quarta-feira, 19 de junho de 2013

AS PRODUÇÕES CULTURAIS DE DONINHA BANHOS





                           AS PRODUÇÕES CULTURAIS DE DONINHA BANHOS

                                                                                                  Nilson Montoril
 
Honorina Banhos de Araújo ou simplesmente Doninha Banhos.  Foto de família artisticamente preparada que evidenciar a beleza de uma das maiores dançarinas e atrizes do Estado do Pará. Está sepultada no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Macapá.
                     Consagrada como bailarina em circos e teatros do Norte do Brasil, tendo inclusive participado de várias peças e musicais criados por Felix Roque, Honorina Cavalcante Banhos ainda é referência para quem deseja saber algo sobre artistas paraenses das décadas de 1940 e 1950, tempos memoráveis das festas de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém. Filha de Raimundo de Oliveira Banhos e de Honorina Cavalcante Banhos, nossa ilustre personagem nasceu na cidade de Belém a 10 de agosto de 1902. Félix Roque é considerado o revolucionista e renovador da Festa de Nossa Senhora de Nazaré entre 1940 e 1960, Teve a iniciativa de instalar o Palace Cassino em prédio edificado na então Avenida 15 de Agosto, hoje Presidente Vargas, na capital do Pará. Á época, o jogo era legalizado no Brasil e Felix Roque possuía a concessão para implorá-lo. No Palace Cassino eram encenadas peças teatrais famosas e números de dança, inclusive as relativas aos folguedos de época. Em 1940, Félix Roque instalou no local ocupado pela extinta Feira de Amostras do Pará, que depois abrigaria a Vila Leopoldina e a Rádio Marajoara, uma companhia teatral. Ali, em 1941,foi erguido o Teatro Coliseu, inaugurado pelo mais caro elenco de artistas do Brasil, figurando no mesmo Orlando Silva, o cantor das multidões, Jararaca e Ratinho, Manezinho Araújo, Augusto Calheiro e a cantora portuguesa Beatriz Costa. Nos anos seguintes estiveram em Belém, apresentando-se nos Teatros Coliseu, Moderno, Variedades, Poeira, Iracema e Odeon, os artista Saddi Cabral, Chocolate, Vicente Celestino e Gilda de Abreu, Aracy Cortez, Adelaide Chiozzo e Ankito. Honorina Banhos viveu esses momentos de glória e deles participou. 
Honorina Banhos de Araújo, a mais idosa dentre as pessoas que aparecem na presente fotografia residiu algum tempo na casa do filho Walter Banhos de Araújo. Ao seu lado, sentada no sofá, vemos a senhora Vitorina Gualberto da Rocha(vestido de bolinhas) era a mãe de Terezinha Gualberto Rocha de Araújo, esposa do senhor Walter Banhos. O casal teve 14 rebentos que identificamos a partir da esquerda da foto: Em pé - Ana Celi, Walter, Ana Izabel,Ana Soré, Mário Luiz,Ana Regina,Ana Tereza e Ana Maria. No sofá: Marco Antônio,Ana Débora(amparada pelo pai Walter Banhos), Ana Rita(de vestido branco),Ana Betânia(no colo de Vitorina),Ana Cristina(com a mão esquerda no queixo)e Ana Rosa.Dona Vitorina foi casada com Eduardo Moreira da Rocha e criou, além de seus filhos, a neta Zaide Soledade Silva. A foto foi cedida pela Socorro Silva,filha da Professora Zaide.

                       Casou com Elísio Araújo e com ele teve os filhos Mário Rocha de Araújo, Walter Banhos de Araújo, José Moacyr Banhos de Araújo e Affonso Banhos. Atraídos pela oferta de emprego que fazia o governo do recém criado Território Federal do Amapá, os jovens Walter e José Moacyr vieram para Macapá. Com formação em composição gráfica, eles conseguiram colocação no Jornal Amapá, órgão de comunicação social do governo territorial e passaram a trabalhar como tipógrafos. Mário Rocha permaneceu em Belém ligado as atividades musicais e dirigindo uma companhia cultural. A presença de Walter e José Moacyr em Macapá motivou Doninha Banhos a passar uma temporada na cidade, residindo com o filho Walter no nascedouro bairro do Trem. Embora não tenha participado diretamente da fundação do Trem Esporte Clube Beneficente a 1º de janeiro de 1947, Doninha Banhos integrou o Departamento Feminino da agremiação e colaborou intensamente com o clube rubro-negro na área social e artística, notadamente nessa última com a apresentação do cordão junino “Tem-Tem” e com o auto de Natal "As Pastorinhas”, encenado pelas meninas do grupo “Jovens Primaveras”.  A primeira apresentação do grupo pastoril “Jovens Primaveras” ocorreu no dia 24 de dezembro de 1947, quando a sede do Trem ainda era de madeira. Num palco relativamente rústico foi encenado o auto de Natal “As Pastorinhas”, que se constituiu em grande sucesso. Em 1948, no dia 25 de dezembro, a mesma peça voltou a ser exibida às 21 horas. Em 1949, atendendo a pedidos da população, o auto voltou a ser apresentado na véspera de Natal. No mês de junho,a partir de 1947, na véspera do dia de São João, Doninha Banhos brindava o público com o cordão de pássaro denominado “Tem-Tem”.Inspirou-se certamente no cordão surgido em Icoaraci que neste ano de 2013, completa 83 anos de existência. 
O cordão natalino "As Pastorinhas" destacando entre as alas azul e encarnado os personagens Fé, Esperança e Caridade.Doninha Banhos conhecia muito bem os motivos folclóricos das épocas junina e natalina. Sua presença em Macapá foi benéfica para tornar mais conhecida a tradição do pastoril de natal, antes só evidenciado em Mazagão Velho.

                 O auto de Natal “As Pastorinhas” foi introduzido no Brasil pelo Jesuítas no século XVI e corresponde a um bailado de origem portuguesa. O enredo principal é a visita que os pastores fizeram ao menino Jesus nascido em Belém. No caso das pastorinhas infantis participam meninas de 10 a 12 anos de idade. As Pastorinhas Juvenis têm de 15 anos para mais. Nos dois tipos as pastoras são divididas em duas filas paralelas: cordão azul e cordão encarnado ou vermelho.Sobresaem os personagens Fé, Esperança, Caridade,Cigana,Anjo, Diana, Simão,o velho,o pastorzinho Benjamim e o capeta Luzbel.
Passarinho Tem-Tem, também conhecido como Sebinho,Sebito, Caga-Cebo, Amarelinho e Guaratã guarda alguma semelhança com o ben-te-vi, até mesmo na valentia para defender seus filhos ou ovos. Inspirado nesse pássaro comum na região amazônica, o cidadão Manoel da Silva, que em 1930 residia em Icoaraci/Pará, fundou um cordão evidenciando o nome do passarinho. Neste ano de 2013, o cordão do Tem-Tem completa 83 anos de existência. O enredo desse cordão foi utilizado por Doninha Banhos, em Macapá, no dia 24 de junho de 1947, na sede do Trem Esporte Clube Beneficente e fez muito sucesso.
                       No Nordeste do Brasil também pode haver como personagens:Camponesa, Libertina, Linda Rosa, Lindo Cravo, Borboleta, Diana, Pastorzinho e Ciganas.No cordão de pássaro os brincantes ficas distribuídos no palco ou local da apresentação em meia lua. O pássaro é o personagem principal. O Tem-Tem é um passarinho parecido com o bem-te-vi, menor em tamanho e bico curvo,mas é valente à beça.
 
Erastos Gurgel Banhos, o famoso palhaço"Alecrim da Beira D'Água",possivelmente em ambiente familiar. Ele se destacou nas décadas de 1960 a 1980, conforme informações de Jonas Banhos, seu filho, de cujo blog copiamos a presente fotografia.
                Doninha Banhos era irmã de Erastos Gurgel Banhos, o famoso palhaço “Alecrim da Beira D’Água” nascido em Belém em 1919, que tanto divertiu as crianças que compareciam ao auditório da Rádio Marajoara, aos circos e teatros da capital paraense. Alecrim sempre se apresentava na companhia da palhaça Alfazema. Os filhos de Doninha Banhos, Walter e José Moacyr tocavam violão com louvável tirocínio e fizeram parte do conjunto “Regional E 2” pertencente à Rádio Difusora de Macapá. Walter gerenciou vários cinemas de Macapá e José Moacyr destacou-se como jornalista e radialista. Os últimos anos da vida de Doninha Banhos foram passados em Macapá, onde ela faleceu às 22h30min, do dia 17 de junho de 1978, vitima de Infarto Agudo do Miocárdio. Contava 76 anos de idade.
Integrantes do cordão junino Tem-Tem,de Icoaraci, dispostos em meia lua para desenvolver o enredo do teatro popular. Ao centro, um personagem representa o pássaro Tem-Tem vestindo uma belíssima e estilizada fantasia. Após o falecimento do senhor Manoel da Silva, o fundador do cordão, os brincantes do Tem-Tem se apresentam sob a coordenação do senhor João Ramos.





                        

quarta-feira, 5 de junho de 2013

ARISTIDES PIRÓVANO,1º BISPO DE MACAPÁ




                         ARISTIDES PIRÓVANO, 1º BISPO DE MACAPÁ

                                                                                   Nilson Montoril
 
A fotografia em tela mostra o Governador Janary Gentil Nunes ao lado de Dom Aristides Piróvano. O flagrante foi colhido na pista do primeiro aeroporto da cidade de Macapá instalado em área delimitada pelas Avenidas FAB e Raimundo Álvares da Costa e Ruas General Rondon e Professor José Barroso Tostes.
                        Dia 27 de maio de 1956, em clima de muita festa, a grande família católica da cidade de Macapá presenciou a posse de Dom Aristides Piróvano como Bispo Prelado. A cerimônia foi realizada na igreja matriz de São José, que se apresentava ornada de flores e repleta de fieis. Até a data em referência, Dom Aristides atuava como Administrador Apostólico do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras-PIME, no Amapá e coordenou com invulgar denodo a implantação do trabalho missionário da aludida sociedade italiana em nossa terra. As paróquias então existentes no Território Federal do Amapá até esta data integraram a Prelazia de Santarém. Aristides Piróvano chegou a Macapá no dia 29 de maio de 1948, revestido da função de Superior local dos Padres do PIME. Desembarcou no aeroporto da Panair do Brasil acompanhando o padre Arcângelo Cérqua e Dom Anselmo Pietrula, Bispo Prelado de Santarém. Os ilustres religiosos foram hóspedes do Governador do Território, Capitão Janary Gentil Nunes e ficaram alojados na residência governamental. Encontravam-se em Macapá, prestes a deixar a cidade, os padres Antônio Schulte e João Lentnerz da Congregação da Sagrada Família. 
Dom Giuseppe Maritano nasceu na Itália a 18 de março de 1915 e foi nomeado para o cargo de Bispo Prelado de Macapá no dia 30 de dezembro de 1965. Sua posse ocorreu a 19 de março de 1966, dia de São José, Padroeiro de Macapá.No decorrer de sua gestão a Prelazia de Macapá foi transformada em Diocese.Tomou posse como Bispo Diocesano no dia 31 de agosto de 1983.

A instituição religiosa a qual pertenceu o Padre Júlio Maria Lombaerd estava se retirando do Amapá devido à falta de membros disponíveis para substituí-los. Na manhã do dia 30 de maio, Dom Anselmo Pietrula celebrou a Santa Missa na Igreja de São José, coadjuvado pelo Padre Arcângelo Cérqua e acompanhado pelo coro das professoras. Depois da leitura do Evangelho falou o Bispo Prelado de Santarém, que agradeceu a dedicação dos sacerdotes da Sagrada Família e deu posse no cargo de Vigário de Macapá ao Padre Arcângelo. Entre as autoridades presentes destacavam-se o governador Janary Nunes, o Prefeito Cláudio Carvalho do Nascimento, diretores de repartições públicas, membros do Judiciário. Aristides Piróvano nasceu em Erba, Província de Como e Arquidiocese de Milão, no dia 22 de fevereiro de 1915. Foi ordenado padre a 20 de dezembro de 1941. No decorrer da II Guerra Mundial integrou o grupo “partigrami” que se dedicava a salvar vidas e ajudar os injustiçados. Graças a sua coragem evitou que um grupo de revolucionários fosse fuzilado pelos nazistas. Sua nomeação para o cargo de Bispo Prelado de Macapá saiu no dia 21 de julho de 1955, mas a posse só aconteceu a 27 de maio de 1956. A Prelazia de Macapá foi criada no dia 1º de fevereiro de 1949, mas a comunicação desse feito só chegou ao conhecimento do Padre Aristides no dia 12, através de telegrama passado de Belém por Dom Mário Miranda Villas Boas. No dia 13, que caiu num domingo, Dom Aristides celebrou Missa e comunicou ao povo católico o grande acontecimento. 

O mineiro Dom Vicente Joaquim Zico, atualmente com 86 anos de idade, assumiu interinamente a Diocese de Macapá após a renúncia de Dom José Maritano e permaneceu no cargo, acumulando-o com o de Arcebispo de Belém até a posse do paulista Luiz  Soares Vieira.

Ao meio dia os sinos da Igreja de São José repicaram demoradamente e os seculares canhões da Fortaleza voltaram a troar, da mesma forma como faziam por ocasião da passagem de importantes festas cívicas e de devoção. Ao ser criada, a Prelazia de Macapá tinha quatro Paróquias canonicamente constituídas: São José, na cidade de Macapá;Nossa Senhora da Assunção, em Mazagão Velho, Divino Espírito Santo, na cidade de Amapá e Nossa Senhora da Conceição, na Vila e Ilha do Bailique.Quanto a religiosos havia 13 padres e um irmão leigo. Na fase Prelazia de Macapá tivemos os Bispos Aristides Piróvano e José Maritano.
Dom Luiz Soares Vieira recebeu a Diocese de Macapá das mãos do Arcebispo de Belém, Dom Vicente  Zico. Atualmente ele se encontra ocupando o importante cargo de Arcebispo de Manaus.

 A Diocese de Macapá data de 30 de outubro de 1980, criada pelo Papa João Paulo II. Nessa fase contamos com os Bispos José Maritano, que renunciou e foi substituído provisoriamente por Vicente Joaquim Zico, Luiz Soares Vieira, atualmente Arcebispo de Manaus, João Rizzati, falecido na Itália e Carlos Verzelete, que o substituiu até a chegada do atual Bispo Diocesano Dom Pedro José Conti. Dom Aristides Piróvano ainda foi eleito Superior Geral do PIME, fato que o levou a renunciar o cargo de Bispo Prelado de Macapá a 27 de março de 1965. Também atuou com Capelão Auxiliar na Colônia de Hansenianos de Marituba a partir de 1978.

Dom João Risatti falando aos comunicadores do Amapá durante um encontro promovido pela  Pastoral da Comunicação da Diocese de Macapá. Foto rara extraída de um jornal.
Dom Aristides Piróvano foi exemplar na realização de seu meritório trabalho à frente da Igreja Católica no Território Federal do Amapá. Sempre agiu com firmeza e sua liderança nunca foi contestada. Quando ele chegou a Macapá havia apenas a Paróquia de São José e os bairros do Laguinho, Trem, Favela e Perpétuo Socorro estavam sendo instalados. Os padres do PIME que atuavam em Macapá usavam bicicletas trazidas da Itália. Os sacerdotes que trabalhavam nas demais sedes municipais e distritos interioranos se valiam de motocicletas. Posteriormente a Prelazia de Macapá passou a contar com a utilização de um caminhão Mercedes Benz e outras viaturas menores. 

Dom Carlos Verzeletti, que completará 63 anos no vindouro dia  8 de setembro de 2013 é o primeiro Bispo Diocesano de Castanhal. A Diocese de Castanhal foi criada no dia 29 de dezembro de 2004. Dom Carlos Verzeletti substituiu interinamente a Dom João Risatti que faleceu na Itália enquanto visitava seus familiares.

Apreciador dos esportes, principalmente do futebol, Dom Aristides Piróvano deu total apoio as atividades dos Oratórios que foram implantados nas paróquias do Amapá, notadamente nas Paróquias de São José, onde surgiu o Juventus Esporte Clube e Nossa Senhora da Conceição, berço do Ypiranga Clube. Em 1949, o Pontificio Instituto das Missões Estrangeiras-PIME, assumiu os destinos da Igreja Católica no Amapá. No dia 29 haviam chegado a Macapá os Padres Aristides e Arcângelo Cerqua. Dia 15 de junho desembarcavam no aeroporto da Panair do Brasil, como passageiros do Correio Aéreo Nacional-CAN, os sacerdotes Vitório Galliani e Ângelo Bubani. Dia 25 de junho, a bordo da Lancha Amapá cegavam os padres Lino Simonelli,Jorge Basile, Luiz Viganó, Carlos Bassanini e Mário Limonta. Dia 15 de dezembro, em avião do CAN, chegam os padres Simão Corridori e Ângelo Negri. Dia 18 de dezembro desembarcam em Macapá os padres Antônio Cocco e Pedro Locati. O irmão leigo Francisco Mazollene havia chegado dia 17 de julho de 1949.

Dom Pedro José Conti é o atual Bispo Diocesano de Macapá
A dedicação de Aristides Piróvano só não foi maior devido a alguns problemas de saúde que o fustigavam, principalmente nos rins. Aliás, quem via a compleição física de Aristides Piróvano o julgava incapaz de levar a contento seu mister. Entretanto, a despeito de alguns contratempos nosso primeiro bispo demonstrava possuir uma capacidade enorme para superá-los. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A MORTE DO ESCOTEIRO PADRE




                          A MORTE DO ESCOTEIRO “PADRE”

                          Nilson Montoril
 
Cachoeira do Paredão, no Rio Araguari,com um desnível de 9 metros e um potencial hidráulico de 180.000 HP.
                        Em julho de 1957, integrantes do Grupo de Escoteiros Católicos São Jorge realizaram um passeio à área onde estava situada a cachoeira Paredão, cujo potencial hídrico já havia sido previamente estudado e deveria favorecer a construção de uma hidrelétrica. Essa pretensão do Território Federal do Amapá possuir uma hidrelétrica fora evidenciada quando, em 1945, o governo federal iniciou uma série de debates com a Hana Corporation, empresa norte-americana interessada na exploração do ferro do Rio Vila Nova. O ferro extraído não seria mandado para fora do Amapá e uma siderúrgica o beneficiaria. Em 2 de março de 1956, foi publicada a Lei nº 2.740, decorrente de um projeto de lei que o Deputado Federal pelo Amapá, Coaracy Monteiro Nunes tinha apresentado na Câmara Federal autorizando a criação da Companhia de Eletricidade do Amapá. Á época do passeio dos escoteiros os trabalhos preliminares para a realização da grande obra já estavam em andamento, mas tudo ainda era inóspito. Na organização do “acampamento” estavam os chefes escoteiros Expedito Cunha Ferro, o popular “91”, Humberto Álvaro Dias Santos e o Padre Ângelo Biragui, então orientador espiritual dos jovens escoteiros e vigário da Paróquia São José. 
Patrulha Tucunaré: Os três primeiros moleques que vemos na fotografia, junto a uma pedra, são os escoteiros José Marques Picanço (curupira), José Ribamar Carvalho (Baé) e Nilson Montoril de Araújo (changai). Entre o Ribamar e o Nilson  aparece o Dinaldo e um pouco mais atrás o Mamede(cabeça no saco). Encoberto pelo Nilson há um garoto que não consegui identificar.No outro plano, quase de costa, escorado numa pedra, identifiquei o Edson Piloto(cabeça chata).Depois vemos o Ranulfo, Reginaldo Café (salazar), Beiço de Burro, Nonato, Pedroca e o chefe Expedito Cunha Ferro(91).Por trás do Zé Marques só aparecem as pernas um garoto.Um outro escoteiro é visto ao lado do Dinaldo.Há 15 pessoas nesta fotografia.

A região cortada pelo Rio Araguary era muito aprazível e praticamente intocada. Caça havia em abundância e podia ser vista no meio da estrada de chão que ligava Macapá ao canteiro de obras pro edificação da usina. Presidia a Companhia de Eletricidade do Amapá o senhor Tupy Correa Porto e o Diretor Gerente era o odontólogo Amiraldo Elleres Nune, primo do governador Janary Gentil Nunes, que também era entusiasta pelo escotismo. Nossa viagem até o Paredão ocorreu em um caminhão cedido pela CEA e nos deixou relativamente apreensivos devido ao traçado bastante irregular da estrada, onde prontificavam subidas e descidas abruptas. Partimos antes do alvorecer e todo mundo ia acomodado debaixo do encerado locomotiva do caminhão e bem abrigados do frio. 

Patrulha Aruanã: José de Souza Penafort (macaco), Olivar Pereira Bezerra (português), Padre Ângelo Biragui, José Raimundo Tavares (Bilipão), Antônio Pereira (padre,marcado com uma cruz), Estanislau de Araújo Coutinho (Estandico ou acari bodó,com casquete na cabeça), Zildekias Alves de Araújo, Ernesto Dias Neto (filé) e Jefferson Luiz Santana (Iso).

No canteiro de obras ocupamos uma casa que servia de escola, mas que se encontrava vazia em virtude das férias escolares. No primeiro dia do acampamento procedemos a hasteamento da bandeira nacional, tomamos café com pão torrado, leite, queijo e manteiga que eram mandados para o Brasil, pelos Estados Unidos da América, através da “Campanha Eliança Para o Progresso”. O contingente era formado por pioneiros, escoteiros e lobinhos e não excedia a 30 indivíduos. Após o café o chefe Humberto Dias dividiu o grupo em duas patrulhas: Tucunaré e Aruanã. A patrulha Tucunaré, da qual eu fazia parte teve o privilégio de ser a primeira a chegar bem perto da cachoeira Paredão e fez isso com redobrados cuidados sob as orientações do chefe 91. Para evitar que algum moleque afoito tentasse nadar no remanso formado pelas águas que desciam da queda d’água, o chefe 91 escolheu um local por onde descia um pequeno volume de água, formando um córrego estreito e raso. Os pioneiros e escoteiros mais velhos se instalaram a cerca de 2 metros da foz desse córrego e barravam qualquer tentativa de aventura dos mais afoitos. Passamos a manhã tomando banho e percorrendo locais com águas represadas em busca de peixes para o jantar. Na manhã do segundo dia foi a vez da “Patrulha Aruanã” conhecer o local que tinha sido batizado de “Recanto Encantado”.

Em novembro de 1960, já se encontravam em Macapá os primeiros técnicos da Techint, empresa ítalo-brasileira, para a instalação do Canteiro de Obras e inicio da construção da Usina Pilôto da hidrelétrica Coaracy Nunes.  A contar de 1962,  foi preparado o "Parque Recreio", um lugar tranquilo para as reuniões de congraçamento e recreação do pessoal envolvido no execução dos trabalhos da usina.

 A “Patrulha Tucunaré” recebeu o encargo de preparar o almoço, carregar água, coletar lenha e limpar a área do acampamento e a escola. As mesmas atividades que a “Patrulha Aruanã” tinha realizado no dia anterior. Por volta das 10h30min horas, do alto da colina onde estava edificada a escola, observamos que os componentes da Patrulha Aruanã estava voltando ao acampamento e muitos choravam copiosamente. Indagamos o que havia acontecido e recebemos como resposta a notícia de que o "Padre havia morrido afogado", mas seu corpo estava desaparecido. De imediato pensamos que o afogado fosse o Padre Ângelo Biragui. Entre os que tinham permanecido no acampamento encontrava-se o José Pereira, jovem muito prestativo, que derrepente parou de brincar e ficou olhado para os escoteiros retirantes, certamente procurando localizar seu irmão Antônio Pereira, exatamente o menino que tinha morrido. Sem vê-lo, José deduziu que a vitima fatal era o Antônio, cujo apelido no Oratório São Luiz era padre. Chorando muito se retirou para o local onde estava atada sua rede e ali permaneceu sem procurar saber detalhes do acontecido. Antônio Padre era muito irrequieto e excelente jogador de petecas. Disputar uma partida com ele era certeza de que ficaria de mãos vazia.
 
Casas da vila residencial construída na área da cachoeira do Paredão. Posteriormente este panorama mudou bastante.
                        Enquanto trabalhadores do canteiro de obras tentavam localizar o corpo do Antônio, os escoteiros se mantinham em silêncio e acomodados. O Antônio não sabia nadar,mas simulava fazê-lo usando as mãos que tocavam no fundo do córrego para impulsionar seu corpo. Fez isso inúmeras vezes até descuidar-se e passar do marco fincado na areia visualizando o ponto que não deveria ser ultrapassado por ninguém. Escoteiros experientes, acostumados a nadar no canal de Santana se atiraram atrás do Antônio,mas a força d'água era descomunal. Uma coisa intrigante aconteceu no afogamento do "Antônio Padre": ele sentou de uma só vez, certamente puxado para o fundo do rio pelo redemoinho que existia no local. As buscas foram feitas até as 18 horas e suspensas para reiniciar no dia seguinte. Por volta das 19 horas, com todo o material de acampamento e nossos objetos pessoais arrumados, embarcamos no caminhão e rumamos para Macapá. Perto das 22 horas o caminhão adentrou no quintal da Prelazia de Macapá e nos recebemos ordens para nos alojarmos no Salão Paroquial Pio XII, um barracão onde eram realizadas atividades religiosas, projeção de filmes e encenações de peças teatrais. 

Todos deveriam permanecer em silêncio e só deixar o barracão depois que o chefe Humberto Santos fosse à casa do senhor Raimundo Pereira cientificá-lo sobre a morte do filho. Entretanto, alguns meninos não obedeceram à ordem recebida, abandonaram o barracão e foram espalhando a macabra noticia a seus vizinhos, entre eles o seu Raimundo. O corpo do Antônio Pereira só foi encontrado uma semana após o sinistro. Mergulhadores o localizaram preso a uma pedra no fundo do rio Araguary, ali mantido pela força descomunal da água que descia da cachoeira. Em adiantado estado de decomposição e bastante danificado pelos peixes e pelo atrito contra as pedras submersas, o que restou foi sepultado no cemitério da vila de Ferreira Gomes. Em 1960, seus despojos foram trazidos para o cemitério Nossa Senhora da Conceição e enterrado ao lado dos seis escoteiros que morreram afogados no Rio Amapari, em Serra do Navio, quando uma ponte pênsil da ICOMI desabou.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

PROGRAMA BOM DIA AMAPÁ





                                               PROGRAMA BOM DIA AMAPÁ

                                                                              Nilson Montoril

Em 25 de julho de 1987,tive a grata surpresa de encontrar em Mazagão Velho o Embaixador do Marrocos no Brasil, Mohammed Nabir Messarri que me concedeu uma entrevista  e gravou um depoimento para um vídeo da Cavalhada de São Tiago que fiz para a Secretaria de Educação e Cultura usando equipamentos da TV Amapá .Falando  português razoavelmente e acompanhando as encenações dos cavalarianos, o embaixador achou tudo muito interessante,mas relativamente fantasioso em relação aos embates travados entre cristãos e mouros. Essa imagem que ilustra o artigo eu captei da tela de uma televisão, haja vista que a gravação foi feita em fita de vídeo e ainda  precisa ser transferida para um CD. O embaixador do Marrocos tinha vindo ao Amapá atendendo convite do governador Jorge Nova da Costa.
                        Em 1986, quando o Luiz Melo exercia o cargo de Diretor da TV Amapá, a Rede Amazônica de Televisão decidiu incluir na programação local da emissora o programa “Bom Dia Amapá”. Em meados de outubro, numa deferência especial do Melo fui convidado para apresentá-lo. Ele solicitou que eu escolhesse uma importante data histórica para o lançamento do programa e eu indiquei o dia 1º de dezembro, quando decorreriam 86 anos do Laudo Arbitral de Berna que reconheceu os direitos do Brasil sobre as terras compreendidas entras a margem esquerda do Rio Araguary e a margem direita do Rio Oiapoque, região que os franceses cobiçavam e diziam lhes pertencer. Aos sábados, quando reuníamos na casa do Luiz Melo, volta e meia trocavamos idéias quanto à estrutura e condução do programa. Ficou decidido que o repórter seria o Evandro Luiz que havia encerrado no Rio de Janeiro o curso de Comunicação Social. No dia 1º de dezembro, uma 2ª feira, estando em vigor o horário de verão, um clima de muita expectativa dominava o prédio da TV Amapá, já edificado à Av. Diógenes Silva, mas o Luiz Melo sabia que eu não iria decepcioná-lo. No velho estúdio da TV Amapá, sob o foco de uma câmera muito simples, operada pelo Júlio Duarte, com supervisão do Damião Jucá, havia uma mesa bem arrumada, destacando-se sobre ela um telefone vermelho, um vaso de flores e uma agenda. Na época não havia o teleponto que tanto facilita a atuação dos atuais apresentadores de programas jornalísticos. Muito tranqüilo fiz valer a minha experiência de 24 anos de rádio. O tempo do programa ficou assim distribuído: 40 segundos para informações gerais; 30 seg. para discorrer sobre o Laudo Suíço; 20 seg. para comentários sobre a imigração no Brasil; 15 seg. para outros fatos históricos; 50 seg. para as notícias mais importantes; 8 minutos para a 1ª entrevista; 7’ para a segunda e 5’ para a entrevista sobre o Laudo Suíço. Nas informações gerais falei a respeito do tempo, aeroporto, maré, balsas, registros policiais, fase da lua, bombeiros, santos do dia e pronto socorro. Ao falar sobre a migração me reportei aos portugueses, açorianos, italianos, alemães e japoneses.
Nessa fotografia onde aparecem Luiz Melo, João Silva e Nilson Montoril foi tirada no quintal da residência do Luiz Melo, em outubro de 1986. Na época, costumávamos reunir para trocar idéias e saborear alguns petiscos. Nessa ocasião já tratávamos do lançamento do programa Bom Dia Amapá.

Esses últimos aqui chegaram em 1953 e 1954, e muitos dos seus descendentes ainda vivem em Macapá e na antiga Colônia Agrícola do Matapi. Os açorianos iniciaram a colonização de Macapá a partir de novembro de 1751. Recordei duas datas relativas à 1º de dezembro: a inauguração da Escola Industrial de Macapá (1949) e o falcimento da Profª Deusolina Sales Farias (1973). Entre as noticias destaquei a falta de carne, aves, macaxeira, cará, batata doce e farinha, esclarecendo que a ausência de assistência aos agricultores estava prejudicando a vinda deles á capital para venderem seus produtos. As duas entrevistas foram gravadas. A primeira contou com a participação do Governador Jorge Nova da Costa e foi conduzida pelo jornalista Antônio Correa Neto. A segunda, realizada pelo Jota Ney, teve o Prefeito Raimundo Azevedo Costa como entrevistado. Antes de ouvir o Prof. Dagoberto Damasceno Costa, que falaria a respeito da decisão arbitral da Confederação Helvética fiz o seguinte comentário: “E a cidade está ficando cada vez mais sujeita a falta d’água.Formalmente não conhecemos qualquer projeto da CAESA que possa resolver o problema.A estação de captação e tratamento construída e inaugurada no governo do general Ivanhoé Gonçalves Martins, conta com cerca de 16 anos de funcionamento e não passou por nenhuma ampliação de vulto. Técnicos que entendem do assunto afirmam que a saída mais racional seria a construção de uma nova adutora e de elevatórios em áreas da cidade onde a tendência de crescimento populacional é patente. A redação do Bom Dia Amapá tentou trazer ao programa o presidente ou o diretor técnico da companhia,mas ambos estão fora do Território.O assunto fica agendado para ser abordado em outra ocasião”. A entrevista que fiz com o Prof. De História Dagoberto Damasceno, então chefe da Seção do Patrimônio e Arquivo Histórico do Amapá não excedeu a 5 minutos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

DISPENSÁRIO DOS TUBERCULOSOS





                           DISPENSÁRIO DOS TUBERCULOSOS

                                                                     Nilson Montoril

Nessa fotografia vemos o Hospital Geral de Macapá, ainda com dois pavimentos, a Maternidade e,ao fundo, o Dispensário dos Tuberculosos. Na frente do HGM havia uma simples pracinha e arborização feita com jambeiros. Na área em primeiro plano, que atualmente abriga a direção da Secretaria de Saúde só prevalecia um gramado.Note que o Dispensário dos Tuberculosos era isolado.Também restrito aos doentes e profissionais da saúde. Nos dias de visita, as crianças não tinham contato pessoal com os doentes. Os pais só viam seus filhos de longe.Atualmente o prédio ainda existe.
                        A tuberculose pulmonar, infecção causada por um microorganismo chamado Mycobaterium tuberculosis ou bacilo de Koch ocorre em todo o mundo, sendo mais comum nos países pobres, promíscuos, desnutridos, má condição de higiene e saúde pública deficiente. As maiores incidências são registradas na Índia, China, Indonésia, Bangladesh, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Congo, Rússia e Brasil. A Organização Mundial da Saúde calcula a existência de oito milhões de novos casos. Antigamente a tuberculose era chamada peste cinzenta, tísica pulmonar ou doença do peito. Também foi denominada de peste branca devido à palidez da pele contratando com a cor rósea dos pômulos durante o acesso febril. A tuberculose aparece entre os dez maiores problemas de saúde pública em relação à morbidade tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. No tocante à mortalidade, a tuberculose fica entre a 1ª e a 3ª causa entre as doenças transmissíveis nos países desenvolvidos. Estima-se que ela exista há mais de 50 mil anos. No século V antes de Cristo, Hipócrates se referiu à tuberculose afirmando no livro Epidemias I, em detalhes: “Não conheço um só caso que tivesse de permanecer no leito e que sobrevivesse por algum tempo”. Areteu, que viveu em Roma de 81 a 138 depois de Cristo, também descreveu a doença, deixando evidente que ela era freqüente no Império Romano. A primeira descrição do termo tuberculose ou parênquima pulmonar se deve a Francisco La Boe em 1679. A doença só começou a declinar depois que Villemin constatou sua contagiosidade em 1868, de Thomaz Koch ter identificado o Mycobacterium tuberculosis em 1882 e Waksman haver descoberto o antibiótico com ação sobre o bacilo, a estreptomicina em 1944. O tratamento inicial da tuberculose pulmonar chama-se RHZ com rifampicana(R), isoniazida(H) e pirazinamida(Z), dura seis meses e pode alcançar até 100% de cura. O diagnóstico é feito a partir da abreugrafia, baciloscopia do escarro e PPD.

O cartaz acima ilustra como o doente de tuberculose expele o bacilo de Koch após uma crise de tosse. O risco de contaminação de uma pessoa sadia é muito grande se ela estiver perto do tisico. O contágio ocorre quando uma pessoa aspira o bacilo que se propaga pelo art opu quando goticulas o atingem.

 O primeiro forte sinal de que alguém pode estar contaminado é uma tosse forte e impertinente que causa muito sofrimento ao doente e transtornos aos que se encontram a seu lado. A tísica, portanto, se deve a uma ulceração do pulmão e costuma apresentar-se depois de uma tosse prolongada ou hemoptise, febre continua, principalmente à noite. Também se fez uso do termo consunção como identificatório da doença. Graças ao biólogo frances Albert Calmette, que viveu entre 1863 a 1933, o tratamento da tuberculose passou a contar com a eficiente vacina BCG. Foi iniciativa sua a fundação do primeiro dispensário antituberculose na França. O dispensário corresponde a um estabelecimento de beneficência destinado ao tratamento gratuito de enfermos pobres e serve para dar-lhes a assistência devida. O paciente era apartado da família porque se acreditava que a simples convivência de uma pessoa sadia com um tísico a levaria a contrair o mal. Isso não deixa de ser verdade, desde que a pessoa sã não tome os devidos cuidados e faça regularmente exames clínicos. Atualmente sabe-se que a tuberculose não se contrai pelo sexo ou pelo sangue contaminado. Por isso, já não é tão necessário separar copo, prato, talheres ou outros utensílios de uso comum no seio de uma família. A tuberculose atinge os pulmões, as meninges, ossos, rins, coração e outros órgãos. Só a tuberculose pulmonar é transmitida de uma pessoa que tenha o bacilo de Koch a outra. Isso ocorre quando o doente tosse e espirra eliminando o bacilo e através do ar ele é aspirado por quem não possui o mal.
A mensagem contida no cartaz diz: "Tosse há mais de 2 semanas pode ser tuberculose. Faça o exame de escarro." Aliás, não apenas o individua acometido de tosse braba deve realizar o exame. Seus familiares também precisam ter precaução.

 A palavra tísica usada antes da prevalência do termo tuberculose é uma das mais antigas da medicina. Provem do grego phthsis e deriva do verbo phthiso, com o sentido de decair, consumir, definhar. A doença é milenar ou mesmo da pré-história, tendo sido identificada em múmias egípcias datadas de mais de 3.000 anos. Múmias da dinastia de Ramsés, no Egito, apresentam tuberculose óssea, notadamente na coluna vertebral. O médico grego Cláudio Galeno, na Itália, dizia que a doença era incurável e aconselhava isolar os enfermos. Recomendava repouso, ar puro e boa alimentação. No Brasil, os dispensários tornaram-se bastante comuns entre as capitais do Brasil a partir do inicio do século XIX. Entretanto, o combate à tuberculose foi iniciado no país pela Liga Brasileira Contra a Tuberculose, fundada no Rio de Janeiro no dia 4 de agosto de 1900. Era uma instituição filantrópica destinada a prestar assistência médico-social aos doentes de tuberculose e disseminar informações sobre a doença.

Doentes iguais ao paciente que aparece nessa fotografia eu vi bastante na Macapá das décadas de 1950 e 1960. Alguns precisavam trabalhar para promover o sustento da familia e por isso evitavam se submeter a exames médicos. Quando eles eram fustigados pela intensa tosse, própria dos tisicos, tinha-se a impressão de que, a qualquer momento, poderiam morrer ou ter um ataque de hemoptise. Se o cabeça de casal fosse internado, o governo territorial prestava ajuda à sua família. Diversos tisicos não perdiam o pernicioso hábito de fumar e beber, o que complicava ainda mais seu drama.
 No dia 26 de janeiro de 1902, essa instituição criou seu primeiro dispensário, cuja inauguração aconteceu em 1907. Depois dela, outras Ligas Contra a Tuberculose surgiram e foram muito importantes, notadamente a partir de 1927, ano em que foi instituída no Brasil a vacinação BCG. Outros órgãos como a Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose (1920), Serviço Nacional de Tuberculose (1940) e Campanha Nacional Contra a Tuberculose (1946) também atuaram para erradicar a doença. Quando o governo do Território Federal do Amapá pleiteou recursos federais para construir o Hospital Geral de Macapá, fez incluir no projeto uma maternidade, uma unidade de atendimento materno infantil e um dispensário dos tuberculosos. Tratava-se na verdade de um complexo hospitalar que ainda hoje serve de base para as ações de saúde pública desenvolvidas na capital do Estado do Amapá. O prédio destinado ao Dispensário dos Tuberculosos tinha a frente para a Rua Jovino Albuquerque Dinoá e fundo para a área interna do HGM. Na época de sua inauguração não havia tráfego de veículos além da atual Avenida Duque de Caxias, então um singular caminho. Os doentes eram internados por seis meses e submetidos a rigoroso tratamento. Os tuberculosos cujo estágio da doença merecia tratamento mais especializado eram mandados para o Hospital dos Servidores Públicos na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República dos Estados Unidos do Brasil.

 Antes da inauguração do Hospital Geral de Macapá, as ações de saúde pública do governo territorial eram realizadas pela Unidade Mista de Saúde instalada em um velho casarão erguido onde hoje está o prédio da Biblioteca Elcy Rodrigues Lacerda. Lembro de várias pessoas que tinham tuberculose e passaram por tratamento em Macapá e no Rio de Janeiro. A maioria era bem carente, corpo franzino, tosse perturbadora e cansaço intenso. Vários doentes vieram da região da Ilhas do Pará, onde viviam sem qualquer assistência médica e entregues à própria sorte. Tísicos de Macapá residiam em casas humildes, desprovidas do conforto e higiene mínima necessária. As habitações eram quase todas de taipa, geminadas, cobertas de palha de ubuçu, sem janelas laterais e piso de terra batida. Raros eram os citadinos que usavam tamancos, alpercatas ou chinelos de borracha. Eu e meus amigos de infância convivíamos com os filhos dos doentes e eramos orientados a não ficar perto do tísico quando ele estivesse tossindo ou espirando. Também não deveríamos tomar água no único copo ou caneco que a família usava e ficava sempre perto do pote ou da bilha. Em várias casas os utensílios comum para beber água eram latas vazias de leite moça. Diziam os mais velhos que a contaminação ocorreria pelo uso comum de colheres, copos e pratos que também eram utilizados pelo doente. Outro cuidado redobrado era não pisar no cuspe ou escarro de um tísico. Por incrível que pareça, muitos tísicos não acreditavam na medicina para curar seus males.Mantinham o condenavel vicio de fumar e consumir cachaça. Alimentavam-se precariamente, razão pela qual acabaram morrendo praticamente sem assistência médica.
O famoso compositor Noel Rosa desponta como uma das celebridades brasileiras que foram atingidas pela tuberculose. Boêmio e fumante , o "Doutor do Samba"vivia com o cigarro na boca e acabou morreu ainda novo.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

PINTANDO O 7 NUMA BOLA AZUL






                                 PINTANDO O 7 NUMA BOLA AZUL

                                                                       Nilson Montoril

Formação do Paysandu contendo oito dos onze atletas que derrotaram o Clube do Remo em 1945. Entre eles destacam-se; Athenágoras(o primeiro á esquerda da foto),  Simeão Palmério(goleiro), Bria(não jogou), Pedro Capivara(não jogou), Manuel Pedro(o quinto em pé) e Nascimento(o sexto em pé). O ponta direita Valentim(de joelho) não participou do embate. Farias( 1 gol), Hélio Costa( 2 gols), Guimarães( 1 gol) e Soiá (3 gols) foram os goleadores daquele domingo de julho de 1945.Faltam nessa escalação os atletas Arleto Guedes,Izan e Mariano.
                        No dia 22 de julho de1945, em partida realizada no Estádio Evandro Almeida e válida pelo primeiro turno do campeonato paraense de futebol da 1ªdivisão, o Paysandu aplicou uma contundente goleada no Clube do Remo por 7x0. O prélio foi dirigido pelo árbitro paraense Alberto Monard da Gama Malcher e funcionou como representante da Federação Paraense o Tenente Euclides de Morais Rodrigues que era membro da diretoria do Júlio César Esporte Clube. Homem devotado à natação, Euclides Rodrigues  atuou posteriormente em Macapá onde realizou um meritório trabalho com nossos nadadores, inclisive conduzindo-os à conquista do campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil em 1956. O certame foi disputado na piscina do Ginásio do Ibiapuera, em São Paulo.O Paysandu foi superior ao Remo desde o inicio da partida, mas só conseguiu marcar um gol aos 37’da 1ª faze do embate. Esse tento foi assinalado por Hélio Costa, o famoso “Cabecinha de Ouro” do futebol paraoara após receber um passe açucarado de Arleto Guedes. O mesmo Hélio que em 1953 veio trabalhar no Território do Amapá e defender as cores do Trem Esporte Clube Beneficente. Antes do fim do 1º tempo foram expulsos de campo, porque brigaram Vicente (Remo) e Arleto (Paysandu). No tempo complementar o Paysandu foi impiedoso: Farias ao 1º minuto, Soiá, aos 4’, Soiá,aos 9’, Soiá, aos 20’, Hélio, aos 24’ e Nascimento aos 44’ passaram a régua no placar. No ano de 1945, o Paysandu conquistaria o tetra-campeonato do certame paraense. O Paysandu formou com Palmério; Izan e Athenágoras; Mariano, Manoel Pedro e Nascimento; Arleto, Hélio, Guimarães, Farias e Soiá. O Clube do Remo alinhou com Tico-Tico; Jesus e Expedito; Mariozinho, Rubens e Vicente; Monard, Jiju, Jango, Capi e Boró. Três desses atletas atuaram no futebol amapaense: Hélio Costa, Expedito Dias e Soiá. Hélio foi trazido por Belarmino Paraense de Barros para jogar pelo Trem em troca de um emprego. Ingressou no quadro de funcionários do Território do Amapá como artífice, exercendo suas atividades na Escola Industrial de Macapá. A 15/1/1950, ele fazia parte da seleção paraense de futebol que derrotou o escrete do Amapá por 1x0, na inauguração do Estádio Territorial que a partir de janeiro de 1956 passou a ser chamado Glicério de Souza Marques. Além de defender o time do “Trem Lapidador”, Hélio Costa também formou na seleção amapaense. Faleceu em Macapá e aqui está sepultado.

Hélio Costa marcou cerca de 237 gols jogando pelo Paysandu. Apenas o Bené o supera em número de tentos assinalados com a camisa bocolor.Em Macapá Hélio Costa trabalhou na Escola Industrial na condição de mestre e artífice. Sempre prestou sua prestimosa colaboração ao Trem Esporte Clube Beneficente.
Expedito Dias foi um lateral esquerdo técnico e elegante no trato da bola que chegou a Macapá em 1952.  Aceitou um emprego de servidor público federal mediado por Acésio Guedes para formar na onzena do Esporte Clube Macapá, onde jogou por muito tempo. Lotado na Divisão de Educação, ocupou a função de Chefe da Seção de Material até aposentar-se. A passagem do Soiá pelo futebol do Amapá foi breve e antes de formar na onzena do Paysandu.Chegou a integrar o elenco do Esporte Clube Macapá, mas não se acostumou a viver em Macapá e preferiu retornar à Vigia, sua terra natal.El iniciou sua carreira de futebolista  no Uruitá Esporte Cube. Em 1947, ao deixar o Papão, Soiá voltou para o mesmo Uruitá.

Manoel Cardoso tinha duplo apelido:Soiá e Caboco. No Paysandu ele ficou consagrado como Soiá. Antes de integrar o elenco do Paysando, Soiá passou pelo União Esportiva e Esporte Clube Macapá. Posteriormente rtetornou à Vigia e ao Uruitá Esporte Clube, onde começou a jogar futebol. Suas qualidades futebolisticas interessaram ao Papão quando ele servia no 26º Batalhão de Caçadores, em Belém. Jogou no Paysandu até 1947.
Não se deve confundir o Boró, ponta esquerda do Clube do Remo com o João Pignataro, também apelidado Boró, que ainda vive na cidade de Macapá e formou no Amapá Clube e na Seleção do Amapá. O nosso Boró, que ao chegar a Macapá era conhecido como Borozinho, é sobrinho do atleta que defendeu o Clube do Remo. A goleada de 7x0 que o Paysandu deu no Clube do Remo ficou eternizada na música: “Uma lista branca, outra lista azul, essas são as cores do Papão da Curuzú (bis). O nosso time joga pra valer, até o Peñarol veio aqui pra padecer. O Paysandu topa qualquer parada, quando perde é por descuido,mas depois vem à virada; pintou o sete numa bola (tela) azul, são os feitos sem defeito do Papão da Curuzú”. O Peñarol, base da seleção de futebol do Uruguai, detentor de 2 títulos da Libertadores da América e de um Mundial de Clubes, perdeu para o Paysandu por 3x0, no dia 18/7/1965 ,em partida realizada no Estádio Leônidas de Castro, em Belém. O time uruguaio excursionava pelo Brasil e por onde passava massacrava seus adversários.Entretanto , diante do Paysandu sentiu o travo da derrota graças aos gols assinalados por Ércio, Milton Dias e Pau Preto. Empolgadissimo com a vitória alvi-celeste o torcedor Francisco Pires Cavalcante compôs o hino popular do Paysandu após a vitória sobre o Peñarol, mas não esqueceu o 7x0 sobre o Remo, em 1945. Vale lembrar que no dia 26 de novembro de1943, o Paysandu já havia vencido o Remo por 7x1.

 
Uma das formações time do Trem Esporte Clube Beneficente que disputou o campeonato amapaense de futebol de 1957. O centro avante Hélio Costa já não atuava com muita frequência e também era o treinador da equipe. O apelido do atleta que aparece entre o goleiro Vasconceloe e o lateral esquerdo Turibio era Guloso e não Goloso.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

A SANTINHA DE MACAPÁ






                                        A SANTINHA DE MACAPÁ

                                                              Nilson Montoril

Raimunda Siqueira Coutinho, a Irmã Celeste, cognominada de Anjo da Eucaristia pelo Padre Júlio Maria Lombaerd tinha saúde frágil, agravada pelo costume de jejuar frequentemente e fazer penitência. Seus restos mortais encontram-se no Convento das irmãs da mesma congregação a qual pertenceu.Em Caucaia, "As Irmãs do Coração Imaculado de Maria" são conhecidas como "Cordimarianas".Na sala Histórica da Congregação repousam os restos mortais da Irmã Celeste para lá transportados por ordem do Padre Júlio em 1927. As casas de Macapá e Pinheiro(Icoaraci) já não funcionavam.
                        Quando exerceu o cargo de vigário da paróquia de Macapá, entre 1913 a 1922, o Padre Julio Maria Lombaerd decidiu criar uma escola onde as meninas receberiam instrução educacional e religiosa. Surgiu, porém um sério problema, haja vista que nenhum instituto que ele consultou dispunha de irmãs que pudessem ser deslocadas para Macapá a fim de dirigir o estabelecimento de ensino. Padre Júlio não pretendia criar um novo convento, mas convenceu-se que somente o fazendo conseguiria fundar a escola para meninas de Macapá. Recorreu ao Bispo Diocesano de Belém e dele obteve a permissão para fazer uma experiência. Como ele sempre ia fazer pregações em conventos de Belém, expôs às freiras e moças que com elas conviviam seu propósito de criar uma congregação com o nome de “Filhas do Coração Imaculado de Maria”. Várias moças externaram o desejo de serem religiosas, mas todas eram pobres e não tinham dinheiro para preparar o enxoval. Mesmo assim, Padre Júlio aceitou o desafio de trazê-las para Macapá. Contando com a ajuda de pessoas caridosas ele obteve o mínimo necessário para instalar a escola e o noviciado. Em uma casa de apenas dois cômodos foram instalas as três primeiras religiosas. Após um breve período de preparação elas receberam o hábito de noviças a 8 de dezembro de 1916. Em um cômodo da casa funcionava a escola e o outro abrigava refeitório, dormitório, capela e sala de trabalho. No inicio do ano de 1917, a escola passou a funcionar com uma clientela de 60 meninas. Além das aulas, as meninas aprendiam a costurar, a lavar, a passar, e a cozinhar. Dentre as alunas havia mais de 20 órfãs com idade entre 13 a 15 anos. Essas moças vivam na condição de agregadas de parentes ou vinculadas às famílias caridosas, sem receber educação escolar. Nessa faixa de idade eram presas fáceis dos homens sem escrúpulos da cidade de Macapá. As Filhas do Coração Imaculado de Maria ganharam o respeito e admiração das pessoas de bem de nossa cidade. Eram vistas como exemplo de dedicação à causa do catolicismo e do amor ao próximo.

Velho casarão que vemos em primeiro plano, com cinco janelas e uma porta, existiu na Praça da Matriz, esquina da Rua São José com a Travessa Floriano Peixoto(Presidente Vargas) e se encontrava bastante danificado quando o Padre Júlio Maria Lombaerd chegou a Macapá, em fevereiro de 1913,portanto há mais de 100 anos. O prédio pertencia ao comerciante Manoel Eudóxio Pereira um católico praticante que muito colaborou com o sacerdote belga. Esse imóvel serviu como segunda sede para" As Filhas do Sagrado Coração de Imaculado de Maria".
 Uma das noviças, chamada Raimunda Siqueira Coutinho, filha do casal João Coutinho e Ana Siqueira Coutinho, nasceu em Macapá no dia 28 de abril de 1905. Ingressou na “Casa Matriz Noviciado da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria” em 1920, quando tinha 15 anos de idade. Como noviça, a jovem adotou o nome de Irmã Celeste, a quem o Padre Júlio Maria Lombaerd chamava de “Anjo da Eucaristia”. No dia 3 de abril de 1922, doente e precisando de cuidados médicos só disponíveis em Belém, Irmã Celeste foi embarcada no navio “São Pedro”, contando com o acompanhamento do Padre Júlio. No dia 7 de abril ela faleceu a bordo da embarcação, sendo sepultada no cemitério de uma pequena comunidade existente em uma ilhota do arquipélago do Marajó, no Rio Pará (canal sul do Rio Amazonas) próximo a Belém. Padre Júlio prosseguiu viagem, pois precisava de tratamento contra uma terrível ferida que tinha na perna direita e que apresentava sinais de gangrena. Consultado pelo médico Remígio Fernandes, o vigário de Macapá foi informado de que, se a lesão não recrudescesse fatalmente sua perna seria amputada.

Assim era a igreja de São José, forma fiel desde sua construção entre 1758 e 1761.É atribuida ao padre frances Francisco Rellier a iniciativa de modificá-la. Antes da reforma, o templo possui em sua parte frontal apenas uma porta e duas janelas. A modificação lhe rendeu três portas na frente e tres janelas.Também houve mudanças nas laterais e na sacristia.
 Padre Júlio retornou a Macapá e passou a rogar pela interveniência de Irmã Celeste junto a Maria Santíssima. Milagrosamente a ferida cicatrizou. Em 1927, os restos mortais de Irmã Celeste foram exumados e trazidos para Macapá. Diariamente a ossada era colocada sobre um encerado, sob o sol escaldante, para ressecar os restos de tecidos e cartilagens ainda existentes. Meninas da escola fundada por Padre Júlio se revezavam no decorrer do dia movimentando varetas com panos atados nas extremidades para espantar as moscas varejeiras e impedir que elas botassem ovos nos despojos. Depois de raspados e fervidos em cal, os ossos foram acondicionados em uma urna de madeira e remetidos para a cidade de Caucaia, no Estado do Ceará, onde residiam religiosas da congregação fundada pelo Padre Júlio Lombaerd. Ainda hoje, os restos mortais da Santinha de Macapá repousam na Sala Histórica da Congregação a qual pertenceu. À Irmã Celeste são atribuídos muitos milagres, mas nunca foi iniciado o processo de beatificação ou santidade. Antes de ir residir em Manhumirim, Minas Gerais, Padre Júlio Maria Lombaerd, que alterou esse sobrenome para “de Lombarde” depois de sua naturalização como brasileiro, passou por Pinheiro (Icoaraci/Pará) e Rio de Janeiro. Familiares da Irmã Celeste ainda vivem em Macapá.

A Igreja  de São José após a reforma feita quando o Padre frances Françoi Rellier dava assistência religiosa à comunidade católica residente em toda a área que hoje corresponde ao Estado do Amapá. Francisco Rellier era o vigário de Saint  Jorge, na Guiana Francesa, mas foi provisionado pelas autoridades religiosas de Belém para poder suprir a falta de sacerdote na região.Por mais de 20 anos a Paróquia de Macapá ficou sem padre residente. Foi nesse belo tempo que Irmã Celeste se devotou totalmente ao noviciado, comungando diariamente. Vem daí o titulo que lhe deu o Padre Júlio:Anjo da Eucaristia.