sábado, 16 de fevereiro de 2013

BANDA, RÓTULO OFICIAL


           BANDA, RÓTULO OFICIAL

           Por Nilson Montoril  

                                                                                            
Em 1960, na frente da Farmácia São José que pertencia a Francisco Serrano, foi realizada uma "Batalha de Confete". As autoridades se posicionaram em um pequeno palanque erguido  junto a fachada da loja "Magazine", no inicio da  Passagem Carlos Novais, mais conhecida como "Beco do Serrano". A Rua Cândido Mendes ainda não era asfaltada e o povo acompanhava os acontecimentos de modo bem descontraido.Na época ainda não existia o Bloco de Sujos do Amapá Clube.(Poibido copiar a imagem).
                                    
                        O nome do maior bloco de sujos do setentrião brasileiro não foi dado por seus idealizadores e sim por integrantes do governo do Território Federal do Amapá. Aliás, quando o bloco saiu pela primeira vez, na tarde do dia 2 de março de 1965, o fez sem qualquer rótulo. Naquela ocasião, Macapá iria viver o primeiro carnaval após o golpe militar deflagrado no dia 31 de março de 1964. Fazia uma bela tarde de sol e quase não se via pessoas nas ruas. Os macapaenses ainda estavam apreensivos devido às ações repressivas que o Comando Revolucionário havia tomado a partir do dia 12 de maio contra servidores públicos, estudantes, sindicalistas, socialistas e comunitários que exageravam na manifestação de antipatia pelo regime militar então em vigor. No início da noite desta data, havia chegado à Macapá um contingente de soldados do 26º Batalhão de Caçadores, sediado em Belém, comandado pelo Capitão do Exército Francisco Moacir Meyer Fontenelle, com o intuito de anular um motim deflagrado pelo Tenente Uadih Charone envolvendo membros da Guarda Territorial.

Carnavalescos que não deixavam de ir às ruas na terça-feira gorda de carnaval. Os cinco foliões que aparecem na fotografia participaram do Bloco do Amapá Clube em 1967. No sentido horário vemos Altair Cavalcante de Lemos, Agostinho Borges de Alencar, Amujacy Borges de Alencar, José Monteiro Leite, o Lélé e o Andorinha. A idéia de criar o Bloco do Amapá Clube, em 1965, partiu do Amujacy que brincava tocando frigideira.

No mesmo dia foi preso o Presidente da UECSA, José Figueiredo de Souza (Savino) por ter protestado contra a prisão do Tenente Charone, Diretor da Escola Técnica de Comércio do Amapá. A partir da posse do General Luiz Mendes da Silva, verificada dia l5 de maio, as ações dos lideres da revolução militar tornar-se-iam mais drásticas e diversas prisões arbitrárias aconteceram. Entre os cidadãos recolhidos as casamatas da Fortaleza de Macapá estavam o Tenente José Alves Pessoa, o então empresário Jarbas Ferreira Gato, os servidores públicos Amujacy Borges de Alencar e Altair Cavalcante Lemos. Submetidos a um sumário processo de investigação, sofreram punições injustas e descabidas. Apesar de haver muita gente tida como subversiva e agitadora, a ânsia por revanchismo foi relativamente contida por determinação superior.

No ano de 1975, a boneca "Chicona" saiu com as mãos nas cadeiras. No citado ano o "Bloco do Amapá Clube" completou 10 anos de existências, oito deles com o rótulo "A Banda" e saia da sede do alvinegro da Avenida Presidente Vargas. Na largada, pouca gente acompanhava a boneca,mas o contingente de foliões ia crescendo à proporção que o "arrastão do povo" sequenciava seu desfile. Usando bermuda cinza e camisa branca, o Savino caminhava ao lado da Chicona.(Vetada a cópia da imagem).

Há vários anos era hábito funcionar um jogo de cartas na sede do Amapá Clube, principalmente aos domingos. Os jogadores eram quase sempre os mesmos, todos ligados ao alvinegro da Avenida Presidente Vargas. Naquele dia 2 de março de 1965, jogavam baralho: José Figueiredo de Souza, Amujacy Alencar, Tenente José Alves Pessoa, Altair Cavalcante de Lemos, João de Castro Sussuarana (o Sussuarana Gordo), Jarbas Ferreira Gato, Aderbal Rodrigues Lacerda, José Maria Frota, José Tavares de Almeida e Issac Menahem Alcolumbre. A exceção do José Tavares e do Isaac Alcolumbre, os demais eram vistos com reservas pelos revolucionários. Mesmo sabendo que seriam vigiados, os partícipes do carteado decidiram ir às ruas e dar um balão na cidade, ou seja, fazer o percurso que o bloco “A Banda” repete anualmente. O grupo improvisou fantasias e saiu. Nada de anormal aconteceu. Em 1966, a terça-feira gorda caiu dia 22 de março e mais uma vez o “Bloco do Amapá Clube” fez o balão, agora contando com a adesão de outros foliões.

Amujacy Borges de Alencar e Jarbas Ferrera Gato, sócios no "Bar Gato Azul" costumavam passar o carnaval no Rio de Janeiro. Em 1965, Jarbas Gato era o presidente do Amapá Clube e o Amujacy um assiduo frequentador da agremiação alvinegra. A fotografia data de 1963.(Poibido copiar a imagem)

                        O governador Luiz Mendes da Silva tinha como Secretário Geral o economista Roberto Rocha Souza, um elemento repressor e autoritário, que andava pelas repartições públicas e pelas ruas com um rebenque na mão direita, vibrando-o nas botas de equitação que sempre usava. Declarava-se inimigo do Deputado Federal Janary Gentil Nunes e de seus corregionários. Janary Nunes já havia governado o Amapá entre 1944 e 1956, por quase 12 anos. Vencera as eleições de 1962 e reunia amplas condições de repetir o feito em 1966. Se vencesse iria cumprir mais um mandato na Câmara dos Deputados. Hostilizado e discriminado pelo Comando da Revolução, iniciou sua campanha sem a convicção de vitória. Declarava-se governista e membro da Aliança Renovadora Nacional-ARENA, razão pela qual não aceitar uma proposta de filiação que lhe foi formulada pelo Movimento Democrático Brasileiro-MDB. Como arenista, forçou um racha na legenda à qual era filiado e saiu candidato pela ARENA 2 (Aliança Renovadora Nacional). Foi extremamente feliz ao adotar a macha “A Banda”, composta por Chico Buarque de Holanda, vencedora do II Festival de Música Popular, gravada por Nara Leão a quatro de outubro de 1966. Antes disso, música era tocada na Rádio Difusora de Macapá com freqüência. 
Foto tirada com a máquina de Nilson Montoril, em 1994, na sala sa casa da Ana Lúcia, viúva do Job Nogueira.Na oportunidade entrevistei o Claudionor Monteiro Lima, popular Cutião, artesão que deu vida à boneca "Chicona". Cutião havia retornado de Belém, onde fora tratar da própria saúde. Ele dizia estar se sentindo muito bem,mas faleceu pouco tempo depois.(Foto do acervo de Nilson Montoril,sendo proibida a cópia)

A partir do momento que os divulgadores da campanha do Coronel Janary passaram a usá-la, o governo do Território Federal do Amapá proibiu a emissora oficial de executá-la. A marcha não era tocada na emissora oficial, mas podia ser ouvida por quem se dispusesse a freqüentar os comícios do Coronel Janary Gentil Nunes. Eles ficavam apinhados de gente idosa, jovens e até crianças. A maioria dos eleitores era constituída por servidores públicos, pioneiros na instalação do Território do Amapá e estudantes.
                        A 15 de novembro de 1966, Janary Nunes venceu as eleições, obtendo 6.594 votos, contra os 5.812 sufrágios deixados nas urnas a favor do Cabo Alfredo Oliveira, cuja candidatura recebeu o apoio do então governador Luiz Mendes da Silva. Temendo represálias, os Janaristas não puderam comemorar como desejavam. Desde então, passaram a projetar um retumbante arrastão popular, que seria feito no carnaval de 1967. Todas as pessoas que eram vistas com reservas pela ditadura militar, principalmente as que sofreram humilhações e injustiças aderiram o carnaval da vitória, cuja terça-feira gorda caiu no dia 7 de março de 1967. 

A Alice Gorda desfilando na Avenida Fab. Em 1967, ela foi convidada pelo Amujacy Alencar para coordenar o desfile do Bloco do Amapá Clube no carnaval do citado ano.O comando da revolução militar de 31 de março de 1964, acusou Alice de ter organizado um bloco formado por simpatizates políticos de Janary Nunes unicamente para axincalhar com as autoridades territoriais. Nesse ano o bloco alvinegro ganhou o rótulo de "A Banda" dado pelos governistas.

Em todos os quadrantes da cidade o assunto era o “Bloco do Amapá Clube”. A exacerbada propaganda da “Rádio Cipó”, era freqüentemente captada pela Delegacia de Ordem Política e Social – DOPS. Procurando neutralizar a ação dos Janaristas, Governo e Prefeitura organizaram uma programação envolvendo blocos e escolas de samba não aceitando a inscrição de brincantes avulsos ou grupamentos considerados indesejáveis. Acostumado a cobrir seu percurso, o Bloco de Sujos do Amapá Clube não se preocupou em fazer inscrição na Prefeitura de Macapá e decidiu sair para cumprir o que fora planejado. Ao tomar conhecimento de que o pessoal do deputado Janary Gentil Nunes rumava no sentido da Avenida FAB, com intensão de passar na frente do “Palanque Oficial”, as autoridades territoriais determinaram que um forte contingente da Guarda Territorial fosse colocado na Avenida FAB logo após o cruzamento com a Rua Eliezer Levy, para impedir a passagem do arrastão do povo. A ordem transmitida aos policiais tinha o caráter expresso de não deixa “A Banda” passar. 
No carnaval  de 1977, a Boneca Chicona ainda era confeccionada pelo Cutião.Ele contava com a ajuda do Wanderley e do Job. De chapeu cor de rosa, mão esquersa na cintura e btaço direito levantado, Chicona também usava um óculos colorido. Fazendo brinde à boneca, na frenta da casa do casal Job Nogueira e Ana Lúcia aparecem o Savino,Job,Cadico,Wanderley,Bernardo Souza,João Coutinho e Cutião. De joelhos no leito da Rua São José vemos o Penafort.(Reprodução de imagem proibida)

Sem poder evoluir como pretendia “A Banda” enveredou pela Avenida Eliezer Levy e foi se posicionar em frente à sede do Amapá Clube. Grande parte do público que ocupava espaço nas arquibancadas armadas nas laterais da Av. FAB abandonou o local e saiu atrás do bloco rejeitado, Em plena Avenida Presidente Getúlio Vargas o povão dançou a valer. Neste dia, um trecho da bela marchinha foi evidenciado em Macapá: “A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu. A lua branca que vivia escondida surgiu. Minha cidade toda se enfeitou. Pra ver a banda passar cantando coisas de amor”.
                        O General Luiz Mendes da Silva não estava em Macapá e o economista Roberto Rocha Souza exercia interinamente o cargo de governador. Ele foi o idealizador de toda a nefasta tramóia contra os carnavalescos. Em nota divulgada no Jornal Amapá e outros órgãos de imprensa de Belém, o governo amapaense rotulou o bloco de “A Banda”, porque havia uma orquestra postada sobre um caminhão executando a marcha famosa marcha composta por Chico Buarque. A Alice Gorda, gerente de um hotel e fervorosa carnavalesca foi acusada de ser “testa-de-ferro” dos Janaristas na organização do bloco. Ela negou que seus liderados tivessem qualquer pretensão de ferir os princípios democráticos defendidos pela revolução de 31 de março de 1964, e que a organização do bloco comportasse cunho político e “diplomação popular do Coronel Janary Nunes como deputado federal”. 

Mais esguia e elegante, a "Chicona" foi às ruas em 2001.Um grupo de foliões tirou essa fotografia na frente da "prima". A boneca Chicona ainda hoje é abrigada pela Ana Lúcia.(Reprodução de imagem proibida)

Mulher de princípios rígidos, Alice Gorda exigiu direito de resposta junto aos órgãos de imprensa que divulgaram notas acusando-a de agitadora. Sua exigência foi atendida e a paz voltou a reinar no carnaval do Amapá. No dia 20 de abril de 1967, o general Luiz Mendes da Silva foi substituído no governo do Amapá pelo general Ivanhoé Gonçalves Martins. Várias pessoas que antes eram discriminadas por seu antecessor passaram a integrar sua equipe de governo. Ele só não admitia extremismos e paixões políticas, exigindo de seus comandados ampla obediência e isenção nas atividades discriminatórias contra correligionários de adversários políticos. Seu relacionamento com o deputado federal Janary Gentil Nunes foi muito discreto e respeitoso. No carnaval de 1968, presente ao Palanque Oficial, na Avenida FAB, Ivanhoé Gonçalves Martins acompanhou passivamente a passagem do Bloco de Sujos “A Banda” e até recebeu algumas referências elogiosas. Se no carnaval de 1967, os detentores do poder público não deixaram “A Banda” passar em frente ao palanque oficial, nos anos posteriores ela desfilou tranquilamente, da mesma forma como ainda costuma acontecer. Há 48 anos ”A Banda” congrega todos os segmentos da sociedade macapaense e desde 2012, tem o reconhecimento da Assembléia Legislativa como Patrimônio Cultural do Estado do Amapá. O povo humilde da velha “Província dos Tucujú”, que tem espaço cativo no bloco, penhoradamente agradece, principalmente pelo rótulo: “A Banda”.

Posicionados na confluência da Avenida Presidente Vargas com a Rua São José, o Anhanguera, a Chicona e a Iracema aguardam o inicio do desfile de "A Banda", no carnaval de 2002.(Proibido copiar a imagem).

domingo, 10 de fevereiro de 2013

SEU LIMA, DIGNIDADE E SABEDORIA CABOCLA





                                    SEU LIMA, DIGNIDADE E SABEDORIA CABOCLA

                                                                                                    Nilson Montoril

Raimundo Ferreira Lima, o neto Nilson Montoril de Araújo Júnior e o bisneto Lucas Brito de Araújo, filho do Júnior.Foto tirada na garagem da residência do casal Nilson Montoril de Araújo e Rosa Maria Lima de Araújo, em Macapá, em 2009.
                        No período áureo da produção da borracha na Amazônia, que se estendeu até 1910, o cearense Antônio Cavalcante dos Santos deixou sua terra natal para riscar seringueiras nas terras de Gurupá e Mazagão. Em Gurupá conheceu a paraoara Raimunda Ferreira Lima e a tomou por companheira. Pouco tempo depois, a 16 de abril de 1915, nascia o primeiro filho do casal, Raimundo Ferreira Lima. Esta data está registrada no Registro Geral de Raimundo Lima, porém ele costumava comemorar seu aniversário no dia 31 de agosto de 1915, porque este seria o real dia de seu nascimento. Embrenhado nas matas e vivendo em ambiente hostil, Antônio Cavalcante passava a maior parte do tempo ocupado em sua dura atividade, mas no período de inverno quase sempre estava em casa. Depois de ter gerado Raimundo Lima, o cearense e sua consorte colocaram no mundo Manoel Ferreira Lima e Ernestina Ferreira Lima. Os filhos ainda eram crianças quando, por volta de 1922, A malária vitimou o destemido nordestino, deixando Dona Raimunda Lima viúva e seus rebentos órfãos. Como Antônio Cavalcante era freguês do português João de Oliveira, ao qual vendia quase toda sua produção de látex, este mandou buscar Dona Raimunda Lima e os filhos para residirem na localidade de Sossego do Rio Maracá-Mirim, no município paraense de Mazagão, bem em frente da Ilha Pequena, margem esquerda do Rio Amazonas. Neste aprazível lugar o lusitano mantinha uma serraria e uma casa de comércio bem sortida. Dona Raimunda pegou seus “quase nada” e os filhos e tomou o rumo do Sossego. Raimundo Lima tinha apenas sete anos de idade, mas era muito esperto, fato que agradou ao português João de Oliveira. No Sossego, Dona Raimunda passou a realizar serviços domésticos na casa do patrão até arranjar um novo amor e com ele foi viver em outro lugar deixando Raimundo aos cuidados de Dona Doca, esposa de João de Oliveira. Do novo relacionamento nasceu a filha Constância Lima, a irmã mais nova de Raimundo Lima. Esse lusitano havia exercido a atividade de fotógrafo assim que chegou a Amazônia, nome que uma garotinha interiorana não sabia pronunciar corretamente e dizia “Potock”. Assim João Oliveira ficou conhecido na região de Afuá, Mazagão e Gurupá, tanto que nominou seu empreendimento comercial como “Casa Potocka”. Também adicionou a grafia ao seu nome de batismo: João de Oliveira Potocka. Raimundo Lima já estava com 20 anos de idade, em 1935, quando chegou ao Sossego, a senhora Catarina dos Santos Martins, viúva do português Antônio da Silva Martins.
Raimundo Ferreira  Lima e a esposa Anacleta Martins de Lima em frente a "Casa Potocka".


 Esse cidadão veio tentar a vida no Brasil a bordo de um navio que aportou em Manaus, cidade que o abrigou por alguns anos. Depois desceu o Rio Amazonas e pelo canal sul, conhecido como Rio Pará, se estabeleceu em Breves para trabalhar com um conterrâneo luso. Como era amigo de Alexandre Ferreira da Silva, proprietário de um empório comercial no Rio Ipanema, sua família foi por ele amparada. Dona Catarina tinha a companhia do filho Nicolau dos Santos Martin, o mais velho dos rebentos e das filhas Anacleta Martins de Lima, Ester,Emilia e Francisca. Um olhar apaixonado trocado entre Raimundo Lima e Anacleta fez surgir entre os dois um forte sentimento que os levou ao casamento em 1937. Anacleta nasceu dia 26 de abril de 1921, em na cidade de Breves e estava com 16 anos de idade quando contraiu núpcias com Raimundo Lima que transitava pelos 22 anos, sendo, portanto, seis anos mais velho que ela. O casamento os uniu por mais de 76 anos. Da união nasceram: Maria José, Maria de Lourdes, Rosa Maria, Ana Maria, Raimunda, Marinete, Maria Izabel e Antônio Carlos. Casado, Raimundo Lima ganhou o status de “Seu Lima”, o braço direito de João de Oliveira Potock. Eclético, “Seu Lima” assessorava-o no gerenciamento do comércio, da serraria, fabricava pão, caçava,pescava e vendia gêneros de alimentação no garimpo do Rio Vila Nova. Numa das viagens que fez para o garimpo encontrou o garoto Hilário Ribeiro, então com quatro anos de idade, que vivia relegado e doente. Ao retornar para o Sossego levou o pirralho e o criou como filho. Ainda agregou a sua família os sobrinhos Antônio e Nazaré Lima, filhos de seu irmão Manoel Lima.

Fotografia tirada na frente da "Casa Potocka", na localidade de Sossego do Rio Maracá Mirim, municipio de Mazagão. Aparecem no flagrante fotográfico Raimunda, Lourdes, Ana Maria, Anacleta Martins com a filha Izabel no colo,  Raimundo Lima e a garota Regina. Quando a foto foi batida as filhas Maria José e Rosa Maria residiam em Belém com a tia Rosalina Oliveira.
Quando o senhor João de Oliveira Potock adoeceu e precisou tratar-se em Belém, o Sossego só não foi invadido e saqueado por elementos inescrupulosos devido à fibra do “Seu Lima”. Sua atitude lhe valeu várias ameaças de morte que cessaram apenas quando ele foi nomeado para a função de Comissário de Polícia A atividade não lhe dava uma remuneração fixa. A compensação era a utilização de taxas e emolumentos cobrados de terceiros que requeriam licença para realizar festas dançantes e outras atividades obrigadas ao pagamento das citadas tributárias. O valor arrecadado não rendia o suficiente sequer para cobrir as despesas com investidas de ordem policial que “Seu Lima” precisava realizar. Sua vida de viajante a serviço da firma Potock, quase sempre a remo e às vezes pilotando ubás impulsionadas por motores de popa Archimedes de 12 HP e Johnson de 25 HP, neste caso só quando o trecho a ser coberto era mais longo, lhe proporcionou o conhecimento de toda a região entre o rio Matapi e o rio Jary. Ele listava sem vacilar todos os tributários do rio Amazonas, tanto pela margem esquerda como pela direita. Também empreendeu incursões pelas localidades de João da Costa, Capitão e Rio Preto, todas bem produtivas propriedades do pai de criação.
Anacleta Martnis de Lima e Raimundo Ferreira Lima no pátio da casa do genro Nilson Montoril. Á época, o casal morava com a filha Rosa Maria Lima de Araújo.
 Eu conheci o casal Raimundo Lima e Anacleta Martins em 1965, quando comecei a namorar a Rosa Maria, minha esposa, que tinha 17 anos de idade e residia com o casal Sebastião Fernandes de Oliveira e Joaquina Menezes de Oliveira, Dona Quinoca, ao lado da casa de meus pais, em Macapá. Fui ao Sossego pedir autorização de seus genitores para namorá-la e fui muito bem recebido, principalmente por ser filho de Francisco Torquato de Araújo, um grande amigo de João Potock e do próprio casal Raimundo Lima e Dona Anacleta. Tornei-me seu genro em 1972, quando casei com a Rosa. “Seu Lima” era mestre na gapuia, na colocação de malhadeira, no lançamento da tarrafa, no uso da linha de pescar, no arremesso da zagaia, no manejo de cartucheira, na construção de matapi, cacuri e pari, em pilotar canoa a vela e motores de popa, em singrar as águas nas pequenas “montarias” e rústicos cascos.

Comemoração dos 93 anos de vida de Raimundo Ferreira Lima realizada na residência de sua filha Ana Maria. Ele  cortava o singelo bolo de aniversário tendo a rodeá-lo as filhas Rosa ,Lourdes, Izabel, a esposa Anacleta Martins de Lima, o filho Antônio Carlos e a  filha Ana Maria. Em segundo plano aparecem os netos Marcelo e Márcio. De costas, vemos três dos seus 33 bisnetos.
Mesmo tendo uma prole numerosa e enfrentar constantes adversidades, “Seu Lima” soube como obter o sustento de sua família e instruir os filhos. Criava porcos, patos e galinhas que consumia nas ocasiões festivas a quando pesca se tornava difícil, na fase invernosa. Anualmente, eu, Rosa e meus filhos viajávamos até o Sossego a fim de passarmos a Semana Santa e ficávamos abrigados na velha casa do casal, hoje demolida. Em 1994, quando o Sossego já não rendia mais nada comercialmente e os imóveis de valor tinham sido vendidos, Raimundo Lima e Anacleta acataram os reclamos dos filhos e genros e vieram morar em Santana. Por iniciativa dos filhos ele conseguiu uma aposentadoria pelo INSS e ela Dona Anacleta obteve um singelo beneficio previdenciário. A idade avançada de ambos obrigou-os a vir residir em Macapá. Já não podiam morar sozinhos e assim, em sistema de rodízio, coabitaram com os filhos. Uma conversa com meus sogros era o mesmo que ouvir uma aula sobre questões interioranas. Dia 4 de fevereiro de 2013, “Seu Lima” deixou o plano terrestre e partiu para a eternidade. Completaria 98 anos dia 16 de abril. Até o ano de 2010, “Seu Lima” gozou de boa saúde, mas a senilidade é terrível e mina a vida dos humanos. Passou então a enfrentar alguns problemas próprios de quem tem vida longa sem que o organismo se mantenha funcionando cem por cento. Ultimamente, ”Seu Lima” vivia na casa da filha Ana Maria e do genro Luiz Melo e nada lhe faltou até que exalasse o último suspiro.

  Pelo levantamento que fiz, Raimundo Ferreira Lima teve sete filhos biológicos, um adotivo e amparou dois sobrinhos. Seus filhos lhe deram 50 netos. Até o momento em que ocorreu sua morte já haviam nascido 31 bisnetos e duas de suas netas estavam prestes a ter filhos, elevando o número para 33. De quebra, ainda existem dois trinetos. No total, somando filhos, netos, bisnetos e trinetos, a união de Raimundo Lima e Anacleta Martins originou o aparecimento de 93 pessoas. Agregando a quantidade de esposas dos netos e bisnetos, o montante de viventes ultrapassa a casa dos cento e dez. Raimundo Lima sempre se deu muito bem com seus seis genros e duas noras, todos amigos fieis que lhe devotavam a afeição dada a um pai. Conseqüentemente, podemos afirmar que, em linha direta, 101 criaturas constituem a família de “Seu Lima”, hoje desfalcada dele, mas que tem na senhora de Anacleta Martins de Lima, Dona Mulata, sua matriarca. Ostentando 91 anos de idade, Anacleta Martins de Lima alcançará os 92 no vindouro dia 26 de abril e se constitui no centésimo segundo ser de uma família tão extensa. Raimundo Ferreira Lima foi sepultado no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, no centro de Macapá, onde também estão enterrados os restos mortais do genro Gregório Godinho Nunes.

Raimundo Ferreira Lima, em 2005, no pátio da casa da filha Rosa Maia e do genro Nilson Montoril de Araújo, em Macapá.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

CLEVELÂNDIA DO NORTE, COLÔNIA AGRÍCOLA E PRESIDIO





        CLEVELÂNDIA DO NORTE, COLÔNIA AGRÍCOLA E PRESIDIO

                                                                Por Nilson Montoril
Vista aérea da atual Colônia Militar do Oiapoque, em Clevelândia do Norte

                        Em 1919, o Senador paraense Justo Chermont fez um incisivo comentário no Congresso Nacional a respeito do abandono em que se encontrava a fronteira do Oiapoque e sugeriu que o governo federal alocasse recursos financeiros no orçamento do Ministério da Agricultura para a fundação de patronatos e colônias agrícolas nas faixas de fronteira do Brasil com os países visinhos. Ao referir-se à fronteira do Oiapoque com Guiana Francesa, Justo Chermont classificou-a como “terra abandonada e sem dono”. Essas colônias deveriam ser compostas por brasileiros, preferencialmente pelos nordestinos que viviam à míngua em suas terras devassadas pela seca. O Congresso Nacional aprovou sua proposição e o Governo da União cuidou para que a máquina administrativa tornasse realidade o que fora sacramentado pelos parlamentares. Dia 12 de março de 1920, foi publicado um ato assinado pelo Ministro da Agricultura instituindo a Comissão Colonizadora do Oiapoque sob a chefia do gaúcho Gentil Tristão Norberto, cidadão que já havia atuado nas terras do atual Estado do Acre e fez parte do grupo liderado por Plácido de Castro. Ele ostentava a patente de coronel do exército defensor do Acre, mas não era militar de carreira. Havia sumido do Acre por volta de 1916, deixando a fama de repressor cruel e pouco confiável. Como a região de fronteira integrava o Estado do Pará, o Ministro da Agricultura encaminhou correspondência ao governo paraense, datada de 10 de abril de 1920, solicitando a indicação do local e a cessão das terras à União a fim de que fossem iniciados os trabalhos de fundação do Centro Agrícola. Ainda em meados de abril, a Comissão Colonizadora seguiu para o rio Oiapoque, iniciando imediatamente suas atividades, procedendo às sondagens e o levantamento da zona cedida pelo governo paraense. No inicio do ano de 1921, teve inicio a implantação da colônia no trecho da margem direita do rio Oiapoque que iniciava na foz do rio Pontanarri e se estendia até a cachoeira da Grande Rocha, a  70 km do Cabo Orange e 15 Km da posição militar de Santo Antônio.
Planta da Colônia Agrícola de Clevelândia do Norte traçada em 1925

 A 7 de abril as obras de edificação tiveram inicio, compreendendo casas de madeira de lei,pintadas a óleo, envidraçadas, bem assoalhadas e tetos capazes de suportar a cobertura com telhas de barro tipo frances. Um prédio de 2 pavimentos para abrigar a administração da colônia, uma escola e um hospital também foram erguidos. Aliás, o Hospital já funcionava desde setembro de 1921, antes da inauguração oficial da colônia, que ocorreu a 5 de maio de 1922. Além dos membros da comissão e trabalhadores das obras, o Hospital já atendia soldados do destacamento de Santo Antônio. A escola iniciou suas atividades no dia 1º de fevereiro de 1922, com 46 alunos matriculados, todos filhos de colonos nordestinos. Á época em que estes fatos ocorreram, a região do Oiapoque pertencia ao Município de Amapá-Montenegro, cujo intendente do era o coronel Júlio Benicio Pontes, conhecido pecuarista amapaense. A assistência religiosa prestada aos residentes em Clevelândia do Norte estava a cargo do padre francês A. Gross, vigário de Saint Georges, na Guiana Francesa. O Comandante da 8ª Região Militar, sediada em Belém, coronel Raimundo Barbosa, visitou as instalações militares de Santo Antônio e a colônia de Clevelândia nos meses de julho e agosto de 1923, ficando surpreso com a bela obra que ali se realizava. De fato, Clevelândia já possui hospital, escola, sede da administração, hospedaria de imigrantes; o posto Rádio-Telegráfico, serraria, Igreja e várias casas particulares. No espaço antes dominado pela mata os colonos cultivavam banana, mandioca, cana, hortaliças, leguminosas e árvores frutíferas. Os lotes ocupados pelos colonos estavam demarcados ao longo de um caminho vicinal com 20 km de extensão.

Sobre uma pedra com formato similar a que existiu na frente de Macapá, foi assentada uma cruz branca.No muro de arrimo, na parte que adentra no rio Oiapoque vemos uma edificação que lembra o frontispicio da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré erguida na cidade de Belém. A frase em branco é basicamente a mesma que esta escrita no Marco Fronteiriço, na orla da cidade de Oiapoque.
 Tudo caminhava dentro dos planos elaborados quando, no dia 26 de dezembro de 1924, o navio “Cuyabá, que o governo brasileiro havia confiscado de uma empresa alemã durante a 1ª Guerra Mundial e incorporado a sua frota mercante, chegou a Clevelândia transportando um grupo de 250 presos políticos e criminosos sentenciados. Feito o transbordo, o “Cuyabá” seguiu para Manaus, retornando no dia 6 de janeiro de 1925, uma 3ª feira, conduzindo 120 presos políticos que haviam participado da revolta que os tenentes da capital amazonense desencadearam para depor o governador Turíbio Meira e implantar um governo socialista, fato ocorrido no dia 23/7 de 1924. O chefe do executivo estava ausente do Brasil e ocupava o cargo o vice-governador Turiano Meira que fugiu pela porta dos fundos do palácio. Os revoltosos pretendiam promover a emancipação dos pobres e cobrar altos impostos aos ricos para atender aos necessitados. O 1º tenente Alfredo Augusto Ribeiro Júnior, líder dos rebeldes que se declarou governador do Amazonas afirmou categoricamente: “Essa gentalha macabra e covarde não deve e não pode permanecer neste solo bendito”. 

O 1º Tenente Alfredo Augusto Ribeiro Júnior, lider da revolta dos tenentes na capital amazonense discurso rodeado por mais de cem mil populares que foram prestar solidariedade aos responsáveis pelo golpe de 23 de julho de 1924.

O povo amazonense foi às ruas comemorar o feito dos revolucionários. Estima-se que mais de cem mil pessoas se concentraram em frente ao Palácio do Governo paro ouvir o discurso inflamado do tenente Ribeiro Júnior. Á época do golpe, Manaus tinha 75.704 habitantes, a maioria desempregada e vivendo abaixo da linha de pobreza absoluta. O funcionalismo estava com seus salários atrasados e os devedores do fisco não pagavam suas dividas. Além disso, a borracha, principal produto de exportação do Estado do Amazonas estava sem preço. Na cidade de Óbidos, vários revoltosos se instalaram na fortaleza local e se mantiveram em prontidão. O comando da sedição criou o “Tributo da Redenção”, com o propósito de confiscar os bens e as contas bancárias dos oligarcas para transformar em pagamento do funcionalismo. A firma inglesa “Manaos Market” que gerenciava o porto e o mercado foi obrigada a pagar o que devia ao estado. Entretanto, no dia alegria deles durou pouco tempo. A 28 de agosto de 1924, o destróier Mato Grosso da Marinha de Guerra  chegou a Manaus e bombardeou as posições dos rebelados.Tropas legalistas fizeram o cerco por terra, dominaram a situação e prenderam os revoltosos. Quando da chegada dos 120 presos amazonenses, Clevelândia do Norte já havia recebido 250 “indesejáveis” provenientes do Rio de Janeiro e São Paulo que ali desembarcaram no dia 26/12 de 1924. Essa leva de prisioneiros fora desterrada para a fronteira norte do Brasil porque participou do levante da guarnição do Forte de Copacabana em 1922 e da sucessão paulista de 1924. Porém, entre eles foram incluídos criminosos comuns sentenciados. O número de desterrados era então da ordem de 370 “indesejáveis” e iria crescer muito mais. Em meados de janeiro de 1925, desembarcaram em Clevelândia mais 577 presos que se encontravam trancafiados na penitenciária de Catanduva, no interior do Estado de São Paulo.

Foto da equipe de governo do Presidente Arthur Bernardes, que vemos sentado na cadeira ao centro da fotografia. No decorrer de sua gestão o Brasil viveu momentos angustiantes decorrentes de seguidas rebeliões. O "Estado de Sitio", dispositivo que já não existe mais na Constituição vigorou e motivou a punição de pessoas consideráveis indesejáveis

 Ainda no decorrer do ano de 1925, viviam em Clevelândia cerca de 1.630 deportados. Criada em 5 de maio de 1922, como Colônia Agrícola do Oiapoque, Clevelândia recebeu os primeiros colonos, a maioria nordestinos, no dia 24 do citado ano e mês. A partir de 1924, a finalidade da colônia foi desvirtuada. Até 1930, Clevelândia foi um presídio político onde os desterrados conviveram permanentemente com a morte devido à insalubridade de alojamentos, alimentação de má qualidade, doenças como malária, beribéri, febres, convulsões, inapetência, inchação dos membros inferiores, precariedade de atendimento médico, diarréia e prostração generalizada. No Hospital Simão Lopes só havia duas seringas de injeção para atender diariamente cerca de 120 indivíduos. A concentração de tanta gente fez rebentar invulgar epidemia de diarréia ceifando a vida de prisioneiros e colonos. Isso fez recrudescer o fluxo migratório e motivou a mudança de inúmeras famílias de colonos para outras localidades livres da doença. A presença de tantos degredados obrigava o governo federal a mandar suprimentos alimentares necessários à sobrevivência deles. A preciosa carga era transportada regularmente por navios que faziam a linha costeira e estendia suas viagens até Manaus. Com a madeira derrubada na limpeza da área destinada ao plantio, construíram um trapiche e ampliaram a serraria. Entre outras espécies de madeira de lei havia o pau-rosa, fato que fez surgir uma usina movida a caldeira para a extração da essência tão apreciada que a árvore contém. Em 1927, Clevelândia do Norte já estava em franca decadência. A opinião pública contestava sua existência e rogava pela extinção do campo de concentração. A presença dos presos condenados de justiça não favorecia a paz necessária aos colonos. Por incrível que pareça, a anistia dos indesejáveis foi concedida no momento em que o Brasil estava dominado pelo clima revolucionário de 1930. Somente dez anos depois é que a direção da antiga Colônia Agrícola de Clevelândia foi passada ao Exército Brasileiro, que ali se instalou a 17 de junho de 1940, com o Pelotão de Fuzileiros Independentes do Oiapoque.

Marco fronteiriço implantado à margem direita do rio Oiapoque, na frenta da cidade de Oiapoque.Nele está contida a inscrição"Aqui Começa o Brasil".No outro lado do rio vemos terras da Guiana Francesa,Departamento Ultramarino da França.
 Livre dos presos políticos e dos condenados de justiça as mudanças em Clevelândia foram ocorrendo progressivamente. No dia 11 de novembro de 1964, o fracassado núcleo agrícola mudou de nome passando à denominação de Colônia Militar do Oiapoque. As prisões de políticos ocorreram em maior escala no decorrer do governo de Arthur Bernardes, principalmente entre 1924 e 1926. No período 1924/1925, de 946 desterrados morreram 492, aproximadamente 52% dos indesejáveis. Na ância de deixar a cidade do Rio de Janeiro livre de elementos problemáticos, a polícia incluía entre os presos políticos os vadios, revoltosos, anarquistas, gatunos, vigarista, sindicalistas, homicidas e abandonados de rua. Cada viagem entre o Rio de Janeiro e Clevelândia durava 15 dias. Os presos eram transportados pelos navios a vapor Cuyabá, Campos e Caxambu. Em algumas oportunidades, à altura da foz do rio Oiapoque ocorria o transbordo dos desterrados para o navio “Oyapoque” que integrava a frota do Serviço de Navegação e Administração dos Portos do Pará, cabendo-lhe deixar os indesejáveis em Clevelândia. Acreditava-se que ninguém conseguiria escapar de Clevelândia do Norte, mas consta que 262 presos conseguiram fazê-lo através da Guiana Francesa. O campo de concentração estava instalado a 15 km do posto militar de Santo Antônio, próximo  a cidade guianesa de Saint George, onde sempre havia alguém disposto a ajudá-los em troca de uma boa recompensa. O primeiro fugitivo foi o pintor e decorador Pedro Aleves Carneiro, evadido no dia 17 de fevereiro de 1925. O nome da localidade situada à margem direita do rio Oiapoque é uma homenagem do governo brasileiro ao presidente dos Estados Unidos da América do Norte, Grover Cleveland que atuou como árbitro nas questões de fronteiras que o Brasil teve com a Guiana Inglesa, atual República da Guiana e com a Argentina, relativa ao território de Palmas em terras do Paraná. A Clevelândia do Sul, que hoje é a sede do município de Clevelândia fica no sudoeste do Estado do Paraná.
Vista aérea da cidade de Clevelândia, no Estado do Paraná

 O município paranaense de Clevelândia foi fundado através da Lei nº 28 de 28 de julho de 1892, bem antes do surgimento da Clevelândia do Norte que se localiza no Rio Oiapoque, fronteira com a Guiana Francesa.  Nesta, encontra-se instalada a base militar da 1ª Companhia de Fuzileiros de Selva do exército brasileiro. Quando o presídio de Clevelândia do Norte foi fechado, os desterrados que sobreviveram a tantos sofrimentos retornaram ao Rio de Janeiro a contar de 7 de fevereiro de 1927. Ainda hoje, em Santo Antônio, existem ruínas de alguns prédios do núcleo inicial de Clevelândia, mas pouca gente sabe disso.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

JANARY NUNES E A REVOLUÇÃO DE 1964





JANARY NUNES E A REVOLUÇÃO DE 1964

 Por Nilson Montoril

O Deputado Janary Gentil Nunes sendo recebido no Aeroporto de Macapá pelo jornalista Haroldo Pantoja Franco.O parlamentar estava cumprindo seu segundo mandato(1967 a 1970), mas já não possuia a mesma força política dos velhos tempos em que exerceu o carego de governador do Territóprio Federal do Amapá.


                        Eleito deputado federal em outubro de 1962, mas ainda sem tomar posse, o coronel Janary Gentil Nunes convenceu o presidente João Belchior Marques Goulart a nomear o coronel Terêncio Furtado de Mendonça Porto para governar o Amapá. Obteve a nomeação manifestando publicamente sua solidariedade ao mandatário do Brasil, que estava necessitando de apoio parlamentar para permanecer na presidência. Quando eclodiu a revolução de 1964, o panorama político se apresentou turbulento para o primeiro governador do Território do Amapá. No dia 2 de abril de mesmo ano, o comando da revolução militar extinguiu o mandato de Jango e constituiu uma Junta Militar para substituí-lo. Dia 9 de abril a Junta Militar baixou o Ato Institucional nº 1, cassando os direitos políticos de 102 cidadãos tidos como nocivos à nação brasileira. Dia 10 de abril foi publicada a lista dos cassados, havendo entre eles 41 deputados federais. Ainda no dia 10, sob forte impacto emocional, Janary Nunes decidiu que iria requerer licença para tratamento de saúde, abrindo espaço para que seu suplente Dário Cordeiro de Lima o substituísse na Câmara Federal. Ciente de que os militares articulavam a candidatura do general Humberto de Alencar Castelo Branco, Janary Nunes, que também integrava a reserva do Exército Brasileiro, prestou solidariedade ao movimento e prometeu referendar a indicação na condição de parlamentar. De fato, no dia 11 de abril de 1964, em sessão realizada no Congresso Nacional, Castelo Branco, já ocupando o posto de marechal e na reserva, foi eleito presidente do Brasil. Votaram a seu favor 361 parlamentares, registrando-se 72 abstenções.
Foto tirada no momento em que o coronel Terêncio Furtado de Mendonça Porto e o deputado eleito Janary Nunes deixavam o avião dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, no aeroporto de Macapá, em dezembro de 1962.Terêncio Porto havia sido nomeado governador do Território do Amapá e vinha substituir Raul Montero Valdez, indicado pelo então deputado Amilcar Pereira.

 A posse do marechal Castelo Branco ocorreu no dia l5 de abril de 1964, às 15 horas, no Congresso Nacional, ocasião em que o senhor Ranieri Mazzili, que ocupava interinamente o cargo de presidente da República, lhe transmitiu o comando da nação. Na tarde do mesmo dia, em Macapá, houve uma concentração popular na Praça Barão do Rio Branco para um ato litúrgico e apoio a Castelo Branco. Abrindo a programação a Banda de Música da Guarda Territorial executou o Hino Nacional, seguindo-se a celebração de missa pelo bispo Dom Aristides Piróvano. Após a missa teve inicio o ato político. O tenente José Alves Pessoa pelo Circulo Militar, Dr. Dalton Lima no exercício do cargo de deputado federal e o governador Terêncio Porto fizeram uso da palavra. A concentração foi intitulada como “Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade”, mesmo titulo do ato público articulado pelo deputado Cunha Bueno e pelo Padre irlandês Patrick Peyton, realizado em São Paulo, no dia 19 de março de 1964, que reuniu cerca de 400 mil pessoas. Ainda licenciado da Câmara Federal, mas livre de ter seu mandato cassado, Janary Nunes se limitou a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos, inclusive a exoneração do governador Terêncio Porto e a nomeação do general Luiz Mendes da Silva para o governo do Amapá. Serenados os ânimos, Janary reassumiu sua titularidade na Câmara Federal, mas já não possuía a mesma força política de outros tempos. Rejeitado por antigos correligionários e hostilizado pelo eleitorado jovem, notadamente pelos estudantes, Janary Nunes ainda venceria a eleição realizada em 1966, mas seria suplantado por Antônio Cordeiro Pontes em 1970.
O presidente da República, Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, à esquerda de quem vê a fotografia, ouve o governador do Amapá, general Luiz Mendes da Silva em solenidade realizada nas instalações da ICOMI, a 1º de setembro de 1966.À esquerda de Luiz Mendes estava o Dr. João Cardoso.

                        Sua ausência do Amapá depois que deixou o governo a 2 de fevereiro de 1956, para assumir a presidência da Petrobrás e depois ao cargo de Ministro Plenipotenciário do Brasil na Turquia foi fundamental para que seu prestigio declinasse. Velhos aliados políticos dos tempos áureos do Partido Social Democrático-PSD filiaram-se a outras associações, principalmente ao Partido Trabalhista Brasileiro-PTB. Em 1966, ele precisou valer-se da sublegenda ARENA 2 para permanecer no cargo de deputado federal. Neste pleito Janary Nunes venceu a chapa constituída por Alfredo Oliveira e João Lourenço da Silva detentora da sublegenda ARENA 1. A partir da posse do general Ivanhoé Gonçalves Martins no cargo de governador do Território Federal do Amapá, ocorrida no dia 20 de abril de 1967, o deputado Janary Nunes perdeu definitivamente sua influência no governo, fato que o levou a também perder eleitores. Tentou criar embaraços ao general Ivanhoé e só não perdeu o cargo de parlamentar porque mudou o rumo de sua conduta. Derrotado em 1970, afastou-se do Amapá, mas jamais o esqueceu. Queiram ou não seus adversários políticos, que no inicio eram seus amigos, Janary Gentil Nunes foi o transformador de uma região desprovida de atendimento governamental, lançando as bases que permitiram a evolução da unidade federada à condição de estado.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ORDENAÇÃO DE DIÁCONOS EM SÃO LUIZ-MA










ORDENAÇÃO DE DIÁCONOS EM SÃO LUIZ-MA
Por Nilson Montoril

Capa do livro da Ordenação Diaconal. A solene celebração marcou o encerramento do Ano Jubilar da Arquidiocese de São Luiz e o encerramento do ano titurgico Católico.

                        No último dia 24 de novembro de 2012, sábado, a Arquidiocese de São Luiz realizou a solenidade de ordenação de 31 Diáconos Permanentes. Os novos diáconos foram indicados pelos párocos de suas Paróquias e freqüentaram um curso de teologia, no decorrer de 4 anos, na Escola Diaconal São Francisco de Assis. A turma recebeu o nome do Arcebispo de São Luiz, Dom José Belisário da Silva A belíssima cerimônia aconteceu no Ginásio Poliesportivo Georgiana Pflueger, o popular Castelinho, que integra o Complexo Esportivo Governador João Castelo Ribeiro Gonçalves e é conhecido nos meios esportivos como Castelão. Esse gestor público ocupou o cargo de governador do Estado do Maranhão no período de 1979 a 1982. A obra do monumental complexo esportivo foi concluída no dia 1º de maio de 1982, oportunidade em que se realizou um torneio futebolístico vencido pelo Sampaio Correa. No dia 5 de maio, atuando no gramado do Castelão, a seleção brasileira de futebol derrotou o escrete de Portugal por 3x1. O Ginásio Castelinho teve suas dependências totalmente ocupadas por integrantes das diversas paróquias que indicaram candidatos ao diaconato, por seus familiares, membros da imprensa e religiosos de várias ordens. Para não causar danos no piso da quadra esportiva, foram colocados tapumes de compensados.
Dom José Belisário da Silva, Arcebispo de São Luiz iniciando a solenidade de ordenação dos 31 diáconos indicados por 16 Paróquia e duas Capelanias Militares. Os diáconos ocuparam espaço na frente, em primeiro plano.Dom Belisário e natural de Carmópolis,Minas Gerais, onde nasceu no dia 9/8/1945.Foi ordenado sacerdote em 1969 e sagrado bispo no ano 2.000. É o atual vice-presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, eleito para o período 2011- 2015.Seu lema episcopal é: "Invisibiliem Tamquam Videns"(como se vivesse o invisivel)

 A cerimônia foi presidida por Dom José Belizário, Arcebispo da Arquidiocese de São Luiz e contou com a presença do Arcebispo de Terezina. Dom Jacinto Sobrinho e do Presidente da Comissão Nacional de Diáconos do Brasil, Kennon Konzen. Entre os 31 ordinados encontrava-se meu sobrinho David Martins Nunes júnior, filho de minha irmã Neyde Montoril de Araújo e de David Martins Nunes. David Júnior nasceu no dia 15 de outubro de 1963, no Hospital da Vila Amazonas, unidade de saúde mantida pela Indústria e Comércio de Minérios S.A. – ICOMI, mineradora que já encerrou suas atividades no Amapá. A Vila Amazonas, que ainda existe, ocupava área do então município de Macapá e atualmente pertence ao município de Santana. Dentre os filhos do casal Neyde Montoril e David Martins Nunes, o David Júnior é o mais identificado com o histórico religioso de minha saudosa irmã. Formado em odontologia foi exercer a profissão em São Luiz, a progressista capital do Estado do Maranhão. É casado com Lana Nunes e tem dois filhos David Neto e Júlio. Viajei de Macapá para São Luiz na madrugada do dia 21 de novembro com a precípua finalidade de ver meu sobrinho ser ordenado diácono. David Nunes Júnior tem estreita vinculação com a Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, no centro da capital gonçalvina.

Reunidos na plataforma onde foi realizada a cerimônia de ordenação diaconal, os novos missionários de Cristo cantam uma canção em ritmo de valsa intitulada "Diácono de Jesus",composta pelo diácono George Castro, indicado ao diaconato pela Paróquia Nossa Senhora do Pérpetuo Socorro.

Junto comigo estavam minhas irmãs Lourdemar, Nancy, Nice e minha esposa Rosa Araújo. A despeito de ter passado minha infância freqüentando o Oratório Festivo e Recreativo São Luiz, em Macapá e freqüentado o Seminário Salesiano Nossa Senhora do Carmo, em Ananindeua, Estado do Pará, época em que era aluno do Colégio do Carmo, em Belém, nunca tinha visto uma solenidade de tal porte. Sei que o diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem e que os outros dois são o presbiterato e o episcopado. O diaconato não é coisa nova na igreja de Cristo e foi instituído pelos apóstolos. Em Atos 6,1-6 encontramos referências sobre a impostação das mãos sobre os primeiros sete diáconos: Felipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas, Nicolau e Estevão. A ordenação de diáconos vigorou na Igreja do Ocidente até o século V, mas depois caiu em desuso. Foi restabelecido pelo Concilio Vaticano II. Diaconia quer dizer serviço por isso o diácono é ordenado para servir.
No momento em que esta foto foi tirada pela Lana Nunes, esposa de David Nunes, ele já havia sido ordenado diácono permanente.David e Lana estão casados ha 20 anos e ela o apoiou incondicionalmento na busca do diaconato.

 Na Liturgia Eucarística, o diácono tem funções próprias: servir o altar, proclamar o evangelho, convidar para o abraço da paz, purificar os vasos sagrados e fazer a despedida. A principio, o diácono é ministro ordinário do Sacramento do Batismo e da Comunhão Eucarística. Também pode dar as bênçãos próprias de ministro ordenado em objetos de devoção, casas, automóveis, etc, inclusive com o Santíssimo Sacramento. Tem ainda a faculdade de presidir a celebração do Matrimônio. O diácono permanente sendo casado não pode ascender ao grau, ficando permanentemente como diácono. Se ficar viúvo pode ser ordenado sacerdote ou presbítero desde que estude pelo menos mil horas Teologia Bíblica, Dogmática, Liturgia e Pastoral
Deitado no chão, envergando a alva, David Nunes evidencia sua submissão aos preceitos dogmáticos da Igreja de Cristo.Ele aparece em primeiro plano na presente fotografia.

 Por ocasião do Rito da Ordenação Diaconal, o Diácono Raimundo convidou os ordinados a aproximarem-se do celebrante e dissessem, assim que seus nomes fossem pronunciados, a expressão Eis-me Aqui! O momento seguinte foi o Propósito dos Eleitos. Dom José Belisário fez cinco perguntas aos religiosos que seriam ordenados
Dom Belisário: Caros filhos. Antes de serdes admitidos à Ordem do Diaconato, é necessário que manifesteis, perante o povo, o vosso desejo de assumir este ministério. Quereis, pois, ser consagrados ao serviço da Igreja, mediante a imposição de minhas mãos e a graça do Espírito Santo?   
Eleitos: Quero
Dom Belisário: Quereis desempenhar com humildade e amor, o ministério dos diáconos como colaboradores da Ordem sacerdotal, para o bem do povo cristão?
Eleitos: Quero.
Dom Belisário: Quereis guardar o ministério da fé, como diz o Apóstolo, com a consciência pura e proclamar esta mesma fé, através das palavras e atos, conforme o Evangelho e a tradição da Igreja?
Eleitos: Quero.
Dom Belisário: Quereis, de acordo com o vosso estado, perseverar e progredir no espírito de oração e, neste mesmo espírito, segundo vossas condições, realizar fielmente a Liturgia das horas com o povo de Deus, em favor e pelo mundo inteiro?
Eleitos: Quero.
Dom Belisário: Quereis imitar sempre, na vossa vida, o exemplo de Cristo, de cujo corpo e sangue estareis a serviço?
Eleitos: Quero com a graça de Deus.

O Padre Ademir, amigo de David Nunes, e responsável por sua indicação ao diaconato lhe veste a Dalmática. Neste momento o futuro diácono  já esta usando a Estola.

PROMESSA DOS ELEITOS

Nesta parte da celebração Dom Belisário permaneceu sentado em uma poltrona na frente do altar para aguardar a aproximação de cada eleito. Eles se aproximaram do bispo, ajoelharam-se e puseram as mãos postas entre as do bispo manifestando seus propósitos de obediência e respeito. A cada um deles Dom Belisário fez diversas perguntas:
Dom Belisário: Prometes respeito e obediência a mim e a meus sucessores?
Eleitos: Prometo.
Dom Belisário: Deus, que te inspirou este bom propósito, te conduza sempre mais à perfeição.

Terminada a Prece de Ordenação Dom Belisário colocou a mitra em sua cabeça e os ordenados se levantaram. Presbíteros, diáconos e ministros presentes á solenidade impuseram a estola diaconal a cada um deles e lhes vestiram a dalmática. A Estola e a Dalmática são sinais externos do ministério diaconal.

David Martins Nunes Júnior, ajoelhado em frente a Dom José Belisário que faz a imposição de suas mãos na cabeça do novo diácono.

IMPOSIÇÃO DAS MÃOS/PRECE DE ORDENAÇÃO

Diante de Dom Belisário, que permaneceu em pé, com a mitra, cada um dos eleitos se ajoelha. Dom Belisário impôs as mãos sobre a cabeça de cada um, em silêncio. Tendo os eleitos ajoelhados diante de si, o bispo, sem mitra, diz de mãos estendidas a Prece da Ordenação: “Assisti-nos, nós vos pedimos, ó Deus Todo-Poderoso, fonte de todas as graças, que dividis as responsabilidades, repartis os serviços e assinalais os ofícios. Imutável em vos mesmo, tudo renovais e, dispondo todas as coisas em vossa eterna providência, por vossa palavra, força e sabedoria, que é Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, concedeis a cada momento o que mais nos convém. Na variedade dos dons celestes e na diversidade dos membros, fazeis crescer com admirável unidade, pela força do Espírito Santo, o corpo de Cristo, a vossa Igreja. Para a edificação do novo templo, constituístes três ordens de ministros para servirem ao vosso nome, como outrora escolhestes os filhos de Levi para o serviço do santuário. Assim, no inicio da Igreja, os apóstolos do vosso filho, movidos pelo Espírito Santo, escolheram sete homens de bem para ajudá-los no serviço diário, confiando-lhes a distribuição dos alimentos, pela oração e imposição das mãos, a fim de que eles próprios pudessem dedicar-se mais à oração e à pregação da palavra. Olhai também com bondade, Senhor, estes vossos servos que consagramos como Diáconos para o serviço do vosso altar: Enviais sobre eles,Senhor, nos vos pedimos, o Espírito Santo que os fortaleça com os sete dons da vossa graça, a fim de exercerem com fidelidade o seu ministério.
Resplandeçam neles as virtudes evangélicas: o amor sincero, a solicitude para com os enfermos e os pobres, a autonomia discreta, a simplicidade de coração e uma vida segundo o Espírito.
Brilhem em sua conduta os vossos mandamentos, para que o exemplo de sua vida desperte a imitação de vosso povo e, guiando-se por uma consciência reta, permaneçam firmes e estáveis no Cristo.
Assim, imitando na terra o vosso Filho, que não veio para ser servido, mas para servir, possam reinar com Ele no céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.


ENTREGA DO LIVRO DOS EVANGELHOS

Este foi um instante altamente expressivo da cerimônia de ordenação dos diáconos. Já ordenados, com vestes diaconais, eles aproximaram-se do Bispo e ajoelharam-se diante dele. O Bispo entregou a cada um deles um exemplar dos evangelhos, dizendo: “Recebe o Evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que credes e procura realizar o que ensinares.” Depois de dizer estas palavras Dom Belisário acolheu a cada um dos diáconos para o abraço da paz. Estes pontos que destaquei foram incluídos no roteiro da missa assistida por um público participativo e convicto de sua fé em Jesus Cristo.

O ABRAÇO DA PAZ

Momento em que o Bispo José Belisário acolhia o diácono David Nunes no abraço da paz.


RELAÇÃO DOS DIÁCONOS POR PARÓQUIAS

- Paróquia São Francisco e Santa Clara: Afonso José de Souza Bezerra e José Ribamar Oliveira   
   Lima.
- Paróquia São José e São Pantaleão: Antônio Souza Araújo (Centro-São Roque), José Ribamar
   Ferreira Silva (Centro-São Roque) e Pedro de Jesus Nunes Silva Filho (Centro).
- Paróquia de São Francisco: Renato Fontoura Nogueira da Cruz, Getúlio Costa da Cruz, Marivaldo
   Rodrigues Oliveira.
- Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Carlos Augusto Martins Santos (Cohab),Francisco
  Alves Camelo (Eldorado), George Henrique dos Santos Castro (Sol. Dos Lusitanos),Pedro de
   Jesus Rabelo Carvalho (Cohab).
- Capelania Militar: Celso Bastos Cardoso (24º BC), Marivaldo Estrela Pavão (PM), Raimundo
   Alves da Costa (PM)
- Paróquia Santa Terezinha (Filipinho): Antônio Pinheiro de Castro Silva e João Capistrano
   Fonseca.
- Paróquia de São Cristovão: Carlos Magno de Ribamar Ericeira.
- Paróquia Nossa Senhora dos Remédios: David Martins Nunes Júnior.
- Paróquia de Santo Antônio (Parque Vitória): Flávio Airton Rodrigues Pereira, José Ribamar
  Gonçalves da Silva, Rachid Maluf Neto
- Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem: Guilherme Alves Moraes (Rio Grande).
- Paróquia São José Operário do Bonfim: Joelson Mineiro Reis Ferreira (Mauro Fecury).
- Paróquia Imaculada Conceição da Bem Aventurada Virgem Maria (Bacabeiras). José Ribamar
   Desterro.
- Paróquia de Sant’Ana(Angelim): José Ribamar Pereira Campos,  José Ribamar Ribeiro Rocha.
- Paróquia São Vicente de Paulo (Apeadouro): Juarez Souza Moraes.
- Paróquia Nossa Senhora Aparecida da Foz do Rio Anil (Cohafuma): Orlando Pacheco de Andrade
   Filho.
- Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Coroadinho): Sebastião Dias Lobato.
- Paróquia de São Francisco e Santa Clara (Hab. Turu): Afonso José de Souza Bezerra e José
   Ribamar Oliveira Lima.

ORAÇÃO DO DIÁCONO PERMANENTE

                        Deus e Pai Nosso, fortalece com a graça do Espírito Santo os diáconos de vossa Igreja, para que desempenhem com alegria, fidelidade e em espírito de comunidade eclesial, o seu ministério de diáconos, seguindo os passos de vosso Filho, Jesus Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos”. Nós vos pedimos pelas famílias dos diáconos casados: que sejam autênticas “Igrejas domésticas”, segundo o exemplo da Sagrada Família de Nazaré, e delas surjam vocações sacerdotais e religiosas. Virgem Maria, Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos, rogai pelos ministros do Senhor! São Lourenço, diácono e mártir, rogai pelos diáconos, servos do Povo de Deus! Amém! 

A PRIMEIRA MISSA CELEBRADA POR DAVID NUNES JÚNIOR   
   
O diácono David Nunes lento o texto do evangelho de Cristo dando enfase as palavras do Divino Mestre: Eu vim para servir, não para ser servido.Também centrou suas palavras no tema"Já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim!

Aconteceu na Capela de Nossa Senhora das Graças, na comunidade quilombola da Camboa, na noite de domingo, dia 25 de novembro de 2012.A comunidade realizava a festa de sua padroeira e lotou o templo. Hinos diversos foram entoados, no estilo carismático, inclusive com alguns cantos marcados pela toada do "bumba meu boi". A Camboa corresponde a uma região limítrofe com o centro de São Luiz e foi aterrada há pouco tempo. Camboa é o mesmo que lago formado pela entrada e saida da água do mar. Até o final da década de 1970, só havia palafitas na Camboa. Hoje a comunidade é considerada de classe média baixa e vem recebendo infraestrutura social como água,energia elétrica, esgoto, pavimentação de ruas e assistência médica. O odontólogo e diácono David Martins Nunes Júnior é identificado com os moradores da Camboa há bastante tempo.

Dom Jacinto Sobrinhoé maranhense de Bacabal, cidade onde ocorreu seu nascimento a 16/6/1947. Foi Bispo Diocesano de Crateús, no Ceará. O Papa Bento XVI o nomeou Arcebispo da Arquidiocese de Terezina,Piaui, no dia 22/2/2012.Ele foi convidado de honrra para a cerimônia de ordenação dos diáconos do Maranhão.