segunda-feira, 20 de agosto de 2012




ADA ROGATO: "CONDOR DOS ANDES"

Por Nilson Montoril

Ada Rogato e o pequeno avião utilizado no vôo sobre a Cordilheira dos Andes e o pouso no aeroporto "El Alto", em La Paz, Bolivia, considerado então o mais elado do mundo. Na fuzelagem vemos uma a gaivota voando, simbolo adotado pela brilhante aviadora brasileira, que lhe valeu o titulo de "Gaivota Solitária".

                        No dia 28 de outubro de 1951, depois de haver pernoitado, dia 27, na Base Aérea de Amapá, a aviadora brasileira Ada Leda Rogato, pilotando um avião Cesna de 90 HP, prefixo PP-ADL, pousa no aeroporto da Panair do Brasil S.A. na pequena cidade de Macapá, então capital do Território Federal do Amapá. Foi recebida com muito carinho pelos amapaenses, graças à bela programação elaborada pelo Aéro Clube de Macapá e Governo do Amapá. Ada Rogato retornava ao Brasil depois de empreender uma viagem solitária pelas três Américas, percorrendo 51.064 quilômetros, no decorrer de seis meses, entre ida e volta da Terra do Fogo ao Alasca. Esta extraordinária viagem começou no aeroporto de Piracicaba em demanda ao Rio de Janeiro no dia 9 de abril. Após a checagem do plano de vôo e tomadas as demais providências necessárias, Ada Rogato decolou rumo à Terra do Fogo. A partir daí, ela seguiu a rota do Pacifico até alcançar o Alasca. Ao retornar, cobriu a rota do Caribe. Em seu vôo de confraternização pousou no Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Estados Unidos, Canadá e Alaska, na ida. Quando esteve no Canadá, visitou o Fort Yukon, onde presenciou o espetáculo do sol da meia-noite. Ao retornar, cobriu o mesmo percurso até o México, passando daí para Cuba, Haiti, República Dominicana, Porto Rico, Trinidad, Venezuela, Caiena, Base Aérea de Amapá e Macapá 
Hangar do Aéro Clube de Macapá, em 1951, onde o avião de Ada Rogato passou por vistoria técnica e renovação do óleo do motor ao retornar de Manaus, dia 31 de outubro de 1951. Na foto que ilustra este artigo, observamos a presença do "Bonanza", avião que pertencia ao governo do Território Federal do Amapá.

Em nossa cidade a brilhante aviadora aproveitou o domingo para conhecê-la, visitando prédios públicos, Hospital Geral de Macapá, Fortaleza São José e Fazendinha, tendo por companhia o diretor da Imprensa Oficial, Aderbal Melo e o presidente do Aéro Clube de Macapá, Nelson Geraldo Sofiat. Na manhã do dia 29 de outubro, segunda-feira, Ada Rogato seguia para Manaus, escalando em Santarém e Parintins. Em Manaus foi recepcionada pelo governador Álvaro Maia, sendo hóspede oficial do Estado do Amazonas, ocupando um dos apartamentos do Hotel Amazonas. Na tarde do dia 31 de outubro de 1951, o Cesna denominado “Brasil” alçou vôo de Manaus com destino a Belém, mas Ada Rogato precisou realizar um pouso preventivo em Macapá, por volta das 17 horas, em virtude do pouco óleo que restava no motor do aparelho, insuficiente para alcançar o aeroporto de Val de Cães. Recolhido ao hangar do Aéro Clube de Macapá, o avião foi reabastecido de óleo e passou por uma consistente revisão no motor. Ao alvorecer do dia 1º de novembro, o Cesna “Brasil” ganhou os ares no rumo da capital paraense. Na fuselagem do mono-motor “Brasil” havia desenhos das bandeiras dos 28 países visitados.

Avião PP ADL 90 HP que Ada Leda Rogato usou no vôo da boa vizinhança, entre a Terra do Fogo e o Alaska. Ao retornar ao Brasil, pousou inicialmente na pista da Base Aérea de Amapá,dia 27/10/1951 e depois em Macapá, no dia posterior. O aparelho está exposto no Museu da TAM,  na cidade de São Carlos, Estado de São Paulo, bem preservado.

 Em Macapá, o governador Janary Gentil Nunes mandou pintar, na calda do aparelho, na cor verde, a frase: “Macapá saúda Ada Rogato”. Sempre atenciosa e simpática Ada Rogato ofertou aos jornalistas amapaenses uma fotografia batida em Nova Yorque, onde ela aparecia ao lado do Cesna PP-ADL. Havia também uma mensagem que o presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas mandou pintar antes que o pequeno aparelho deixasse o Rio de Janeiro: “Por intermédio do vôo da boa vizinhança, envio uma saudação cordial aos povos irmãos da América”. A senhora Darcy Vargas esposa de Getúlio, entregou a Ada Rogato uma mensagem destinada às crianças das Américas, que foi lida pela aviadora onde aterrizava. Ao retornar ao Brasil, Ada Rogato trouxe uma mensagem expedida pela primeira dama do Chile às crianças brasileiras. Ada Rogato era portadora do brevet nº 1, do Rio de Janeiro, dirigia vários tipos de avião e somava à época, 2.280 horas de vôo. Destemida como era não deixou de realizar vôos sobre cafezais (combate a broca do café) e outras plantações para livrá-las das pragas das lavouras.
Ada Rogato e o avião PP DBL.

                        Antes de fazer o raid aéreo entre a Patagônia (Terra do Fogo) e o Alasca, a aviadora Ada Rogato já havia realizado outras monumentais proezas. Começou a voar em 1935, com 24 anos de idade em planador.Consagrou-se  eternamente como a primeira volovelista (piloto de planador) do Brasil. No decorrer da Segunda Guerra Mundial ela fez 213 vôos de patrulhamento do litoral brasileiro. Ada Rogato era uma aviadora arrojada, conhecida internacionalmente. Além do vôo de confraternização, já havia saltado de pára-quedas 103 vezes, inclusive no estrangeiro. Também realizou um extraordinário salto noturno em Botafogo, no Rio de Janeiro. Possuía as condecorações do Mérito Aeronáutico, no grau Cavaleiro do Brasil. No dia 12 de setembro de 1950, Ada Rogato tornou-se a primeira mulher a realizar uma viagem cruzando a Cordilheira dos Andes no comando de um avião Paulistinha, denominado “Brasileirinho”, prefixo CAP 4 PP-DBL, de apenas 65 HP, percorrendo 11.691 quilômetros.Em seguida e visitou o Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile, consumindo 116 horas para cobrir o percurso. O Chile conferiu-lhe a condecoração do Mérito de Bernardo O’Higgins, a mais alta daquele país. Este feito foi repetido onze vezes. Em 1952, no comando de um avião de 90 HP, realizou a proeza de ser a primeira mulher a pousar no aeroporto de “El Alto”, o mais elevado do mundo, situado em La Paz, capital da Bolívia Em 1956, com uma bússola, mas sem rádio, Ada Rogato cruzou a selva amazônica num pequeno avião Cesna de 90 HP. Esta fantástica brasileira foi a primeira pára-quedista da América, a primeira mulher no mundo a saltar de paraquedas de um helicóptero e a primeira a pousar em Brasília, quando a capital federal ainda estava em construção. Fez mais de mil vôos conduzindo pessoas acometidas de coqueluche, pois se acreditava que a altura exterminava a bactéria da doença. Hábil como era, Ada Rogato também destacou-se fazendo acrobacias.
A aviadora Ada Rogato na cabine do avião Cesna de 90 HP, utilizado na viagem sobre a selva amazônica.

                        Ada Leda Rogato não foi propriamente um piloto profissional. Ela era datilógrafa do Instituto Biológico de São Paulo, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura. Trabalhou como redatora da Revista dos Aviadores e da Revista Velocidade. Sua performance como aviadores renderam-lhe vários títulos: “Milionária do Ar”, “Águia Paulista”, “Rainha dos Céus do Brasil”, “A Gaivota Solitária”(concedido pela imprensa brasileira), “Condor dos Andes”(dado pela revista chilena Margarita). Recebeu diversas comendas, entre elas “Asas da Força Aérea Colombiana”, a primeira a ser entregue a uma aviadora, “Asas da Força Aérea Brasileira” e “Piloto Honoris Causa da FAB”. Da França veio o diploma “Paul Tissandier” conferido pela Federação Aeronáutica Internacional, em 1954. Em 1956, integrou a Comissão organizadora das comemorações do cinqüentenário do 1º vôo do avião 14 Bis. No citado ano fez um reide por Estados e Territórios do Brasil homenageando Alberto Santos Dumont. Percorreu 25.057 km em 163 horas. Iniciou suas atividades em 1940, aposentando-se em 1980, como chefe da seção técnica da Secretaria de Esportes e Turismo de São Paulo.

Ada Rogato ao lado do avião Paulistinha CAP 4 PP-DBL, de 65 HP, denominado Brasileirinho, que ela utilizou para cruzar a Cordilheira dos Andes. NestA empreiytada ela percorreu  ll.691 km e encantou nossos hermanos da latino América.

 Também em 1940, ela fez o curso de pára-quedismo no Campo de Marte. O brevê para pilotar aviões foi concedido pelo Aeroclube de São Paulo. Filha única do casal italiano Gugliermo Rogato e Maria Rosa Greco Rogato, ela nasceu na cidade de São Paulo no dia 22 de dezembro de 1910 e aí faleceu no dia 15 de novembro de 1986, aos 76 anos, vitima de câncer. Seu corpo foi velado no Museu da Aeronáutica e o cortejo até o cemitério contou com o acompanhamento da Esquadrilha da Fumaça. O avião Cesna 140-A, intitulado “Brasil”, com o qual Ada Rogato realizou o vôo das Américas, encontra-se exposto no Museu da TAM, em São Carlos, São Paulo. A vida da ilustre aviadora está contida no livro “ADA, Mulher, Pioneira, Aviadora”, escrito por Lucita Briza. Em 8/3/2000, Ada Rogato recebeu homenagem póstuma dos Correios com selos postais lembrando as mulheres pioneiras da aviação no Brasil sob o tema “Mulheres Aviadoras”. Pela ordem, as três primeiras aviadores são: Anésia Pinheiro Machado, Thereza de Marzo Roesler e Ada Leda Rogato.

Capa do livro "ADA,Mulher, Pioneira,Aviadora", escrito pela jornalista Lucita Briza. Ele revela a valorosa trajetória de uma mulher despreendida que realizou viagens aéreas fantásticas, sempre sozinha e pilotando pequenos aviões.



                       

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


SÃO JOSÉ DE BOTAS

POR NILSON MONTORIL
Imagem de São José de Botas que os portugueses mantinham na entrada e na capela de suas fortalezas. Nesta imagem,  São José está sem o menino Jesus no colo e o calado colocado em sua mão esquerda é mais sofisticado. Entretanto, há imagens que mantem a representação tradicional do santo esposo de Maria.
 
                                                Algumas imagens de SÃO JOSÉ, pai putativo de JESUS CRISTO, mostram o humilde carpinteiro usando botas. Acredita-se que a inovação pretende lembrar a condição de caminhante que ele desempenhou ao fugir para o Egito, levando sobre o lombo de um burro Maria e o menino Jesus. No tempo em que José viveu na Palestina, era comum o uso de sandálias. Apenas as pessoas portadoras de bons recursos e os romanos usavam calçados feitos com maior requinte. Estes calçados tinham sola grossa e alta, protegendo os pés e chegavam até no meio das pernas.
Na antiga Grécia, os deuses eram retratados usando este tipo de calçado, denominado kóthournos. Este tipo de bota se atava pela frente e era usado sobre tudo pelos atores trágicos. O kóthourno era uma espécie de calçado simbólico de alta dignidade, destinado aos deuses, semi-deuses e heróis lendários. Os romanos, notadamente os militares de alta patente, os magistrados e os nobres o adotaram, denominado-o cothurno. Os franceses também agiram da mesma forma, imitando os neerlandeses, que se referiam ao calçado como brozekem, evoluindo, no francês antigo para brosequim. Em português, a palavra passou a ser escrita borzeguim, isto é, uma botina cujo cano é fechado com cordões.
A idéia de perpetuar a imagem de São José trajando botas deve ter ganhado reforço nos quartéis militares portugueses, onde se exigiam dos freqüentadores, bilhetes denominados “santo e senha”, em que se anotava a senha com o nome dum santo, para reconhecimento do portador. O bilhete funcionava como sinal previamente combinado para se conhecer, sem indiscrição, quem era partidário e quem era adversário. Assim, muitos adotavam a palavra botas como senha e José, como santo. Em decorrência do hábito surgiram São João das Botas, São Miguel das Botas, etc.

Segundo relatam antigos moradores de Macapá, havia uma imagem de SÃO JOSÉ no frontispício do portão principal da Fortaleza. O dedicado esposo de Maria Santíssima estava representado com botas. No altar da capela havia outra imagem regularmente confeccionada, onde o santo aparecia usando sandálias rústicas. Conta-se que, depois que a Fortaleza foi desartilhada, na década de 1920, a imagem de SÃO JOSÉ DE BOTAS foi retirada do frontispício do portão principal e transferida para a Igreja Matriz, sendo colocada no altar mor, na primeira banqueta, à frente de SÃO JOSÉ padroeiro da cidade. Por obra de alguém que não suportava ver a fachada do forte sem a presença do santo de botas, a imagem sempre reaparecia no espaço tradicional. Muitos fiéis tomavam este fato como milagre, menos o Padre Júlio Maria Lombaerd, que teria descoberto o autor da marmotice e lhe passou um descompostura federal.


Gravura de São José de botas, tendo à mão direita um ramo de lirio, a flor que o caracteriza como o homem justo  escolhido pela providência divina para ser o esposo de Miriam ou Maria, a mãe de Jesus Cristo. Na época do Brasil colonial, essa gravura era a representação do santo tido como senhor patriarcal dos homens bons,brancos e livres.
São José de botas talhada pelo Alejadinho

A comunidade católica reverencia SÃO JOSÉ em duas importantes datas: 19 de março e 1º de maio. Nesta segunda data é evidenciada a condição de operário do santo. Dia 1º de maio é o dia do Trabalho e de SÃO JOSÉ oe quem era adversdeve ter ganhonhecer, sem indiscriçnha, em que se anotava a senha com o nome dum santo, para reconhecimentoo de caminhante que ele desempenhou ao fugir para o Egito, levando perário. Valendo-se da profissão de carpinteiro, José, filho de Jacó e neto de Matam, conseguiu promover o sustento de sua família. Mesmo sendo pai putativo de Jesus Cristo, aceitou com resignação a missão que lhe foi confiada por Deus. José era bem mais velho que Maria. Mesmo assim, com absoluta humildade, cumpriu a missão de ser considerado o protetor e suposto pai do Salvador. Em sua rústica oficina, trabalhando em obras grosseiras de madeira, aparelhava as peças que outros encomendavam. Manuseando a serra, a enxó, a plaina, o prumo, o martelo, o esquadro, a régua, o grampo, a vara ou a fita métrica, era sobejamente conhecido em Nazaré.
                                                              
 Esta cidade de Macapá, inicialmente identificada pelos portugueses como Lugar, passou à denominação São José de Macapá em homenagem ao santo e ao Rei D. José I, vigésimo quinto monarca de Portugal, filho de D. João V e da rainha D. Marianna de Áustria. D. José nasceu em Lisboa e governou a terra lusitana e seus domínios entre 1750 e 1777. Fortificou sua administração ao nomear como Ministro o Marques de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo. Pombal dirigiu os negócios públicos da coroa realizando formidáveis reformas e devolveu a Portugal alento e vida. No reinado de D. José, o Governador do Grão Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marques de Pombal, fundou o povoado de Macapá, em 1751 e o elevou à categoria de vila em 1758, com o rótulo São José de Macapá. Com o passar do tempo o nome do santo foi suprimido e o vocábulo indígena evidenciado. Se tivesse sido mantida a denominação original, a capital do Estado do Amapá seria São José de Macapá, tal qual as seguintes cidades brasileiras: São José dos Barreiros (São Paulo), São José da Boa Vista (Paraná), São José dos Campos (São Paulo), São José da Lage (Alagoas), São José dos Matões (Maranhão), São José do Mipibu (Rio Grande do Norte), São José do Norte (Rio Grande do Sul), São José do Paraytinga (São Paulo), São José do Paraíso (Minas Gerais), São José dos Pinhais (Paraná), São José das Piranhas (Paraíba), São José do Rio Pardo (São Paulo), São José do Tocantins (Tocantins) e São José do Rio Preto) (São Paulo).

                                                José é nome bíblico. Vale lembrar José, filho de Jacó e Rachel, que o concebeu por graças de Deus, uma vez que era estéril. A história de José é muito interessante e está contada em Gêneses, um dos livros Pentateuco. Vendido por seus irmãos e levado para o Egito, foi ministro do faraó e mandou buscar os israelitas para o país do Gessen. Durante muito tempo foi tido como santo, mesmo sem ter sido beatificado. É São José do Egito, venerado por considerável número de católicos, sendo o patrono da cidade de São José do Egito, em Pernambuco. Não estranhe o termo putativo que estou usando neste relato. A palavra vem do latim “putativu”, e significa que aparenta ser verdadeiro, legal e certo, sem o ser; suposto, reputado. Os escritos feitos pelos evangelistas, romanos e escribas israelitas, referem-se a Jesus Cristo com o filho do carpinteiro. 

A imagem acima é mais rica em termos de detalhes, inclusive com o menino Jesus sustentando o globo terrestre sobre a palma da mão esquerda. Observe o coturno ou bota de cano longo que está retratada na perna esquerda da imagem.


sexta-feira, 27 de julho de 2012





          NILSON E ROSA, BODAS DE RUBI

                                               Por Nilson Montoril

Nilson Montoril de Araújo, ainda "fininho"(com 29 anos) e Rosa Maria Lima de Araújo(com 25 anos),passeando nos campos da Fazenda Nazaré, em Santo Antônio da Pedreira, aproveitando o feriado de 1º de maio de 1973.Rosa estava gestante do Nilson Júnior, que nasceria no dia 6 de junho do mesmo ano.
                        O Padre Lino Simonelli, sacerdote do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras-PIME, costumava dizer que “a vida é curta como a folha do mastruço”. De fato, a folha do mastruço ou matruz tem tamanho bem reduzido, mas contém propriedades medicinais incontestáveis. Eu, Nilson Montoril de Araújo, nascido no dia 2 de maio de 1944, filho de Francisco Torquato de Araújo e Olga Montoril de Araújo, estou atualmente transitando pelo 68º ano de minha existência, idade que antes era julgada elevada, mas no momento pouco tem influenciado no meu modo de levar a vida. Tenho ao meu lado minha esposa Rosa Maria Lima de Araújo, uma mazaganense natural da localidade de “Sossego do Rio Maracá Mirim”, a qual conheci no dia 29 de junho de 1965, por ocasião da festa junina alusiva a São Pedro, realizada pela Escola Paroquial São José, no Largo do Formigueiro. 
Rosa Maria Lima de Araújo, na sala da nossa residência entre o pai Raimundo Ferreira Lima e a mãe Anacleta Ferreira Lima, Dona Mulata. À época, meus sogros ainda moravam na localidade de Sossego do Rio Maracá Mirim. Eles ainda vivem. Seu Raimundo Lima fará 97 anos dia 31 de agosto. Dona Anacleta Martins tranzita pelos 94 anos.

Á época, a Rosa tinha apenas 17 anos e eu 21. Até aquele momento eu me dedicava em tempo integral aos estudos, ao escotismo e a narração esportiva na Rádio Difusora de Macapá. O namoro me fez refletir melhor em relação a tantos compromissos. Deixei de lado os acampamentos e as excursões pelo interior, devotando-me aos estudos, ao trabalho e ao romance que despontava. A simplicidade e a compreensão da Rosinha foram fundamentais para que o namoro desse certo. Devido tratar-se de uma jovem de 17 anos, decidi ir ao Sossego para pedir licença a seus pais, Raimundo Ferreira Lima e Anacleta Martins de Lima.

Rosa(vestido mais longo) e sua irmâ Ana Maria (que viria a casar com o Luiz Melo Ferreira), no pátio da Escola Paroquial São José, por ocasião da festa alusiva a São Pedro, dia 29 de junho de 1965. Rosa tinha 17 anos e a Ana se aproximava dos 15 anos.Elas eram alunas do aludido estabelecimento de ensino(mantido pela Prelazia de Macapá). Foi neste dia que eu  conheci a Rosa e decidi que ela seria minha namorada.

 O casal sempre manteve boas relações de amizade com meu genitor Francisco Torquato de Araújo e isso me ajudou bastante. Após a autorização requerida eu e Rosa imediatamente engrenamos um namoro que se estendeu por sete anos, quatro deles decorrentes de minha ausência para cursar administração na Universidade Federal do Pará. Víamos-nos apenas por ocasião das férias. No mesmo período dos meus estudos universitários a Rosa trabalhou no comércio e estudou no Instituto de Educação do Território Federal do Amapá. Eu e Rosa casamos no dia 21 de julho de 1972, na casa de meus pais, em solenidade dirigida pelo Juiz de Direito, Clemanceau Pedrosa Maia, amigo da família. A Tabeliã do Cartório Jucá, Alice de Araújo Jucá, minha tia pelo lado paterno, lavrou o registro de casamento, o qual foi assinado pelos nubentes e testemunhas.

Esta  fotografia foi tirada em dezembro de 1973, por ocasião dos festejos natalinos na Rádio Educadora São José Ltda,  que pertencia à Prelazia de Macapá. Rosa aparece à minha direita e eu tenho nos braços o Nilson Júnior, que olha atentamente para o Padre Jorge Basile, diretor da emissora. O fotógrafo só apanhou parte do rosto do sacerdote,mas a barba branca dele é incunfundivel.

 Na ocasião eu estava com 28 anos e a Rosa com 24 anos. Geramos Nilson Montoril de Araújo Júnior (6/61972), Débora Lima Montoril de Araújo (6/8/1976) e Francisco Torquato de Araújo Neto (19/12/1978). Júnior é casado com Aneliza Smith Brito e com ela tem os filhos Lucas Smith Brito Montoril de Araújo (24/1/2007) e Gustavo Smith Brito Montoril de Araújo (2/6/2011). Débora casou com Ewerton Dias Ferreira (7/2/1976), nascendo desta união o Ewerton Rodrigo de Araújo Ferreira (22/12/1998) e o Júlio César Montoril de Araújo Ferreira (10/11/2008). O Torquato e sua consorte Aline Suzan da Silva Santos geraram a Olga Fernanda dos Santos Araújo (2/11/2006), a única mulher no grupo de 5 netos 

Rosa, gestante, esperando nosso terceiro filho,o Torquato, tendo a Débora e o Nilson Júnior ao seu lado esquerdo, postada no meio dos trilhos da Estrada de Ferro do Amapá, aguarda a viagem que nos levou a Serra do Navio, em julho de 1978. Nossa intuição quanto ao sexo dos filhos não falhou. Á época ainda não se fazia exames de ultra-sonografia.

Nossa vida sempre foi tranqüila e livre de afetações, condições que esperamos manter até o fim de nossa existência. Neste singelo artigo, eu, que tanto divulgo facetas da vida de tanta gente, decidi postar algumas fotografias que registram momentos importantes da história da minha família.

Nilson Júnior, Débora e Torquato Neto sobre o muro em frente ao primeiro edificio erguido na Avenida Dioguinho,Praia do Futuro, em Fortaleza/CE. Em janeiro de 1983, passamos férias em Fortaleza e ficamos alojados em um apartamento do referido prédio. Em 1980, quando fiz pós-graduação na capital alencarina, eu, Rosa e nossos filhos residimos na Aldeota, entre agosto e dezembro.
                        Concordo com o Padre Lino quanto à brevidade da vida. Cada fração de segundo da vida de um ser humano precisa ser valorizada e bem aproveitada, haja vista que o tempo é implacável. Graças a DEUS, eu soube aproveitar minhas oportunidades para bem viver. Rosa também teve seus obstáculos, mas conseguiu ultrapassá-los. Alcançamos nossas bodas de rubi cuidando unicamente da nossa família e relegando ao esquecimento as maledicências das pessoas que vivem tentando infernizar a existência de seus semelhantes. A comemoração das bodas de casamento é coisa antiga. Boda vem do latim votum, que significa promessa. Em todas as bodas festejadas se faz a renovação da promessa evidenciada no dia do casamento.
Nilson Montoril e Rosa Araújo na praia do Futuro, em Fortaleza, em agosto de 1980. No ano em questão,residimos em Fortaleza durante 5 meses. No período mencionado fiz o curso de especialização de "Planejamento do Desenvolvimento Social", ministrado  no CETRED/UFCE. Foram momentos de muito deslumbramento para as crianças.

 Foram os romanos os iniciadores do uso do anel como sinal de compromisso ou aliança. O anel é o símbolo da aliança entre as pessoas que casam. A palavra aliança decorre de aliar, isto é, unir, harmonizar. A união dever ser imorredoura, infinita, contínua como o circulo que o anel representa. Data do ano de 1800, a escrita na parte interna do anel ou aliança: "Para Sempre", "Te Amo", ou o nome dos noivos. Eu e Rosa usamos aliança há 43 anos. Elas eram sextavadas, mas agora, devido ao tempo de uso, ficam lisas. Na aliança da Rosa está escrito "Nilson". Na minha consta o nome "Rosa". 
Foto tirada no Circulo Militar de Macapá, em 1996, por ocasião da colagão de grau dos alunos da turma de Direito da Universidade Federal di Amapá, da qual fazia parte Nilson Montoril de Araújo Júnior. O flagrante mosta, no canto inferior direito da fotografia, minha irmã Neyde Montoril de Araújo Nunes. Nilson Montoril e Rosa Araújo,sentados e Nilson Júnior em pé,atrás dos pais.
As Bodas de Casamento são comemoradas pelos casados na forma de um calendário simplificado aceito em todo o Brasil, mas pouco conhecido. No calendário simplificado, os 10 primeiros anos de casamento podem ser festejados ano a ano até 10 anos de união. A partir daí, cumpre-se um intervalo de 5 anos: 1 ano (Algodão); 2 anos(Papel); 3 anos(Couro); 4 anos(Flores); 5 anos(Madeira); 6 anos(Açúcar); 7 anos (Lã); 8 anos(Bronze); 9 anos(Vime), 10 anos(Estanho); 15 anos(Cristal); 20 anos(Porcelana); 25 anos(Prata); 30 anos(Pérola); 35 anos(Coral); 40 anos(Rubi); 45 anos(Safira); 50 anos(Ouro); 55 anos(Esmeralda); 60 anos(Brilhante); 75 anos(Diamante); 80 anos(Carvalho).  Existe um calendário que se estende de um a 100 anos. As  duas maiores datas se referem a 25 anos(Bodas de Prata) e 50 anos(Bodas de Ouro).

Esta fotografia, que data de 2 de maio de 1973, tem um profundo valor sentimental. No pátio da casa onde eu e Rosa residimos após nosso casamento, vemos, a partir da esquerda da foto, tia Alice Araújo Jucá, Rosa Maria Lima de Araújo, minha irmã Nice Montoril de Araújo, minha madrasta Zuila Jucá de Jucá Araújo com meu irmão Francisco Robério Jucá de Araújo. Sentado no batente da escada vemos meu tio Jacy Barata Jucá. Em pé, meu pai Francisco Torquato de Araújo. O flagrante ocorreu após o almoço pela passagem do meu aniversário(29 anos) e eu atuei como fotógrafo.

Eu e Rosa alimentamos vivas esperanças de podermos comemorar nossas Bodas de Ouro, coisa que não é impossível de ocorrer. Se DEUS nos conceder essa ventura, estaremos 10 anos mais velhos, conservando o espírito sempre elevado e jovem. O futuro a DEUS pertence, por isso sempre rogamos sua proteção.

No carnaval de 2001, o Grêmio Recreativo Cultural Unidos do Buritizal me prestou uma belissima homenagem com o enredo " NILSON MONTORIL, O BALUARTE QUE A VIDA ESCULPIU". Em um dos carros alegóricos, eu e a Rosa ficamos em lugar de destaque.Também contamos com a participação de meu irmão Robério Jucá de Araújo e da minha irmã Nice Montoril de Araújo. O samba de enredo, segundo os julgadores do quesito, obteve o 1º lugar. Unidos do Buritizal ficou em 5º lugar naquele desfile.
Nilson Montoril e Rosa Araújo em visita ao Bosque Rodrigues Alves, em 1996, na cidade de Belém. Sentados em um tosco banco de madeira, relembraram o tempo de namoro.




Em 1970, no decorrer das férias do mes de julho, eu e Rosa aproveitamos uma manhã de domingo para darmos um volteio pela cidade de Macapá. Nosso meio de transporte era uma bicibleta monarck, verde e branca, modelo Copa do Mundo-1966, que eu havia comprado na Casa Leão do Norte. Equipei a bicicleta com dímamo, farol, farolete trazeiro e buzina para melhor segurança ao trafegar à noite. O modelo 1966, foi o primeiro a ter a barra forte circular. Sobre o páralama dianteiro havia uma pequena bola de futebol, feita de plástico, muito cobiçada pela molecada. A forografia foi tirada na margem da Av Independência, em frente ao então Forum de Macapá. A beleza da Rosinha dá um toque todo especial à imagem.


Nilson Montoril e Rosa Maria na frente da casa de Francisco Torquaro de Araújo, em julho de 1971. Tinham acabado de chegar de um passeio na bela bicicleta monarck Copa do Mundo-1966. A casa branca que aparece ao fundo era a antiga Cadeia Pública da Vila de Macapá, feita em taipa de pilão, com paredes que tinham ceca de 50 centímetros de largura.O prédio foi demolido para favorecer o alargamento da Avenida General Gurjão.Nele morava o casal Jaime Hamar e Benedita.


Nilson Montoril e seus netos. Rodrigo (em pé), Gustavo (sentado no ombro esquerdo do avô), Lucas (camisa azul), Olga Fernanda (sorriso largo) e Júlio César (camisa amarela).


Eu e minha esposa Rosa, dia 2/5/2012, quando completei 68 anos de idade.

Nilson Montoril, com genro Ewerton e as noras Aline (camisa cinza) e Aneliza (camisa azul)

quarta-feira, 11 de julho de 2012




  MOISÉS ELIEZER LEVY

                                          Por Nilson Montoril

Painel contendo fotografias que datam de 1/12/1918, relativas ao cortejo de carros alegóricos pró criação do Estado de Israel realizado naquele dia. No carro intitulado "Palestina", em destaque, sentada em um trono e usando um longo vestido nas cores azul e branco ia a jovem Haila. Atrás dela aparecem o Major Levy (sentado) e Abhaham Ribinik(em pé). As corres da Estrela de Davi predominaram no cortejo. As outras duas fotografias do painel mostram Moisés Eliezer Levy.(livro Judeus no Brasil).
                        Em 1870, várias famílias de ascendência israelita, cujos integrantes viviam em Casablanca e Rabat, no Marrocos, migraram para o Brasil e se estabeleceram no Estado do Pará. Entre os migrantes provenientes de Rabat estava o casal judeu marroquino Moisés Isaac Levy e sua esposa. Os judeus vindos do Marrocos eram recebidos em Belém por membros das famílias Nahon, Serfatty,Israel e Roffé que já residiam na cidade porque tinham negócios com empresas inglesas e francesas.Em 29 de setembro de 1877, nascia em Belém mais um rebento, Moisés Eliezer Levy.Este nome é muito significativo do ponto de vista histórico. Moisés é Moshe em hebraico, e foi dado em homenagem ao grande líder que retirou os hebreus do cativeiro no Egito. Moisés foi membro da tribo bíblica de Levi, cujos integrantes tinham funções distintas no Templo. Moshe, entretanto, não era descendente de Arão. Eliezer lembra o segundo filho de Moisés e Zipora e significa “o que Deus ajuda”, O nome também faz lembrar Eliezer de Damasco, filho de Niulore, e cabeça do patriarca da casa de Abraão, citado no livro Gêneses e Eliezer, o Profeta.
Fotografia tirada no interior do atual prédio da Sinagoga de Belém, "Shaar Hashamayan"contruida pelo engenheiro Judah Eliezer  Levy, filho do Major Eliezer Levy. A primeira casa de orações foi instalada em 1824, na residência de José Banjó, à Rua do Pelourinho, atual 7 de Setembro, cujo líder era Abraham Acris. A sinagoga "Eshel Abraham"(Bosque de Abrão) foi a primeira do Brasil Império. A segunda sinagoga, a "Shaar Hashamaim( Porta do Céu), surgiu em Belém, em 1889,por iniciativa de Leão Israel.

 Após quase dez anos de aclimatação, passados em Belém, o casal foi residir na Ilha Grande de Gurupá, onde Moisés Isaac Levy se dedicou ao comércio, obtendo bons lucros com a compra e venda da borracha. O menino Eliezer Levy iniciou seus estudos em Gurupá e os concluiu na capital do Pará. Sua genitora integrava a dinastia rabina de Dadela (D’avila), cujo membro mais famoso era o Rabi Eliezer Dadela, cognominado a “Luz do Ocidente” (Ner há-Maarabi). Em 21 de março de 1900, aos 23 anos de idade, seguindo a tradição da fidelidade religiosa, judeu casa com judeu, Eliezer Levi casou com Esther Levy Benoliel, então com apenas 13 anos de idade, filha de David e Beliza Benoliel, descendentes de ilustre família judaica do Marrocos que residiam na cidade de Cametá. O casal teve sete filhos, entre eles a escritora Zultana Levy Rosenblatt.  Ele também se dedicou ao comércio e montou sua própria firma comercial, a E. Levy & Cia-Comissões e Consignações. A partir de 1910, integrou a empresa Majus Ruber Company e depois gerenciou a firma C. B. Merlin, constituída por italianos e voltada para a navegação. Formou-se em direito e, no período de 1918 a 1926, passou trabalhar no escritório de advogacia de Francisco Jucá Filho e Álvaro Adolfo da Silveira. Francisco Jucá era Procurador Geral da República no Pará e Álvaro Silveira exercia o cargo eletivo de deputado estadual e chefe do Partido Conservador. Neste espaço de tempo Eliezer Levy também já atuava na política paraense como filiado do Partido Republicano Federal. Graças a sua intermediação, o escritório prestou relevante apoio às entidades hebraicas com serviços de datilografia e orientações para melhor condução das discussões sionistas. Foi importante membro da Grande Loja Maçônica do Pará, chegando ao grau 33 e sendo elevado à condição de Grande Benemérito de sua ordem. Sempre ligado as questões sociais e comunitárias, fundou uma escola para moças denominada Dr. Weizzman. Cerca de 60 jovens passaram pelo aludido estabelecimento de ensino, do qual o major Eliezer Levy era o diretor.

Este flagrante fotográfico é da década de 1950, mostrando o Trapiche Eliezer Levy totalmente reformado.Observa-se que o muro de arrimo da frente da cidade no sentido do Igarapé das Mulheres ainda não havia sido construido.Ao longo do trapiche, no lado esquerdo, havia duas escadinhas que levavam à praia.Á direita ficava a carga não perecivel destinada aos órgãos governamentais. Vemos em preto, um tanque para ar,azenas conbustível, que era destinado à Usina de Força e Luz .Construido no decorrer da primeira gestão do major Eliezer Levy à frente da Intendência Municipal a partir de 1932, a longa ponte serviu de atracoradouro de embarcações  e local para embarque e desembarque de cargas e passageiros.(Foto emprestada do blog do João Lázaro)

A unidade escolar tinha currículo oficial no curso primário e ensino hebraico e profissionalizante ou técnico para as meninas poderem ser donas de casa eficientes e prendadas. O corpo docente estava assim constituído: Moisés Binlolo lecionava hebraico; Luza Cerdeira ensinava bordado à máquina; a senhorita Sarah Rofé ministrava as aulas do curso primário; a senhorita Anna Ismael Nunes conduzia as aulas de renda à mão, contando com o auxilio da senhorita Annita Levy, filha mais velha do diretor da escola. No dia 1º de dezembro de 1918, Eliezer Levi liderou a comunidade judaica de Belém numa expressiva manifestação pública a favor da “Declaração Balfour”. Ele próprio participou do belo cortejo de carros alegóricos externando os mesmos anseios que os judeus desenvolviam em todo o mundo visando à liberdade da Palestina. No seu carro, muito bem ornamentado, o major Eliezer Levy estava ao lado de seu amigo Abraham Ribinik, postado atrás de uma espécie de trono que evidenciava a beleza da jovem Haila. Esta senhorita era a filha primogênita do major, conhecida na intimidade familiar como Annita ou Alita. Á frente do carro constava uma faixa com os dizeres “Salve Palestina Livre”. Outras duas importantes iniciativas de Eliezer Levi foram: a fundação do Comitê “Ahavat Sion”, ou Amor a Sião, em português e o jornal “Kol Israel” (A Voz de Israel), que circulou de 8 de dezembro de 1918 a 1933. Desde o ano de 1922, Eliezer Levy. O Comitê Israelita do Pará surgiu em 1918, substituindo a Sociedade Guemilut Hassadim Shel Ribi Shimon Bar Yochai,fundada em 1890.
O barco regatão que vemos acima, o "Levy III" pertenceu a Samuel Levy, filho de Isaac Moisés Levy e da amazonense Cândida Ferreira Gato. Os Levy do Amazonas são parentes dos outros Levy procedentes de Tânger, no Marrocos. Samuel Levy também era proprietário do Bar Panorama. Ele aparece na proa do barco.
                        Eliezer Levy sabia que as questões de ordem institucional só podem ser resolvidas e definidas por via política. Por essa razão, participou da política paraense, tornando-se amigo e correligionário de Magalhães Barata. Em 1932, à conta desta amizade e militância política, Eliezer Levy, já ostentando a patente de coronel da Guarda Nacional foi nomeado intendente do município paraense de Macapá, permanecendo no cargo até 10 de fevereiro de 1936, ocasião em que tomaram posse o primeiro prefeito eleito de Macapá, Francisco Alves Soares e sete vereadores. Em 10 de novembro de 1937, em decorrência do golpe do “Estado Novo”, Getúlio Vargas, Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, extinguiu os partidos políticos e fechou o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais. Conseqüentemente, o prefeito e os vereadores perderam seus mandatos. Entre novembro de 1937 e setembro de 1942, revezaram-se na Prefeitura, por um breve período, Francisco Porfírio Soares, Secundino Braga Campos, Hermes de Azevedo Mendes, João Ferreira de Sá e Silvio Ferreira de Sá. Em setembro de 1942, o coronel Moises Eliezer Levi voltava a dirigir a comuna macapaense. Dia 1º de julho de 1944, foi substituído pelo Dr. Odilardo Silva. Graças a seu empenho, foi construído o trapiche de Macapá, erguido o mercadinho “2 de Julho”, abertos os primeiros 25 quilômetros da estrada Macapá-Clevelândia, erigida a capela de Nossa Senhora da Conceição no cemitério São José e feitos outros melhoramentos na cidade. Em 1934, deu total apoio à comunidade católica para a implantação do Círio de Nazaré em Macapá. Ele ainda foi prefeito de Afuá. Faleceu em Belém, dia 1º de janeiro de 1947, com  pouco mais de 69 anos de idade.


A fotografia aérea em destaque é do final da década de 1970, e foi tirada por Humberto Cruz, proprietário do Foto Galeria, à época o mais famoso de Macapá. Rm primeiro plano vemos o Estaleiro Naval Territoruial com sus trilhos para guindar embarcações para reformas, o inicio da Av.Padre Júlio Lombaerd ja aterrado, as casas da Rua da Praia, o inicio da Av. Profª. Cora de Carvalho, o Macapá Hotel, a Rua Visconde de Souza Franco e o inicio da Av. Siqueira Campos(Mário Cruz). Ao lado do hotel ainda podia ser visto o prédio do Mercadinho "2 de Julho".A Praça Veiga Cabral tinha uma parte urbanizada ,mas a área que abriga o Teatro das Bacabeiras ainda estava limpa. Observe ao longe a pista do atual aeroporto de Macapá, construida em 1958, pelo Governador Pauxy Nunes. O trapiche Eliezer Levy tinha iluminação em suas laterais e a "cabeça da ponte" era larga, favorecendo a manobra de carros.Havia 10 embarcações do governo atracadas na ponte.


quinta-feira, 21 de junho de 2012




    FÚLVIO GIULIANO, UM ALPINO DEVOTADO À ARTE SACRA

                           Por Nilson Montoril

                        Em junho de 1962, com 23 anos de idade, desembarcava no porto de Santana, o mestre bacharel construtor, Fúlvio Giuliano, para atuar como missionário leigo e mestre de obras  na então Prelazia de Macapá. Sua vinda se deveu a um convite formulado por Don Aristides Piróvano, que então exercia o cargo de bispo Prelado de Macapá e coordenava a equipe de sacerdotes do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras-PIME, na capital do Território Federal do Amapá. O convite tinha o seguinte teor: “Caro Fúlvio, já o consideramos membro do pequeno exército dos missionários de Macapá. Venha logo! Fúlvio respondeu que aceitava o convite e realizou a travessia do Oceano Atlântico a bordo de um navio cargueiro italiano que veio embarcar minério de manganês, no píer da Indústria e Comércio de Minérios S.A – ICOMI. Aproveitou os 16 dias em que permaneceu a bordo para pintar diversas telas. 

A transfiguração de Jesus Cristo.

Fúlvio Giuliano devotou-se à catequese, fazendo valer seu dote artístico. O próprio artista plástico assim detalhou esta experiência: “Todo sábado, ao meio dia, eu reunia em grande galpão, cerca de 200 jovens. Utilizava uma enorme lousa e gizes coloridos para lhes contar a história da salvação, o amor de Jesus, sua vida e seus milagres. Lentamente, desenhos super-coloridos e algumas frases do evangelho cobriam a lousa.Os jovens, muitos sentados em longo banco de madeira, com pedaço de compensado sobre os joelhos, transformavam-se em pequenos artistas e, ao mesmo tempo, aprendiam a amar Jesus e a Igreja, e tratar-se como irmãos”. O galpão em questão era o Salão Paroquial Pio XII, edificado na área posterior aos dois prédios da Prelazia de Macapá, à época conhecida como quintal dos padres.O imóvel correspondia a um barracão coberto de palha, com dezenas de bancos distribuídos no amplo salão, dotado de palco e cabine para projeção cinematográfica.

O ícone que vemos acima  recebeu o titulo de "Natividade de Jesus Cristo" e foi elaborado com redobrado carinho por Fúlvio Giuliano.

Entre os anos de 1962 a 1968, Fúlvio Giuliano desenvolveu diversas atividades, inclusive as relacionadas com sua profissão de arquiteto, auxiliando o Dr. Marcelo Cândia na edificação do Hospital São Camilo e São Luiz. Ele também concebeu os projetos arquitetônicos das igrejas de São Benedito(pedra fundamental em 24/6/1963 e inauguração no Natal de 1964), Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro(inaugurada dia 12/4/1981). Pintou expressivos afrescos em diversas igrejas de Macapá e participou de muitos salões de arte, com destaque para o I Salão de Artes do Colégio Amapaense, organizado pelo Professor Antônio Munhoz Lopez, onde o ilustre arquiteto mostrou 14 quadros da Via Sacra e I Salão de Artes Plásticas da Universidade Federal do Pará, com menção honrosa pela tela “Arraial de São José em Macapá”. No III Salão de Artes de Macapá, realizado no dia 13 de setembro de 1967, Fúlvio Giuliano participou expondo as telas “Escada de Jacó”, “Lava Pés” e “Passagem do Mar Vermelho”. A tela “Escada de Jacó” pertencia ao Dr. Marcelo Cândia, mas hoje integra o acervo do Professor Munhoz. 

Neste ícone, Padre Fúlvio Giuliano retratou famosos líderes religiosos e pessoas que se devotaram ás causas humanitárias. Entre estas criaturas abençoadas por Deus, vislumbramos o Dr. Marcelo Cândia, com o qual o então arquiteto e irmão leigo, Fúlvio, trabalhou na edificação do Hospital São Camilo e São Luiz, em Macapá.


Tive a grata oportunidade de ver o então irmão leigo Fúlvio Giuliano pintando um afresco na sala que servia de sede à Federação Infanto-Juvenil Oratoriana, FIJO, no térreo do primeiro prédio da Prelazia de Macapá. As imagens eram desproporcionais e foram feitas com lápis cera. Representavam a criação do universo. Da enorme mão direita do Criador saiam feixes luminosos de luz. Na sala em referência, funciona atualmente, a loja das edições paulinas. O afresco não foi preservado. Também fui aluno de desenho do ainda jovem Fúlvio Giuliano, na 4ª Série B do Colégio Amapaense, em 1964. Seus alunos achavam divertido ele denominar os instrumentos de desenho com nomes italianos, como a régua, que ele chamava de ripa.
Padre Fúlvio e dois discipulos na Escola  Iconográfica SCS São Francisco Xavier-PIME, em Gênova, fazendo a Oração do Iconoco.

                        Fúlvio Giuliano costumava dizer: “Pertenço a uma família de pintores. Meu avô, um farmacêutico de Palermo, tinha uma grande sensibilidade artística. Ele era um músico e pintor, e enviou-me para meu irmão gêmeo e esta sensibilidade”.“O encontro decisivo de Fúlvio Giuliano com a arte sacra aconteceu na ermida de San Salvatore grama, quando ele tinha 15 anos e ficou impressionado com o afresco medieval na capela do eremitério. O afresco apresentava Cristo crucificado num céu escuro, mas o corpo não estava morto e sim, muito vivo ligeiramente curvado, preservando sua majestade”. Em 1968, Fúlvio Giuliano mudou-se para Belo Horizonte para estudar teologia e receber o Sacramento da Ordem. Aproveitava as horas de folga para pregar os evangelhos nas favelas que existiam perto do seminário. Concluído o curso retornou a Macapá, onde, no dia 3 de janeiro de 1971, foi ordenado sacerdote. Entrou no Instituto da promessa a 13 de março de 1980. Permaneceu em Macapá até 1985, ocasião em que retornou à Itália, sua terra natal, para tratar dos rins, haja vista que o péssimo funcionamento dos mesmos tornou precário seu estado de saúde. Inicialmente ficou em Monza como pai espiritual e chefe da igreja pública. Depois, residiu em Gênova-Nervi, submetendo-se a freqüentes seções de diálise. 
Ícone Jesus Cristo no Horto das Oliveiras,correspondente à primeira estação da Via Sacra que Fúlvio Giuliano pintou para várias igrejas da Itália e do exterior


Na Itália, entre 1986 e 2004, Fúlvio Giuliano pintou dezenas de ícones em igrejas: 6 em Terni; 21 em Milão; 18 estações da Via Sacra na capela Seminário Teológico, um ícone da Santíssima Trindade, um de Cristo em Glória,em Monza; 18 estações da Via Sacra em Bucarasco; 2 na igreja de São João; 14 estações da Via Sacra em Genoa, um afresco em Valtellina. “Em 50 anos, padre Fúlvio pintou mais de mil ícones. Muitos são encontrados em sua pátria, o Brasil, onde viveu 23 anos. Os outros estão espalhados por todo o mundo, da Guiné Bissau para a China, nas igrejas das florestas e nas catedrais das grandes cidades”. Seu último trabalho foi a composição de 13 painéis com a figura de Cristo, Maria Santíssima e os apóstolos pata a obsede da Catedral de São José, em Macapá, encomendada pelo Bispo Diocesano Don Pedro José Conti. Sentindo que a vida se esvaia, Fúlvio solicitou ao irmão Franco Giuliano que completasse a obra, o que foi feito com muito esmero. Nasceu em Milão, a 6 de março de 1939, no bairro popular de Giovanni Belline e faleceu em Gênova, dia 5 de junho de 2007, as 10h30, com 68 anos. O Padre Luciano Lazerri assim se reportou à morte de Fúlvio Giuliano: “Fúlvio morreu esta manhã em uma cama de hospital, após mais outro hospital, para seus muitos males. Durante a última hora tem visto perto de seu irmão Franco e seus irmãos da casa do PIME em Nervi. Ele nos deixou calmamente, levado para o céu pelos anjos, os anjos maravilhosos que pintaram os ícones agora difundidos em muitas partes da terra”.

O Professor Antônio Munhoz Lopez possue em seu acervo 3 importantes quadros que foram mostrados em exposição recente organizada pelo SESC-Araxá. Fúlvio Giuliano pintou o quadro da esquerda e do centro, intitulados " Santo  Antônio Doutor da Igreja" e "São Bento". O quadro da direita retrata Santa Escolástica e foi produzido por Franco Giuliano, irmão do Padre Fúlvio.

 A cerimônia fúnebre aconteceu na capela de São Erasmo, em Nervi, numa 5ª feira, dia 7 de julho, as 11h45. O corpo do Padre Fúlvio Giuliano foi sepultado no cemitério de Grugana, após breve parada no Seminário de Monza. Este artigo foi composto graças às informações que obtive junto a várias fontes italianas, mormente postadas por Emanuela Cittério, Padre Luciano Lazerri e pelo PIME.
                                                    
Capa do livro "A Beleza Salvará o Mundo", elaborado por Fúlvio Giuliano.


 Foi durante umas férias,em 1980,passadas na Itália, que Fúlvio Giuliano frequentou um curso de iconografia, na escola "Russia Cristiana" e decidiu que, daquele momento em diante, se dedicaria à arte icônica. Em 2004, recordando a esta decisão, assim falou: "O ícone é um mistério,permite representar a imagem profunda e eterna de Cristo na sua humanidade e divindade". Entre seus ícones enviados para o exterior, existe um com semblante chines e inscrição em mandarim, doado a uma comunidade cristã da área de Cantão.Ele produziu telas para as igrejas onde atua o PIME.





segunda-feira, 18 de junho de 2012




   O PORCO-CARNEIRO DE MACAPÁ

                         Por Nilson Montoril

Foto de um porco da raça Mangalitza Gilt, resultante do cruzamento de animais das raças Lincolnsshire Curly Coat (britânica) e Mangalitz (austríaca e húngara). A raça Mangalitz Gilt está em extinção porque os fazendeiros não querem criá-la, alegando que o bicho tem pouca carne. O porco-carneiro do João Barca era igual ao que vemos na fotografia que ilustra este artigo.

                        O cidadão João Barca de Araújo Coutinho, membro de uma família tradicional de Macapá, exercia a profissão de marceneiro quando ocorreu a criação do Território Federal do Amapá, a 13/9/1943. A exemplo de seus conterrâneos gostou da novidade, mas ficou meio escabreado com as noticias de que tudo mudaria na cidade onde residia. Na época, Macapá era uma pequena e carente cidade do Estado do Pará, onde o tempo passava de modo pachorrento. Muitos moradores possuíam “roçados” nas áreas periféricas da cidade e criavam seus animais soltos pelas ruas, passagens e largos. João Barca possuía um belo boi-cavalo, que em outras regiões do Brasil é denominado boi-de-montaria Era, então, figura de destaque do Marabaixo, tendo composto vários “ladrões” de sucesso. Também é de sua autoria uma canção dolente denominada “A Morte do Pedreira”. O Pedreira foi um cavalo que pertenceu a Jeribá Álvares da Costa, criador de gado nos campos que margeiam o rio Macacoary e morreu  de inanição devido ao descuido do vaqueiro encarregado de sua alimentação e segurança. O falecimento do Pedreiro ocorreu no local onde está erguido o Teatro das Bacabeiras. Após a instalação do governo territorial, a 25/1/1944, os hábitos dos moradores foram mudando gradativamente. O boi-cavalo do João Barca deixou de pastar livremente no centro de Macapá. Capim para alimentá-lo não faltava, razão pela qual o animal era mantido no cercado da residência de seu proprietário, situada à Rua General Gurjão, entre as Ruas São José e Coronel José Serafim Gomes Coelho, a atual Tiradentes. João Barca era vizinho de meu pai, Francisco Torquato de Araújo e seu compadre de “águas bentas”. No dia da festa de São José, seu João Barca preparava o boi-cavalo com muito capricho, colocava uma bela sela em seu dorso e o levava para o largo da Matriz. Quem quisesse dar uma voltinha ou apenas tirar fotografia montado no boi-cavalo, pagaria Cr$ 1,00 (um cruzeiro). Habilíssimo com suas ferramentas de marceneiro, seu João Barca fabricava móveis, esquadrias, utensílios domésticos e brinquedos. Na oficina dele havia uma serra igualzinha a que aparece na pintura feita pelo Padre Lino Simonelli, ao lado esquerdo do altar mor da igreja de São José, retratando o padroeiro de Macapá em sua oficina de carpinteiro, tendo a companhia da esposa Maria e do filho putativo Jesus. Em 1953, por ocasião da realização da 6ª Feira de Animais e Produtos Econômicos, levada a efeito na Fazendinha, a Divisão de Pesquisa e Produção apresentou como novidade uma raça de porco totalmente desconhecida na região e pouco difundida no Brasil, a chamada porco-ovelha. A raça é originária da Áustria e da Hungria e o animal tem pelos densos e cacheados, parecendo lã. Provém do cruzamento da raça britânica Lincolnshire Curly Coat com a raça Mangalitza, na Áustria. Em 1900, os porcos da Inglaterra foram vendidos para a Áustria e Hungria, países onde surgiu a raça Mangalitza Gilt. Em 2007, os ingleses decidiram reintroduzir o porco-ovelha na Grã-Bretanha, extinta na comunidade desde 1972. O animal comprado por João Barca era um macho, ainda pequeno e tinha poucos pelos brancos. A proporção em ele que foi crescendo, os pelos cacheados foram aparecendo. A novidade foi considerada uma aberração da natureza, decorrente do cruzamento de um porco com uma ovelha, coisa impossível de acontecer, porque são animais de espécies diferentes. A curiosidade humana transformou o porco-carneiro numa celebridade. Gente à beça aparecia na casa do João Barca querendo ver a extraordinária criatura. O assédio só diminui quando o dono do porco pintou uma tabuleta, pendurando-a na cerca de sua casa contendo o seguinte anúncio: “Porco-carneiro, entrada Cr$ 1,00”. Parece reduzido o valor cobrado, mas um cruzeiro naquela época dava pra comprar dois picolés.Além do salário de servidor público lotado na Garagem Territorial, João Barca contava com os ganhos advindos do boi-cavalo, do porco-carneiro e de seus biscates como marceneiro.  A existência do porco rendeu ao Batista, filho do João Barca, a alcunha de porco-carneiro, haja vista que lhe cabia receber os curiosos, cobrar a taxa de visita e cuidar do animal. Porém, com o passar do tempo, o apelido foi esquecido e o Batista apenas ri quando essa história é lembrada.

Os porcos da raça Mangalitz Gilt podem ter pelos brancos, ruivos, pretos e cinzentos.Estes dois individuos que vemos na fotografia contida no Blog da Ciência e Tecnolia,da Inglaterra, apresentam tonalidade diferente. Um é cinzento e o outro é preto. Eles descendem dos porcos que fazendeiros ingleses foram buscar na Áustria e na Hungria, em 2007.
O porco-ovelha que vemos acima é o Buddy, que vive no Zoológico Tropical de Wings, em Essex, na Inglaterra. É um macho que convive com as fêmeas Margot, de pelo ruivo, e Porche, que tem o pelo preto e está grávida. Os três animais são mantidos em exposição e encantam as crianças e os adultos.
Está porquinha branca é a Elizabeth, que foi arrematada em um leilão na Inglaterra por Tim Fitton por £250(duzentos e cinquenta libras esterlinas), que a deu presente a uma de suas filhas. Elizabethe é dócil e vive sossegadamente recebendo os cuidados especiais de sua dona.