ninfa” e “Narciso”, cada um com 8 peças; 2 cúteros com 8 peças cada; 3 barcaças canhoneiras; 1 sumaca; 1 lancha e 1 iate. A oito de outubro a expedição partiu de Belém com 400 soldados, aportando na Vila de Breves para embarcar mais  100 homens do 2º Regimento de Infantaria ali aquartelado. No dia 12 de novembro os expedicionários atingiram o Cabo Norte, onde encontraram a corveta “Confiance” da Marina Real Britânica que tinham saído do Rio de Janeiro acompanhada pelos cúteros “Voador” e “Infante D. Pedro”, ambos da Marinha Portuguesa, transportando cada um 18 fogos. Esta frotilha estava sob o comando do oficial inglês James Lucas Yeo e transportava mais de 300 fuzileiros-marinheiros luso-brasileiros.
James Lucas Yeo, oficial da Marinha Britânica que serviu aos interesses de Portugal na invasão da Guiana Francesa.Na época ele tinha 27 anos de idade e já acumulava bastante pretigio.Em 1809, possuia a patente de capitão e foi sagrado cavaleiro e recebeu a medalha de ouro da Ordem do Cavaleiro Companheiro do Banho. D. João lhe conferiu o titulo de Cavaleiro Comandante da Ordem de São Bento Português d"Avis. Morreu a 8/9/1817, aos 35 anos, de "debilidade geral" a bordo da fragata Samiramis quando retornava da Jamaica para Londres.Tinha a saúde precária em decorrência da malária


                           Na fragata “Confiance”, além da tripulação, viajavam 150 marinheiros ingleses. No dia 1º de dezembro, na foz do Rio Oiapoque, a expedição traçou o plano de ataque, realizando o primeiro embate no dia 15 às margens do Rio Aproak, onde aprisionou a escuna guianense “Petit Adele”. Dias mais tarde apressou a escuna “Creole”, logo incorporada à frota luso-brasileira com o nome de “Lusitânia”. No dia 6 de janeiro de 1809, cerca de 300 homens conquistaram o forte Diamante, edificado no Rio Maroni. Em seguida ocorreram as conquistas dos fortes “Dégrad des Cannes” (sete de janeiro) e Trió (oito de janeiro), ambos eretos na ilha de Caiena. A partir do dia 9, com o recuo dos franceses, teve inicio a marcha decisiva sobre a capital da Guiana. 
A fragata "Confiance" comandada por James Lucas Yeo era semelhante a fragata "Recherche" que nesta gravura aparece em primeiro plano. A outra fragata, que segue a a Recherche, tinha o nome de "Esperance".As duas embarcações integravam a frota da marinha francesa, em 1824. O poderio de fogo de cada uma delas era de 26 canhões de calibres diversos. As fragatas era navioes rápidos e elegantes com três mastros, sete velas e duas bujarronas

                             Como o governador Victor Hugues não aceitou a proposta de rendição apresentada pelos invasores, a invasão da possessão francesa tornou-se inadiável. Na tarde do dia 12 de janeiro de 1809, o governador Victor Hugues se rende e, em Bourgarde, assina a rendição. Caiena foi totalmente dominada no dia 14 de janeiro. Para governar a Colônia de Caiena e Guiana, o Príncipe D. João designou. João Severiano Maciel da Costa, nascido em Mariana, Minas Gerais e formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Antes de assumir a nova função, João Severiano ocupava o cargo de Desembargador do Paço, no Rio de Janeiro. 

Ilustre personagem que governou Caiene com muita competência. Era mineiro, naturam de Mariana, onde nasceu a 27/12/1769. Formou-se em  Direito na Universidade de Coimbra, em Portugal, retornando ao Brasil após a conclusão do curso. Em 1809, era Desembargador do Paço, no Rio de Janeiro quando recebeu a imcumbência de atuar como Intendente de Caiena. Cumpriu sua missão no período de 1809 a 1817. Depois foi Ministro do Império e do Estrangeiro.Faleceu no Rio de Janeiro em 19/11/1833, com 64 anos de idade.

                        Durante o período de 14 de janeiro de 1809 a 21 de novembro de 1817, ele governou Caiena desenvolvendo um belo trabalho. Por força do Tratado de Paris de 30 de maio de 1814, assinado pelas nações que derrotaram Napoleão Bonaparte, a Guiana Francesa deveria ser devolvida à França que então era governada pelo Rei Luiz XVIII. Os franceses pretendiam que a decisão fosse cumprida imediatamente, mas os portugueses só o fizeram a 21 de novembro de 1817. Para administrar a possessão na América do Sul, Luiz XVIII nomeou o conde de Claude Carra de Saint-Cyr, major-general da França e homem de sua extrema confiança.
Major-general Claude Carra, emérito oficial militar de imenso prestigio e glória na França.Em 1794, destacou-se como general da Revolução Francesa. Atuou na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, apoiando os norte-americanos e chegou a comandar tropas francesas em guerras revolucionárias e guerras napoleônicas. Apartou-se de Napoleão Bonaparte em 1813. Desde 1813, ostentava  o titulo de Grande Oficial da Legião de Honra. Foi sagrado Cavaleiro e Barão de Sainte Cyr, Conde e Cavaleiro de Saint Louiz, Barão do Império Frances. São tantos os seus méritos mlitares, que seu nome está gravado no Arco do Triunfo, em Paris. Governou a Guiana Francesa de 1817 a 1819, preparando-a militarmente para evitar que fosse novamente ocupada.

                              A força bélica mobilizada contra Caiena contava com um ótimo poderio militar. A escuna “General Magalhães” era a capitânea das tropas paraenses e tinha o tenente coronel Manoel Marques no comando. A fragata “Confiance” estava equipada com 26 canhões e havia sido tomada da marinha francesa pelo capitão James Yeo em 4 de junho de 1805. Naquela oportunidade ele comandava a fragata “Loire” e o apressamento se deu no porto de Muros, na Espanha. O brigue “Voador” viajava sob comando de José Antônio Salgado, e o brigue “Infante D. Pedro” tinha a comandá-lo Luiz da Cunha Moura. Os brigues “Vingança”, “Leão”, “Ninfa” e ‘Narciso” eram comandados pelo tenente Manoel Luiz de Melo). 

Brigue portugues do Século XVIII que ajudou a transportar a Familia Real Portugues para o Brasil em 1808. Embarcação que possuia dois mastros, sete velas, uma bujarrona e navegava com 18 peças de artilharia a bordo

Soldado da Real Brigada da Marinha Portugues. Trezentos combatentes deste corpo de combate integraram o contingente que participou da ocupação de Caiena.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

LARGO DOS INOCENTES


         Por Nilson Montoril

O estacionamento construido no centro do Largo dos Inocentes, com uma calçada central e as duas pistas que a ladeiam existe há pouco tempo. Na área funciona a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, alguns estabelecimentos comerciais e residências. Comentários que circulam nos noticiários policiais afirmam que ali está surgindo uma "cracolândia". Os consumidores de drogas estariam sendo atraidos por um bar que também possui quartos para aluguel. Se o Largo dos Inocentes tivesse sido tombado como sitio patrominial  sua utilização mudaria completamente.

                        O Largo dos Inocentes consta na planta da Vila de Macapá traçada em 1761. As casas dos moradores deveriam ser construídas nas suas duas laterais, após a Igreja de São José. A largura do logradouro correspondia ao trecho ocupado pelo templo e pelas duas travessas que o separavam da Casa Paroquial e do Senado da Câmara, respectivamente a Travessa de Santo Antônio e a Travessa do Espírito Santo. No ponto de fundo do largo, paralelo a igreja, ficava a última via pública da vila, que ostentava o nome do fundador de Belém do Pará, Capitão Francisco Caldeira Castelo Branco. Uma passagem, denominada anos mais tarde de Coronel José Serafim Gomes Coelho interligava o Largo dos Inocentes com a Rua General Gurjão e a Brás de Aguiar( Avenida Coriolano Finés Jucá), cortando a Travessa Floriano Peixoto( Avenida Presidente Getúlio Vargas). Ao lado esquerdo da Igreja de São José o espaço abrigaria a casa do vigário Miguel Ângelo de Moraes. No lado oposto foi construído o prédio do Senado da Câmara (atual Biblioteca Pública Elcy Lacerda). As casas que circundavam o Largo dos Inocentes tinham paredes barro (taipa de mão), assentadas em traçados de varas de taboca (bambu), atracadas a esteios de aquariquara. Não havia espaço entre uma casa e outra. De cada lado figuravam aproximadamente 15 casas. Ao longo da existência de Macapá, inúmeras famílias ocuparam as moradias. Em anos mais recentes, que antecederam a criação do Território do Amapá, famílias tradicionais ali se estabeleceram, entre elas: os Lino da Silva, os Tavares do Carmo, os Tavares de Almeida, os Serra e Silva, os Lino Ramos, os Tavares Gaia, os Lemos da Silva, os Mariano Picanço, os Gaias, os Praxedes de Mendonça, etc. O Largo dos Inocentes tinha então a maior concentração populacional de Macapá e as famílias mais numerosas, por isto dizia-se que o local parecia um formigueiro humano.

Cena tomada da Avenida Tiradentres mostrando o Largo do Formigueiro sem o estacionamento. Havia na área duas mangueiras. A que ficava em frente ao portão de acesso ao Pensionato São José foi cortada antes deste flagrante fotográfico. Consta que colocaram veneno no tronco da outra árvore porque sua copa ficava rente as janelas de alguns quartos e as pedras atiradas pelos moleques causavam prejuizos. A mangueira que hoje existe no largo foi transplantada do lado do Teatro das Bacabeiras pelo Luiz Cabral. Observe que, entre o prédio da Diocese e a Igreja de São José ainda não havia grades de ferro e o povo trafegava livremente pela Passagem Santo Antônio.Pelo lado direito da Igreja  o tráfego de veículos era feito normalmente. O campo de futebol da molecada perna de pau era entre a Igreja e a mangueira.
                        Em 1948, com a chegada dos Padres Italianos, a configuração do Largo dos Inocentes mudou. O trecho da Travessa José Serafim Gomes Coelho, entre o Largo e a Avenida Presidente Vargas (ex-Travessa Floriano Peixoto) foi fechado devido a ampliação da área que o Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras – PIME, que congrega padres italianos e ainda permanece entre nós, precisou para instalar o Oratório Festivo e Recreativo São Luiz. As casas edificadas entre a passagem e a casa do vigário foram desapropriadas. O domínio dos Padres ganhou cerca e virou “Quintal dos Padres”, local muito freqüentado pelas crianças da Paróquia de São José, inclusive por mim. Na área conquistada foram construídos: O Salão Paroquial Pio XII, a quadra polivalente de vôlei, basquete e futebol-de-salão, a Escola Paroquial São José, a sede da Juventude Operária Católica, a sede do Grupo de Escoteiros Católicos São Jorge, o Pensionato São José, a sede do Juventus Esporte Clube e o Cine Teatro João XXIII. No Salão Paroquial era celebrada a Santa Missa de Domingo, encenadas as peças teatrais dos meninos e das meninas e as exibições cinematográficas em máquinas de 16 milímetros. Depois da missa, os moleques ruins de bola jogavam futebol no Largo dos Inocentes, a despeito do solo ser duro e repleto de piçarra.

Na presente fotografia, tirada provavelmente num final de semana ou feriado não vemos veiculos estacionados nos espaços que lhes são reservados. O cenário está um pouco diferente na atualidade, persistindo os problemas causados por "biriteiros" e possiveis consumidores de substâncias tóxicas prejudiciais à saúde. O Oratório Festivo não existe mais. O Pensionato São José, prédio de quatro pavimentos à esquerda da foto, passa por reformas e terá outra destinação

                        O Largo dos Inocentes tem este nome por causa da Rua dos Inocentes que ligava a Rua do Lago (General Gurjão) e a atual Coriolano Jucá, que já teve a denominação de Braz de Aguiar e se estendia desde a Vila Santa Ingrácia até estradinha que dava acesso ao “campo de pouso de aviões” da cidade. Curioso é que, até hoje, alguns macapaenses não dizem aeroporto,mas areoporto No Largo dos Inocentes eram realizadas as festas em louvor a Nossa Senhora Menina, ao Menino Jesus e aos pequenos Mártires Inocentes do inicio do cristianismo. Os festejos destinados a São Raimundo Nonato, São Luiz Gonzaga, São Benedito, São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário aconteciam no interior da igreja. A parte litúrgica em louvor ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade também. Porém, desde o tempo em que o Padre Júlio Maria Lombaerd foi Vigário da Paróquia de São José, a parte profana ocorria no Largo de São João e foliões embriagados já não tinham acesso ao interior da igreja dançando e conduzindo as bandeiras das duas divindades patronas do folguedo. Bem definido pelo aludido sacerdote, com a aceitação dos católicos praticantes, o evento ganhou o titulo de Festa das Coroas, desdobrada em duas quadras: Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade. Os festeiros e os foliões do chamado Marabaixo não dispensavam costumeiras visitas ao Largo dos Inocentes, principalmente no período em que faziam o recolhimento dos donativos. Ainda assim, tinham que prestar contas ao Padre Júlio, afinal de contas não é ético e moral alguém colocar santo em esmola e se apropriar do dinheiro e bens arrecadados. O local já abrigou o Arraial de São José e Feira dos Agricultores.
                        Nos dias atuais, o Largo dos Inocentes está muito descaracterizado, mas continua a mexer com a imaginação de muita gente. Há até quem diga que naquele espaço existiu um cemitério. Outros dizem que era um cemitério só de crianças não batizadas, daí a termo inocente. Não me consta que no catolicismo as crianças pedem a inocência depois do batismo, já que o sacramento instituído por João Batista lhes é ministrado em tenra idade. No período em que presidi o Conselho Estadual de Cultura (2004 a 2010), foi gerado um processo visando o tombamento do Largo dos Inocentes, pelo seu valor histórico e etnográfico. Os governantes não lhe deram a atenção devida.